Pessoa com deficiência: Como emitir a carteira de identidade diferenciada

A carteira de identidade diferenciada é uma modalidade gratuita de carteira de identidade civil, destinada a pessoas com deficiência.

Essa carteira contém impressa, no campo de observação, a indicação “Pessoa com Deficiência”, e acompanha a emissão de um crachá que descreve informações sobre a saúde do identificado: Código Internacional de Doença – CID (obrigatório), indicação de alergias (opcional), utilização de remédios de uso contínuo (opcional) e contato (opcional), para casos de emergência.

Este serviço foi instituído pela Lei Estadual nº 7.821, de 20 de dezembro de 2017, com o objetivo de conferir à pessoa com deficiência maior independência e proteção em casos de abordagem policial e ocorrência de sinistros, e regulamentado através da PORTARIA PRES-DETRAN/RJ Nº 5.374 de 18 de maio de 2018.

QUEM PODE SOLICITAR?

A Carteira de Identidade Diferenciada e o Crachá Descritivo serão destinados, exclusivamente, aos cidadãos com deficiência física, mental, visual, auditiva e/ou intelectual.

Fonte

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Combate ao traumatismo raquimedular têm foco na prevenção


Especialista afirma que, apesar dos avanços da medicina, ainda não há forma de cura total da lesão medular

Entende-se por Traumatismo Raquimedular (TRM) lesão de qualquer causa externa na coluna vertebral, incluindo ou não a medula ou as raízes nervosas, em qualquer dos seus segmentos (cervical, dorsal, lombossacral). Frequentemente está associado a trauma cranioencefálico ou poli trauma. Ocorre na maioria dos casos por conta de acidentes de trânsito, quedas, acidentes ao mergulhar em local raso, por exemplo. Como nenhuma tecnologia desenvolvida conseguiu regenerar os neurônios perdidos por lesão medular, a reabilitação tenta intensificar estímulos neurais e motores. Outros recursos têm sido estudados, como o uso de células-tronco na ortopedia, desde lesões cartilaginosas em patologias como osteoartrose até lesões nervosas como em trauma raquimedular.

Jornal da USP no Ar conversou sobre as perspectivas de tratamento com o especialista Alexandre Fogaça, chefe do Grupo de Coluna do Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Ele explica que o traumatismo raquimedular e suas formas de tratamento ainda desafiam a área médica. “Apesar dos avanços, a gente ainda não tem uma cura para a lesão medular. Tudo o que se faz para tratá-la se divide em três partes: a prevenção, o tratamento e — a última fase — a reabilitação. O foco ainda tem que ser a prevenção, porque, uma vez que aconteça a lesão, você tem vários tipos de tratamento. Você faz cirurgia para descomprimir a medula, estabilizar a coluna, mas isso não traz de volta a função da medula uma vez lesada.”

O processo de reabilitação, no caso, apresenta um notável progresso, como explica Fogaça: “Além de tudo o que se fazia antes, hoje se tem uma vestimenta que o paciente coloca e vai controlar isso, como se fosse uma armadura, com ondas cerebrais, quando ele não tem a função das mãos e consegue ter alguns movimentos. Mas, novamente, não é um tratamento para a lesão, o paciente continua com ela”. O especialista ressalta que, nas linhas de estudos que se desenvolvem, são utilizadas células-tronco gliolfativas, que seguem uma linha neurológica, já que são capazes de restabelecer a conexão, permitindo transmitir as informações do cérebro para os membros.

A principal frente de atuação sobre o traumatismo raquimedular é justamente antes dele acontecer. Fogaça reafirma a necessidade da prevenção: “Os principais causadores de lesão medular são os acidentes de trânsito. É para quem está dirigindo ou está no carro usar o cinto de segurança, respeitar as leis de trânsito, ter cuidado com os pedestres”, além das orientações para motociclistas e para as pessoas que vão em algum local onde haja rios ou lagos. “Uma vez que a lesão aconteça, é fundamental que esse paciente tenha acesso a um centro especializado em menos de 24 horas. A literatura médica também mostra que o prognóstico da lesão medular melhora quando o paciente tem a medula descomprimida em menos de 24 horas”, afirma Fogaça.

