Meu filho têm autismo? Cinco aspectos para observar e realizar o diagnóstico precoce

O autismo é um transtorno do desenvolvimento da criança, cujas alterações podem aparecer antes dos 3 anos de idade, e a identificação de sinais iniciais beneficia a criança, pois possibilita o rápido início das intervenções precocemente, aumentando as chances de bons resultados.

Comportamentos incomuns não são os únicos fatores para observação no Transtorno do Espectro Autista ( TEA), porque várias crianças não os apresentam ou costumam demonstrá-los mais tardiamente. Em alguns casos, são observados comportamentos atípicos, repetitivos e estereotipados severos, o que indica a necessidade de encaminhamento para avaliação diagnóstica de TEA, como descrito a seguir:

  Motores 

  • Movimentos do corpo estereotipados. 
  • Ações atípicas repetitivas. 
  • Dissimetrias na motricidade. 

 Sensoriais 

  • Hábito de cheirar e/ou lamber objetos. 
  • Sensibilidade exagerada a sons. 
  • Insistência visual em objetos que têm luzes, emitem barulhos ou partes que giram. 

 Rotinas 

  • Tendência a rotinas ritualizadas e rígidas. 
  • Dificuldade importante na modificação da alimentação.

 Fala 

  • Repetição de palavras. 
  • Falta de contexto. 
  • Variações do volume da voz. 

  Aspecto emocional 

  • Expressividade emocional menos frequente. 
  • Extrema passividade no contato corporal. 
  • Extrema sensibilidade em momentos de desconforto (por exemplo: dor). 
  • Dificuldade de encontrar formas de expressar as diferentes preferências e vontade. 

Em alguns casos, essas crianças apresentam habilidades especiais (matemática, habilidades musicais, de leitura e plásticas) e alterações nas funções fisiológicas (relacionadas ao sono, aos processos gastrointestinais e da alimentação). Vale ressaltar que cada criança é única, seja com o autismo ou não, todas tem seu próprio tempo de desenvolvimento e personalidade adquirida ao longo do tempo. 

O diagnóstico de TEA, ainda que constitua um estressor para a família, pode também ser uma experiência que potencializa os recursos familiares, tais como flexibilidade na mudança de seus valores, suas expectativas, prioridades na vida e na qualidade das relações entre os membros da família. A “resiliência familiar”, é explicada com base na noção de que a família pode se desenvolver mesmo na presença de um contexto estressante, como no caso dos problemas de saúde e/ou de desenvolvimento dos filhos.  

Clique Aqui e saiba mais sobre todos os sintomas, cuidados e muito mais nas Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista publicada pelo Ministério da Saúde. 

SAIBA MAIS 

BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA), disponível no link: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_atencao_reabilitacao_pessoa_autismo.pdf Acesso em: 11 nov. 2019. 

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 793, de 24 de abril de 2012. Institui a Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência no âmbito do Sistema Único de Saúde. 2012a. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2012/prt0793_24_04_2012.html> Acesso em: 11 nov. 2019. 

SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA: Manual de orientação do Transtorno do Espectro Autista Nº 05, Abril de 2019, Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/Ped._Desenvolvimento_-_21775b-MO_-_Transtorno_do_Espectro_do_Autismo.pdf

Autores: Michel Marcossi Cintra – Enfermeiro pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP-USP). Mestrando pelo Departamento de Enfermagem Fundamental da EERP-USP. Integrante do Núcleo de Pesquisa e Atenção em Reabilitação Neuropsicomotora (NeuroRehab) Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4094321770040698 

Profª Draª Fabiana Faleiros Santana Castro. Enfermeira. Professora Doutora do Departamento de Enfermagem Geral e Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. 

Profª Draª Marislei Sanches Panobianco. Enfermeira. Professora Associada do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e de Saúde Pública da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. 

Profª Draª Soraia Assad Nasbine Rabeh. Enfermeira. Professora Doutora do Departamento de Enfermagem Geral e Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

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Espectro de Autismo em pauta

“Meu nome é Tiago, tenho 22 anos, e sou jornalista. Em 2018, de uma forma praticamente informal, meu nome correu pela web como o “autista que faz podcast para autistas”. Não que isso esteja completamente errado, mas é uma qualificação bastante superficial para uma trajetória de muitas nuances.

Criar podcast começou a partir de uma bagagem universitária constituída pelos serviços de assistência estudantil e, também, por uma busca individual. Fui diagnosticado com a chamada Síndrome de Asperger logo ao início da graduação, e meus melhores amigos acompanharam o processo ao longo do ano de 2014. Em abril de 2016, recebi o contato de uma psicóloga para uma conversa.

Pouco tempo depois, se iniciava uma atividade terapêutica em grupo, de orientação psicoanalítica, que trouxe até hoje mais de 10 estudantes de diferentes cursos e faixas etárias em torno de um diagnóstico em comum. Compartilhamos experiências e frequentemente fugimos dos temas ‘autísticos’ para debater assuntos diversos. E tudo isso me parecia interessante de se aproveitar.

Em 2017, após conversar bastante com algumas pessoas e produzir materiais sobre os membros – incluindo um perfil e um radiodocumentário – decidi que deveríamos ter o tal podcast. Naquele período, existia em mim uma inquietação pelo fato da maioria dos eventos de autismo trazerem, ao máximo, especialistas e pais. E, assim, deveríamos dar nossa cara a tapa, de alguma forma.

Nossa intenção era importante porque existia uma imensidão de temáticas relacionadas ao autismo e universidade pouco exploradas pelos materiais de autismo na web. Entre eles, a relação aluno-professor, os trabalhos em grupo e a produção acadêmica relacionada ao hiperfoco. E, além de tudo, não havia nenhuma produção de mídia coletiva de pessoas dentro do espectro desse porte no país.

Sabia dos perigos da exposição. Entendia que, com isso, poderíamos correr o risco de não conseguirmos utilizar o rótulo a nosso favor. No entanto, era mais interessante definirmos o nosso espaço nessa comunidade em que pessoas diagnosticadas com autismo ainda não recebem o protagonismo devido.

O formato do podcast é fundamental para nós. Ao contrário do YouTube, por exemplo, que envolve recursos de imagem e gravações curtas para vídeos eficientes, com episódios de áudio podemos aprofundar temas e dialogar, de forma mais aproximada, com o nosso “nicho”.

Em mais de 30 episódios gravados até agora, tivemos a oportunidade de falar sobre sensibilidade sensorial, inclusão na universidade e depressão, mas também de sofrência, telefones celulares e Queen. O elemento que nos une é, de certa forma o diagnóstico, mas permitimos o enriquecimento o debate por meio das nossas diferenças.

Portanto, além dos rótulos e conceitos, a forma com a qual fomos tratados permitiu que não somente fizéssemos novas relações sociais, mas também garantiu a permanência na universidade, um dos pontos fundamentais da inclusão. E o podcast Introvertendo é um dos reflexos disso.”

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