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Cateterismo vesical intermitente: mitos e verdades

O cateterismo intermitente (CI) é uma técnica de esvaziamento periódico da bexiga através da introdução de um cateter na uretra ou em um estoma continente (abertura artificial criando um duto urinário na parede abdominal). O principal objetivo do cateterismo é realizar o esvaziamento residual de urina para evitar futuras complicações.

Em indivíduos que apresentam algum tipo de lesão neurológica (lesão na medula espinhal, cérebro ou nervos), as funções de enchimento e esvaziamento da bexiga podem ficar prejudicadas. Esta alteração recebe o nome de bexiga neurogênica.

Com a realização do cateterismo de forma intermitente, evita-se complicações como infecções urinárias, cálculos, distensão exagerada da bexiga, refluxo vesico ureteral e deterioração dos rins. Traz também a possibilidade de adquirir continência urinária, melhorando a qualidade de vida do indivíduo que o realiza.

Por ser uma técnica simples, segura e de baixo custo, o CI apresenta uma boa aceitação entre as pessoas que fazem uso do mesmo, de seus familiares ou cuidadores. Por muitas vezes, portanto, é o tratamento de primeira escolha. 

O procedimento, como recomendado, deve ser realizado a cada quatro ou seis horas, com prévia orientação ao paciente e/ou seu cuidador, de preferência por enfermeiros habilitados, integrantes de equipes de neuro reabilitação e indicado pelo médico assistente após avaliação clínica – e se necessário por exames.

Ressalta-se que o CI realizado de maneira incorreta pode vir a ocasionar complicações como traumatismos e sangramentos na uretra, infecções urinárias e falso trajeto.

Caso a bexiga não seja esvaziada completamente, a permanência do resíduo urinário será a principal causa de infecções urinárias, o que demonstra a importância da realização do procedimento.

É importante destacar que os indivíduos com bexiga neurogênica, na maioria das vezes apresentam uma bexiga colonizada por bactérias, mas nem sempre esta colonização deverá ser tratada com antibióticos. O tratamento só deve ocorrer caso o indivíduo apresente sintomas clássicos de uma infecção urinária como febre, dor ao urinar, urina com cheiro e cor alterada, sangramento ou piúria na urina.

Em casos de infecção urinária assintomática, ou seja, sem a presença dos sintomas clássicos citados anteriormente, o uso de antibiótico de forma recorrente e indiscriminada levará a problemas futuros de resistência bacteriana.

Por essa característica de colonização bacteriana na bexiga, a realização de um técnica de cateterismo estéril ao invés da  técnica limpa não traz diferença significativa na redução de bactérias ou na ocorrência de menores episódios de infecção urinária. Sendo assim, como forma de permitir uma maior autonomia para os indivíduos, é recomendado que o cateterismo intermitente seja realizado com uma técnica limpa ou também chamado cateterismo intermitente limpo (CIL).

É importante desmitificar a associação entre a ocorrência de infecção urinária com a realização de cateterismo limpo intermitente (CIL), visto que a realização correta do procedimento visa evitar e não aumentar os riscos de uma infecção urinária.

Saiba mais em:
FREITAS, Giselle Lima de et al . Reabilitação de crianças e adolescentes com mielomeningocele: o cotidiano de mães cuidadoras. Rev. Gaúcha Enferm.,  Porto Alegre ,  v. 37, n. 4,  e60310,  2016 . Disponível:  http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-14472016000400410

Lapides J, Diokno AC, Silber SJ, Lowe BS. Clean, intermittent self-catheterization in the treatment of urinary tract disease. J Urol. 1972 Mar;  107(3):458-61. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/5010715

LOPES, Marjoyre Anne Lindozo ; LIMA, Elenice Dias Ribeiro de Paula . Continuidade do Cateterismo Vesical Intermitente: pode o suporte social contribuir? . Revista Latino-Americana de Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 22, n. 3, p. 461-466, june 2014. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/rlae/article/view/86600>. 

Sociedade Brasileira de Urologia. Cateterismo vesical intermitente. Recomendações Sociedade Brasileira de Urologia, 2016.Disponível em: http://portaldaurologia.org.br/medicos/wp-content/uploads/2016/11/Recomendações_Cateterismo-Vesical-SBU-2016_final.pdf 

Favoretto, Naira, Faleiros, Fabiana, Lopes, Filipe, Freitas, Giselle, & Käppler, Christoph. (2019). FÓRUM VIRTUAL DE SAÚDE COMO SUPORTE ÀS PESSOAS QUE REALIZAM CATETERISMO VESICAL INTERMITENTE. Texto & Contexto – Enfermagem, 28, e20180263. Epub September 30, 2019. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-07072019000100364&lng=en&nrm=iso&tlng=pt

 

Autores:
Equipe D+Informação

9 thoughts on “Cateterismo vesical intermitente: mitos e verdades

  1. Pingback: Reabilitação intestinal de indivíduos com lesão medular: produção de material para intervenção educativa – D+Informação – USP

  2. Pingback: Vídeo para aprender as manobras de esvaziamento intestinal – D+Informação – USP

  3. Stefania says:

    Por favor, gostaria de ter uma informação quanto a técnica de cateterismo estéril, se há indicação de quantidade de clorexidina e lidocaina a ser utilizada, alguma norma ou parecer técnico do ministério da Saúde, Anvisa, para sondagem em um paciente com CA de próstata.

    • Letícia says:

      Olá Stefania, a quantidade de clorexidina aquosa deve ser suficiente para embeber a gaze ou algodão para fazer a limpeza do meato urinário e em relação a lidocaína gel, o suficiente para lubrificar os primeiros 5 cm do cateter vesical a ser inserido para trazer maior conforto no momento da introdução. Todo procedimento deste caráter deve ter sido previamente treinado e capacitado por um profissional de saúde, ok?!
      Abraços!
      Equipe D+Informação

  4. Myrian Alkmim says:

    Gostaria de saber se ao realizar o cateterismo intermitente não é expelido a urina,,,o paciente está com incontinência urinária,,e durante o cateterismo não sai nada

  5. Cristiano A. says:

    Obrigado por compartilhar tantas informações preciosas. Estou conhecendo o site neste momento mas ainda não achei a informação para tirar minha dúvida.
    Fiz a retirada de um tumor na medula junto com artrodese e acabei com bexiga neurogênica flácida e constipação intestinal, tenho também dormência pélvica e nos pés e dores crônicas na lombar . Faço fisioterapia faz 1 ano mas ainda tô nessa rsrs. A dúvida é: Nessas condições eu me enquadro como como deficiente?

  6. Jaqueline says:

    O uso do cataterismo é para sempre em caso de bexiga neurogenica?
    Obrigada tenho um bb de 10 dias que teve mielo, tô cheia de duvidas.

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