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Cateterismo vesical intermitente: Mitos e verdades

O cateterismo intermitente (CI) é uma técnica de esvaziamento periódico da bexiga através da introdução de um cateter na uretra ou em um estoma continente (abertura artificial criando um duto urinário na parede abdominal). O principal objetivo do cateterismo é realizar o esvaziamento residual de urina para evitar futuras complicações.

Em indivíduos que apresentam algum tipo de lesão neurológica (lesão na medula espinhal, cérebro ou nervos), as funções de enchimento e esvaziamento da bexiga podem ficar prejudicadas. Esta alteração recebe o nome de bexiga neurogênica.

Com a realização do cateterismo de forma intermitente, evita-se complicações como infecções urinárias, cálculos, distensão exagerada da bexiga, refluxo vesico ureteral e deterioração dos rins. Traz também a possibilidade de adquirir continência urinária, melhorando a qualidade de vida do indivíduo que o realiza.

Por ser uma técnica simples, segura e de baixo custo, o CI apresenta uma boa aceitação entre as pessoas que fazem uso do mesmo, de seus familiares ou cuidadores. Por muitas vezes, portanto, é o tratamento de primeira escolha. 

O procedimento, como recomendado, deve ser realizado a cada quatro ou seis horas, com prévia orientação ao paciente e/ou seu cuidador, de preferência por enfermeiros habilitados, integrantes de equipes de neuro reabilitação e indicado pelo médico assistente após avaliação clínica – e se necessário por exames.

Ressalta-se que o CI realizado de maneira incorreta pode vir a ocasionar complicações como traumatismos e sangramentos na uretra, infecções urinárias e falso trajeto.

Caso a bexiga não seja esvaziada completamente, a permanência do resíduo urinário será a principal causa de infecções urinárias, o que demonstra a importância da realização do procedimento.

É importante destacar que os indivíduos com bexiga neurogênica, na maioria das vezes apresentam uma bexiga colonizada por bactérias, mas nem sempre esta colonização deverá ser tratada com antibióticos. O tratamento só deve ocorrer caso o indivíduo apresente sintomas clássicos de uma infecção urinária como febre, dor ao urinar, urina com cheiro e cor alterada, sangramento ou piúria na urina.

Em casos de infecção urinária assintomática, ou seja, sem a presença dos sintomas clássicos citados anteriormente, o uso de antibiótico de forma recorrente e indiscriminada levará a problemas futuros de resistência bacteriana.

Por essa característica de colonização bacteriana na bexiga, a realização de um técnica de cateterismo estéril ao invés da  técnica limpa não traz diferença significativa na redução de bactérias ou na ocorrência de menores episódios de infecção urinária. Sendo assim, como forma de permitir uma maior autonomia para os indivíduos, é recomendado que o cateterismo intermitente seja realizado com uma técnica limpa ou também chamado cateterismo intermitente limpo (CIL).

É importante desmitificar a associação entre a ocorrência de infecção urinária com a realização de cateterismo limpo intermitente (CIL), visto que a realização correta do procedimento visa evitar e não aumentar os riscos de uma infecção urinária.

Saiba mais em:
FREITAS, Giselle Lima de et al . Reabilitação de crianças e adolescentes com mielomeningocele: o cotidiano de mães cuidadoras. Rev. Gaúcha Enferm.,  Porto Alegre ,  v. 37, n. 4,  e60310,  2016 . Disponível:  http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-14472016000400410

Lapides J, Diokno AC, Silber SJ, Lowe BS. Clean, intermittent self-catheterization in the treatment of urinary tract disease. J Urol. 1972 Mar;  107(3):458-61. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/5010715

LOPES, Marjoyre Anne Lindozo ; LIMA, Elenice Dias Ribeiro de Paula . Continuidade do Cateterismo Vesical Intermitente: pode o suporte social contribuir? . Revista Latino-Americana de Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 22, n. 3, p. 461-466, june 2014. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/rlae/article/view/86600>. 

Sociedade Brasileira de Urologia. Cateterismo vesical intermitente. Recomendações Sociedade Brasileira de Urologia, 2016.Disponível em: http://portaldaurologia.org.br/medicos/wp-content/uploads/2016/11/Recomendações_Cateterismo-Vesical-SBU-2016_final.pdf 

Favoretto, Naira, Faleiros, Fabiana, Lopes, Filipe, Freitas, Giselle, & Käppler, Christoph. (2019). FÓRUM VIRTUAL DE SAÚDE COMO SUPORTE ÀS PESSOAS QUE REALIZAM CATETERISMO VESICAL INTERMITENTE. Texto & Contexto – Enfermagem, 28, e20180263. Epub September 30, 2019. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-07072019000100364&lng=en&nrm=iso&tlng=pt

 

Autores:
Equipe D+Informação

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Contribuições da Tecnologia Assistiva

A chamada Tecnologia Assistiva (TA) engloba todo e qualquer equipamento, produto ou sistema, que torna possível às pessoas com deficiência uma melhor qualidade de vida através do aumento, manutenção ou melhora do seu desempenho funcional. A TA pode desempenhar um papel importante ao criar a possibilidade de uma pessoa se envolver em suas ocupações de escolha e participar plenamente em sua comunidade.Esses produtos podem variar desde uma simples bengala até a um sistema computadorizado de comunicação. Constituem uma série ampla de adaptações, aparelhos e equipamentos nas mais diversas áreas de necessidades pessoais (comunicação, alimentação, mobilidade, transporte, educação, lazer, esporte, trabalho, dentre outras). A TA é muito utilizada em indivíduos com quadro de tetraplegia (alteração de força e sensibilidade em membros superiores, tronco e membros inferiores) após lesão medular, com objetivo de trazer maior independência. A tetraplegia interfere no desempenho e função de atividades do dia a dia, como as relacionadas à mobilidade, ao cuidado pessoal, uso de computador e escrita, trabalho, entre outros. Assim, a utilização de produtos e tecnologias facilitadores para o desempenho dessas atividades podem ampliar as possibilidades de independência, autonomia e satisfação. Podem ser divididas nos seguintes itens: 1- Adaptações para atividades do cotidiano: equipamentos que auxiliam no desempenho de tarefas de autocuidado, como: o banho, o preparo de alimentos, a manutenção do lar, alimentação, vestuário, entre outras; 2- Adaptações para utilização de computadores: recursos para recepção e emissão de mensagens, acessos alternativos, teclados e mouses adaptados, que permitem a pessoas com lesões físicas utilizarem computadores; 3- Unidades de controle ambiental: unidades computadorizadas que permitem o controle de equipamentos eletrodomésticos, sistemas de segurança, de comunicação e de iluminação em casa ou em outros ambientes; 4- Adaptações ambientais: dispositivos que reduzem ou eliminam barreiras arquitetônicas, como por exemplo, rampas de acesso, elevadores e outros; 5- Equipamentos para a mobilidade: cadeiras de rodas e outros equipamentos de mobilidade, como andadores, bengalas, muletas e acessórios; 6- Adaptações em veículos: modificações em veículos para a direção segura, sistemas para acesso e saída do veículo. É possível ver a existência de uma infinidade de recursos. Por isso, a presença de um profissional qualificado é muito importante para garantir a indicação do melhor produto para a condição de determinado indivíduo e sua demanda do dia a dia. Deve ser uma indicação compartilhada, com participação ativa do usuário e treinamento prévio dentro de sua realidade de vida. Assim, o acesso a produtos assistivos adequados a sua necessidade são garantidos, com isso previne-se o abandono, complicações pelo uso de produto inadequado e prejuízos sociais e econômicos. Em linhas gerais, produtos assistivos auxiliam nas atividades cotidianas como banho, alimentação, higiene oral e facial, vestuário e preparo de alimentos, ajudando na apreensão de objetos para a execução dessas respectivas tarefas. A depender da movimentação presente nos braços e mãos, a pessoa terá indicação de adaptações diferentes, que só serão necessárias caso a pessoa não consiga desenvolver “estratégias próprias” para o manuseio de objetos como, por exemplo, o encaixe dos talheres entre os dedos ou o uso de uma escova de dentes com as duas mãos juntas. Existem equipamentos que ajudam a segurar objetos e podem ser posicionados na mão (figura 1) ou também no antebraço (figura 2), no caso de pessoas com fraqueza nas mãos ou punho, respectivamente. Existem também os engrossadores de cabo (figura 3), que ajudam na preensão de objetos mais estreitos. Esses recursos normalmente tem um uso amplo já que é possível adaptar diferentes objetos como por exemplo: talheres, escova dental, escova de cabelo, maquiagem, lâmina de barbear, caneta, entre outros. Para a alimentação e atividades de cozinha, há tábuas adaptadas para fixar e cortar os alimentos, modificações nas alças das panelas, antiderrapantes para pratos e louças, copos com alças, etc. Para o vestuário, existem os cabos alongados (figura 4) que podem ajudar a vestir calças e sapatos e/ou adaptação para colocação de meias (figura 5) ou uso do zíper. Também pode-se usar velcros ao invés de botões e cadarço fixo. Tudo isso pode pode ser encontrado em centros de reabilitação ou lojas especializadas. SAIBA MAIS: 1.  DE CARLO, Marysia M. R. do Prado (Org.); LUZO, Maria Cândida de M. (Org.) Terapia ocupacional: reabilitação física e contextos hospitalares. São Paulo: Roca, 2004. 2.  GREVE, Julia Maria D’Andrea. Tratado de medicina de reabilitação. São Paulo: Roca, 2007. 3.  MAPEAMENTO de competências em tecnologia assistiva: relatório final. Brasília: Centro de Gestão e Estudos Estratégicos-CGEE, 2012. Disponível em: <https://eur02.safelinks.protection.outlook.com/?url=https%3A%2F%2Fwww.cgee.org.br%2Fdocuments%2F10195%2F734063%2FCGEE%2BRelat%25C3%25B3rio%2BEstudo%2Bde%2BTecnologia%2BAssistiva_12022014_9207.pdf%2Fdc70dcb2-c96c-49e0-a2f2-9a23870076f6%3Fversion%3D1.0&amp;data=02%7C01%7C%7Cf79d1594e7d84c2a996608d5f2f24dfb%7C84df9e7fe9f640afb435aaaaaaaaaaaa%7C1%7C0%7C636682044853778152&amp;sdata=6nW7S%2FG75jEGaHf9ldJ1aFWYRG717p65Mq1XH6eSOHY%3D&amp;reserved=0https://eur02.safelinks.protection.outlook.com/?url=https%3A%2F%2Fwww.cgee.org.br%2Fdocuments%2F10195%2F734063%2FCGEE%2BRelat%25C3%25B3rio%2BEstudo%2Bde%2BTecnologia%2BAssistiva_12022014_9207.pdf%2Fdc70dcb2-c96c-49e0-a2f2-9a23870076f6%3Fversion%3D1.0&amp;data=02%7C01%7C%7Cf79d1594e7d84c2a996608d5f2f24dfb%7C84df9e7fe9f640afb435aaaaaaaaaaaa%7C1%7C0%7C636682044853778152&amp;sdata=6nW7S%2FG75jEGaHf9ldJ1aFWYRG717p65Mq1XH6eSOHY%3D&amp;reserved=0>. Acesso em: 26 jul. 2018. 4.  RODRIGUES, P. R.; ALVES, L. R. G. Tecnologia assistiva – uma revisão do tema. Holos, v. 29, n. 6, p. 171-177, 2013. Disponível em: <https://eur02.safelinks.protection.outlook.com/?url=http%3A%2F%2Fwww2.ifrn.edu.br%2Fojs%2Findex.php%2FHOLOS%2Farticle%2Fview%2F1595%2F765&amp;data=02%7C01%7C%7Cf79d1594e7d84c2a996608d5f2f24dfb%7C84df9e7fe9f640afb435aaaaaaaaaaaa%7C1%7C0%7C636682044853778152&amp;sdata=58da9AZGd07WVNNHVYYfz4TNkSqcKN%2BAutxBvV1Xpm0%3D&amp;reserved=0>. Acesso em: 26 jul. 2018. Autores: Gabriela Galante – fisioterapeuta  http://lattes.cnpq.br/0608385009324965

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Osteoporose em pessoas com LM

A osteoporose em pessoas com lesão medular é um importante problema de  saúde capaz de gerar um risco aumentado de fraturas com consequentes complicações e não deve ser negligenciado.

A osteoporose após a lesão medular pode ser definida como a reabsorção óssea excessiva gerando fragilidade óssea e consequentes fraturas. A perda de massa óssea evolui em torno de 4% ao mês durante o primeiro ano após a lesão medular, inclusive, estudos mais recentes sugerem que a perda óssea pode se estender por 3 a 8 anos até se estabilizar. A desmineralização pode chegar à 28% no quadril, 37-52% no fêmur e 36-70% da tíbia proximal.

As fraturas por fragilidade óssea podem ocorrer em 25-46 % dos pacientes com lesão medular ao longo da vida. Os locais fraturados mais comuns são o fêmur proximal (quadril), fêmur distal e tíbia proximal (joelho) em pacientes restritos à cadeira de rodas e a tíbia distal (tornozelo), principalmente em indivíduos com lesão medular e que apresentam marcha independente ou com auxílio.

Essas fraturas estão principalmente relacionadas às quedas, seja da própria altura ou da cadeira de rodas, forças torcionais durante transferências ou mobilizações passivas. As fraturas nessa população estão associadas à complicações como úlceras de pressão, deformidades, piora do desempenho as atividades de vida diária e para marcha em paciente deambuladores.

Além da osteoporose associada à própria lesão medular, outros fatores associados contribuem para a perda mineral óssea, como a deficiência de vitamina D3, descrita em até 1/3 dos pacientes, uso de anticonvulsivantes e psicotrópicos,  medicamentos comumente usados para dores neuropáticas e o uso de protetores de mucosa gástrica, como omeprazol, que diminuem a absorção de cálcio, todos esses são fatores que influenciam a perda mineral óssea.

O risco de fratura após a lesão medular é diferente do risco de osteoporose, um exemplo disso é que os pacientes tetraplégicos apresentam maior osteoporose que os paraplégicos, contudo os pacientes com paraplegia fraturam em uma frequência maior devido à exposição aos riscos.

Considerando esses aspectos, diversos autores têm descritos fatores associados ao maior risco de fraturas por fragilidade óssea, como: lesão medular completa, ser do sexo feminino, ter idade superior a 40 ou menor que 16 anos na época da lesão medular, o tempo de lesão medular ser maior que 3 anos, consumir mais de três porções de café por dia, tabagismo, possuir histórico familiar de fraturas por osteoporose, ser abaixo do peso, ingerir bebidas alcoólicas e usar de corticosteroides.

Estudos científicos sugerem que a atividade de ficar em pé e o treino de marcha mostram efeito protetor para diminuir a perda de massa óssea em indivíduos com lesão medular espinhal traumática. Contudo, ainda não existe um protocolo para o diagnóstico e tratamento da osteoporose em pacientes com lesão medular, assim como critérios da densitometria óssea específicos para essa população.

Enfim, fraturas por fragilidade óssea são complicações graves na população com lesão medular, podem levar à hospitalização, acarretam piora no desempenho em atividades diárias na vida e também na capacidade para marcha.

O conhecimento sobre a osteoporose em lesão medular é escasso e não existe ainda uma diretriz específica para essa população, o que dificulta a prevenção destas fraturas. Entender melhor o perfil dos indivíduos com maior risco pode ajudar a reconhecer os fatores associados a fim de serem estabelecidos programas de prevenção, orientação especializada e tratamento adequado aos mesmos.

Referências

Craven BC, Giangregorio L, Robertson L, Delparte JJ, Ashe MC, Eng JJ. Sublesional Osteoporosis Prevention , Detection , and Treatment : A Decision Guide for Rehabilitation Clinicians Treating Patients with Spinal Cord Injury 2008;20:277–321.

Garland DE, Adkins RH, Stewart CA. Fracture Threshold and Risk for Osteoporosis and Pathologic Fractures in Individuals with Spinal Cord Injury 2005;2:61–9.

Bauman WA, Cardozo CP. Osteoporosis in Individuals with Spinal Cord Injury. PM&R 2016;7:188–201.

Akhigbe T, Chin AS, Svircev JN, Hoenig H, Burns SP, Weaver FM, et al. A retrospective review of lower extremity fracture care in patients with spinal cord injury 2015;38:2–9

Frotzler A, Pourtehrani M, Krebs J, Lippuner K. Long-bone fractures in persons with spinal cord injury. Spinal Cord 2015;53:701–4.

Bethel M, Bailey L, Weaver F, Harmon RL, Priebe M, Le B, et al. A historical study of appendicular fractures in veterans with traumatic chronic spinal cord injury : A historical study of appendicular fractures in veterans with traumatic chronic spinal cord injury : 2002 – 2007 2016;268:2002–7.

Craven BC, Robertson LA, Mcgillivray CF, Adachi JD. Detection and Treatment of Sublesional Osteoporosis Among Patients with Chronic Spinal Cord Injury: Proposed Paradigms 2009;14:. https://doi.org/10.1310/sci1404-T.

Biering-Sørensen F, Hansen B, Lee BSB. Non-pharmacological treatment and prevention of bone loss after spinal cord injury: a systematic review. Spinal Cord 2009;47:508–8.

Ben M, Harvey L, Denis S, Glinsky J, Goehl G, Chee S, et al. Does 12 weeks of regular standing prevent loss of ankle mobility and bone mineral density in people with recent spinal cord injuries? Aust J Physiother 2005;51:251–6.

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Aquisição gratuita de material para cateterismo vesical é um direito

É direito garantido por lei que o indivíduo que realiza o Cateterismo Vesical Intermitente Limpo (CVIL) receba o material para sua realização.  O CVIL é o tratamento de escolha para indivíduos com bexiga neurogênica decorrente de lesão medular traumática ou não traumática, visando preservação do trato urinário superior. Assim, a garantia de acesso ao material necessário ao procedimento faz parte do tratamento de saúde desses indivíduos, sendo, portanto, um dever do SUS garantir sua disponibilização. Porém, cada município possui autonomia para estabelecer um fluxo de liberação desse material. É aí que, por vezes, acabam surgindo dificuldades impossibilitando o acesso do paciente ao material. No município de Ribeirão Preto, o fluxo de distribuição se dá através das unidades básicas de saúde (UBS) da área de abrangência onde o indivíduo reside. Uma vez cadastrado na unidade e com número do cartão SUS – também atualizado, ele passa a poder retirar o material, sendo necessário apenas receituário médico atualizado que conste o numero de cateterismos necessários por dia e o calibre do cateter a ser utilizado. No site da prefeitura de Ribeirão Preto (link ao final do texto) consta o material que é passível de distribuição (sonda de nelaton no calibre e quantidades adequadas e xilocaína gel). A disponibilidade e tipo de material a ser retirado também gera dúvidas, uma vez que a escolha do material necessário para esse procedimento é feita de acordo com normas e orientações padronizadas nacionalmente. Por vezes o indivíduo se dirige a UBS com receituário solicitando material diferente do que é disponibilizado na rede pública, porém, com a mesma finalidade, como é o caso do cateter hidrofílico  (um tipo de cateter que já vem lubrificado), e exige que esse material seja fornecido, uma vez que está prescrito pelo médico que o acompanha. O município porém, não tem autonomia, principalmente financeira, de disponibilizar os materiais de maneira tão individualizada, já que o mesmo segue normas e protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde, que por sua vez baseia-se em estudos atualizados e seguros para garantir o melhor tratamento e com menor custo a ser disponibilizado, a fim de que o maior número possível de pessoas tenham acesso. Assim, para a aquisição de material não normatizado para distribuição gratuita, são necessários trâmites legais, por vezes onerosos, ao sistema de saúde e que levam um tempo considerável até serem resolvidos, o que atrapalha a manutenção de um tratamento adequado. Assim como a distribuição dos medicamentos, o material de cateterismo também deve ser liberado parar os indivíduos com seguimento no setor privado, desde que a receita siga as normas estabelecidas pela Secretaria Municipal de Saúde e demais documentos norteadores oficiais. Vale ressaltar que mesmo o indivíduo tendo esse direito, a distância existente entre a assistência privada e a distribuição dos materiais da rede pública pode, por vezes, prejudicar a adequação do tratamento quando necessário. Por esse motivo, é sempre incentivado que o acompanhamento seja realizado também na unidade de saúde, assim, a unidade passa a ser um local onde o indivíduo tem assistência em seu tratamento e não apenas uma central de distribuição de insumos. É importante lembrar que ainda que a aquisição gratuita do material seja um direito, o Brasil é um país onde as desigualdades sociais são incontáveis, com regiões que sequer conseguem disponibilizar medicamentos básicos a doentes crônicos, algo já muito consolidado no sudeste do pais, por exemplo. Assim, diferenças regionais devem ser consideradas e o melhor a fazer caso necessite do fornecimento desse material é procurar a unidade de saúde ou a Secretaria Municipal de Saúde da sua região, para se informar como se dá o fluxo local para aquisição de tais materiais. SAIBA MAIS https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/ssaude/pdf/protocolo-sad-dispensa-materiais.pdf http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/legislacao http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_saude_pessoa_deficiencia.pdf  

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Feridas Crônicas têm cura?

As feridas crônicas são feridas que demoram muito a cicatrizar e podem, inclusive, não fechar, caso o curativo ideal não seja realizado e se a causa da ferida não for tratada. O maior exemplo são as lesões ou úlceras por pressão, conhecidas popularmente como “escaras”.

As feridas crônicas são feridas de difícil cicatrização, quase sempre acontecem em função da realização do curativo inadequado (escolha errada do curativo) bem como o não tratamento da etiologia (causa da ferida).

As feridas crônicas representam um grande problema de saúde pública, em função dos gastos elevados para o tratamento, bem como um problema social, pois exclui as pessoas que convivem com a ferida, já que normalmente essas feridas produzem odor fétido, forte e problemas com a auto imagem do paciente.

Dentre as feridas crônicas mais comuns destacam-se as úlceras ou lesões por pressão (escara), as úlceras diabéticas (pé diabético) e as úlceras vasculares (úlceras de perna). As “escaras” configuram-se como complicação grave, muito frequente em pacientes internados por longos períodos (como em UTI), idosos acamados e pacientes com deficiência física, como paraplégicos ou tetraplégicos, dentre outros.

Os estudos mostram que a lesão por pressão eleva os custos dos serviços de saúde pelo fato de serem crônicas, ou seja, demoram anos para cicatrizar. Além disso demandam tempo e recursos materiais e humanos para o cuidado, há também sobrecarga emocional imposta às pessoas que convivem com a lesão, bem como seus familiares.

As úlceras diabéticas, conhecidas como pé diabético, acometem cerca de 15% dos portadores de Diabetes Mellitus em função da neuropatia periférica, resultado da diabetes, bem como a doença vascular periférica, responsável por levar à diminuição da sensibilidade nos membros inferiores, ocasionando úlceras nos pés. É necessário destacar também que o pé diabético leva o paciente à múltiplas amputações, com várias recidivas, podendo levar a morte. Dados revelam que 80% das amputações são preveníveis e que o tempo estimado de vida após a amputação é de no máximo dois anos.

As úlceras vasculogênicas – ou vasculares – podem ter como causa problemas arteriais, venosos e até mesmo mistos (arterial e venoso). As úlceras venosas são o tipo mais frequente das úlceras de membros inferiores e afetam mais mulheres do que homens (3:1). Tem como causa a Insuficiência Venosa Crônica (IVC), as veias têm dificuldade para que o sangue retorne e esse acumula-se nas veias dos membros inferiores causando um aumento na pressão intravenosa, estase venosa e edema (inchaço). Já as úlceras arteriais são produzidas quando o fluxo sanguíneo para os membros inferiores está diminuído, isso pode levar à isquemia e necrose dos tecidos (morte dos tecidos). Ambas são de difícil cicatrização, necessitando de cuidados especializados e acompanhamento por uma equipe multiprofissional.

O tratamento das feridas crônicas consiste inicialmente em acabar ou minimizar a doença de base e ainda corrigir os vários fatores que interferem negativamente na cicatrização correta, como por exemplo: melhorar o estado geral do paciente, melhorar os hábitos de vida (mais saudáveis) e o tratamento com a escolha do curativo ideal, realizado por um profissional especializado e habilitado. Tudo isso traz benefícios para uma cicatrização mais rápida e eficaz. Quanto às feridas crônicas, o tratamento localizado visa obter tecido viável como boa vascularização e oxigenação (conhecido como tecido de granulação) e ainda sem sinais de infecção, a fim de garantir uma cicatrização mais rápida.

Úlcera Venosa

Úlcera por Pressão (“Escara”no calcanhar)

Fonte: Imagens de livre acesso

SAIBA MAIS PRADINES, S.M.S. et al. Protocolo para tratamento de feridas. 5a ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004, p. 1319 – 1338.

RITTES, P. Úlceras de estase dos membros inferiores: uma nova abordagem terapêutica. Disponível em www.prittes.com.br.

Autor: Marcelo Monteiro Mendes. Doutor em Biologia de Agentes Infecciosos e Parasitários. Enfermeiro Dermatológico pela SOBENFEeE. Presidente da SOBENFEeE – Regional Pará. Sócio Proprietário e Diretor Científico do Instituto Dr. Marcelo Mendes – Tratamento de Feridas. http://lattes.cnpq.br/2067150460562125

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E o sexo continua… Descobertas após lesão medular

A Lesão Medular leva a alterações orgânicas (do corpo) e/ou comportamentais (alteração da autoimagem, tabus, preconceitos), mas isso não significa o fim da sexualidade ou que não exista solução! As alterações sexuais dependem do tipo da lesão, fatores físicos, psíquicos e até sociais! O processo mental da função sexual é o mesmo antes e após a lesão. O desejo sexual, que é chamado de libido permanece! As alterações na movimentação do corpo, espasticidade, contraturas, perda do controle do intestino e da bexiga podem afetar a autoimagem e a capacidade de realização do ato sexual. As alterações nas vias nervosas leva a alteração nos padrões autonômicos da resposta sexual, que podem ser observadas no alcance e na manutenção da ereção, a ejaculação pode estar impedida ou tornar-se retrógrada e a sensação de orgasmo diminuída ou abolida. A diminuição ou ausência da sensibilidade na área genital contribui de maneira direta para a ocorrência dessas alterações. Em virtude do grande choque psicológico gerado pela lesão em função a mudanças na aparência e no funcionamento do corpo, o desejo sexual pode estar reprimido. Devido essas alterações é necessário a readaptação para a manutenção da atividade sexual.  O tratamento, muitas vezes é indicado alternativas para auxiliar a alcançar e manter uma ereção satisfatória. Vão desde métodos economicamente acessíveis e temporários até métodos mais caros e até definitivos. O método mais econômico é o anel peniano de borracha encontrado em lojas como sexshop com a finalidade de proporcionar maior prazer e prolongar a ereção masculina. Sua colocação é bem simples e deve ser feita quando o pênis estiver ereto, para que se obtenha o resultado esperado. O anel é colocado na base do pênis retendo o sangue nos corpos cavernosos e deve ser retirado por volta de 20 minutos, para não correr riscos de lesões. Por ser de material flexível, se adapta e se ajusta a diferentes tamanhos. Muitos homens apresentam alteração de sensibilidade, portanto deve-se ficar atento a lesões de pele ou no pênis ao usar o anel peniano e pessoas com mielomeningocele apresentam alergia ao látex e devem ficar atentos ao material que é fabricado o anel. Existem ainda as medicações, comprimidos que tem a finalidade de proporcionar a ereção! Toda medicação com essa finalidade deve ser orientado por um urologista devido risco de reações adversas como o priapismo (ereção que dura mais de três horas). Nesses casos é necessário ir com urgência a um hospital para retirada do sangue retido. A prótese peniana é o método definitivo e irreversível que é realizado através de procedimento cirúrgico que proporcionará ereção constante. Apesar de sua rigidez, ela possui uma maleabilidade, para que o pênis fique posicionado de acordo com as necessidades. Geralmente ela é fabricada com uma parte interna metálica maleável, ou inflável, que proporcionará a ereção de acordo com o comando da pessoa através onde um líquido será bombeado para as próteses, gerando a ereção. A vida sexual é determinante na qualidade de vida da pessoa com lesão medular e não pode ser esquecida. A pessoa com lesão medular tem condições de manter uma vida sexual que traga satisfação plena para si e para sua parceira, para isso é imprescindível que você acredite nas suas potencialidades físicas, afetivas e emocionais para assim poder reinventar e redescobrir sua sexualidade! Em caso de dúvidas procure um enfermeiro de reabilitação ou um médico especializado! Bibiliografia: Barbosa VRC. A vivência da sexualidade de homens com lesão medular adquirida [dissertação]. São Paulo: Universidade de São Paulo; 2003. COSTA, Bianca Teixeira et al. O perfil e as adaptações sexuais de homens após a lesão medular. Acta Fisiátrica, São Paulo, v. 21, n. 4, p. 177-182, dec. 2014. ISSN 2317-0190. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/actafisiatrica/article/view/103867>. Acesso em: 20 july 2018. doi:http://dx.doi.org/10.5935/0104-7795.20140035.

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