Zika vírus e a microcefalia

Caso de gêmeos em que um dos bebês teria nascido com microcefalia e outro não fizeram com que pesquisadores da USP e do Instituto Butantan estudassem o caso para obter mais informações sobre a penetração do vírus sobre a placenta.

Os resultados observados indicaram que os gêmeos estudados que não desenvolveram a doença, produziam mais quimiocinas do que os infectados, ajudando a se protegerem da infecção pelo vírus. As quimiocinas são um grupo de citocinas presentes no sangue, responsáveis por recrutar as células do sistema imune (nossas células de defesa).

Em outra etapa da pesquisa, pôde ser observado que na análise das moléculas de RNA dos gêmeos, houve diferença entre os trofoblastos dos gêmeos afetados pelo zika vírus e os que não foram infectados. Os trofoblastos são um conjunto de células que contribuem para a formação da placenta e ajudam o processo da implantação do embrião no útero.

Com os resultados da pesquisa, os cientistas concluem que a placenta desempenha um papel protetor do feto, porém existem fatores que os deixam suscetíveis que contribuem para a infecção pelo zika vírus.

Fonte: Jornal da USP

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Projeto “Mãodalinho”

O Mãodalinho é um projeto de um triciclo adaptado para crianças de 0 a 4 anos de idade que não tenham mobilidade nas pernas. A adaptação realizada por um grupo de mais de 20 colaboradores, consiste na utilização das mãos para movimentar o triciclo.

Porque “Mãodalinho”?

O propósito da equipe é que a palavra “mãodalar” se popularize como pedalar. O propósito é desenvolver um brinquedo em que as crianças possam brincar conjuntamente, possibilitando sua integração social, e assim minimizar a barreira da exclusão por motivos físicos.

Com o intuito de acreditar que, trabalhando a inclusão desde a infância, projetos como esse farão com que as crianças dessa geração se tornarão seres humanos menos preconceituosos conforme crescem, e conviverão em uma sociedade mais igualitária, que respeita as diferenças.

Saiba mais sobre o projeto aqui.

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Autonomia na infância e adolescência

Todas as crianças precisam ser estimuladas a desenvolver sua autonomia. E a família exerce papel fundamental nessa questão, especialmente no caso das crianças com deficiência.

Ao buscar rapidamente em dicionários nacionais e na internet, temos uma impressão inicial simplista e equivocada: AUTONOMIA = INDEPENDÊNCIA. Para contradizer essa falsa igualdade, há um exemplo bastante ilustrativo e contextualizado.

Duas crianças de 10 anos de idade sofreram um acidente automobilístico, tiveram lesão completa sobre a medula espinhal e ficaram com sequelas neurológicas. Uma criança ficou paraplégica e a outra tetraplégica. Quem terá mais dificuldades daqui pra frente? A resposta é imediata: a criança tetraplégica. Agora, outra pergunta: Quais dificuldades a criança terá? Essa pergunta têm um objetivo: CONTEXTUALIZAÇÃO.

Isso mesmo, é preciso contextualizar para identificar problemas. À primeira vista, quando nos atentamos à pergunta do parágrafo anterior, tendemos a responder sobre quem terá mais dificuldades com relação à independência, conceito que tem relação direta com o pleno funcionamento das estruturas físicas corporais. Sob esse aspecto a resposta é SIM, pois a criança tetraplégica possui mais estruturas corporais afetadas e, portanto, terá mais dificuldades em realizar as atividades habituais do dia a dia por conta própria, de maneira independente.

Entretanto, quando contextualizamos o fenômeno, precisamos de mais dados para chegarmos a conclusões mais amplas e reais. Aí entra o conceito de AUTONOMIA, que foi bastante modificado e aprofundado nos últimos 20 anos, justamente pela ótica da reabilitação. Até há pouco tempo (década de 90), os conceitos eram bastante misturados (autonomia e independência). Entretanto, com a evolução do conhecimento sobre desenvolvimento infantil e do adolescente, suporte familiar e deficiência, houve uma necessidade de aprimorar o conceito em si.

Atualmente, considera-se AUTONOMIA a capacidade do indivíduo de se desenvolver e se responsabilizar por si e por seus atos e comportamentos, de tomar decisões sobre si próprio e de manter relacionamentos com outras pessoas, respeitando os sistemas sociais e culturais (família, valores, leis). Portanto, não é um “estado de espírito”, mas algo a ser desenvolvido ao longo da vida e pode ser alterado por fatores biológicos, psicológicos e sociais.

Famílias, atenção! Autonomia é algo a ser aprendido, desenvolvido.
O manual da OMS (Organização Mundial da Saúde) revela os fatores fundamentais para a realização de qualquer atividade e suas relações entre si. Há fatores facilmente modificáveis e outros nem tanto. Mas o mais importante é observar a rede em que esses fatores estão inseridos e cada modificação em qualquer fator modifica todo o sistema. Como uma teia de aranha ou uma rede de computadores.

Novamente, ao exemplificar para facilitar o entendimento, se pensarmos no simples ato de comer sozinho (ATIVIDADE) precisamos de mão e boca funcionantes, bem como os demais órgãos da deglutição (FUNÇÕES E ESTRUTURAS CORPORAIS). Precisamos ter comida (FATORES AMBIENTAIS) e querer comer (FATORES PESSOAIS). Também precisamos já ter aprendido essa tarefa (PARTICIPAÇÃO) e não podemos ter algum tipo de comprometimento de saúde que nos impeça de comer determinado alimento, como, por exemplo, alergia a ovo (CONDIÇÃO DE SAÚDE).

Vejamos como algo tão simples demanda uma série de fatores interagindo entre si. Voltemos ao exemplo das crianças que se acidentaram. A resposta é mais complexa quando contextualizamos os fatos e os relacionamos, tomando como guia o conceito da INTERDEPENDÊNCIA: TUDO O QUE FAZEMOS DEPENDE DE UMA SÉRIE DE FATORES e TODOS DEPENDEMOS DE OUTRO ALGUÉM, SEMPRE.

Portanto, do ponto de vista da independência motora, a criança tetraplégica terá mais dificuldades. Agora, digamos que a criança paraplégica não tem família presente, mora em um sobrado, com acesso apenas por escadas e não tem condições de comprar uma cadeira de rodas. Em contrapartida, a criança tetraplégica tem família bastante participativa e envolvida, que até conseguiu cadeira de rodas para o filho através de vendas de rifa, e a criança mora em uma casa de um pavimento, em rua plana e com fácil acesso a todos os cômodos da casa e à própria rua.

Quando contextualizamos, conseguimos mais dados e ampliamos nossa capacidade de raciocinar a respeito do assunto. Nesse exemplo específico, parece que a criança tetraplégica tem mais autonomia, especialmente considerando os fatores sociais e ambientais.

Para finalizar, é preciso deixar claro a importância fundamental da ESTRUTURA FAMILIAR. Principalmente em se tratando de crianças com deficiência, seja ela qual for. A propósito, deficiência cognitiva afeta muito mais a capacidade do desenvolvimento da autonomia do que a deficiência física puramente. Mas isso é assunto para outro texto…


Voltemos à família, um dos pilares da autonomia infantil. Vários autores já demonstraram, há algum tempo, que a família PRESENTE e PARTICIPATIVA promove um ambiente extremamente favorável ao desenvolvimento da autonomia infantil. Não há nenhuma dúvida sobre esse aspecto. Nos últimos anos, a Ciência conseguiu comprovar o que as Religiões sérias já falam há muito tempo: A família é o principal alicerce do desenvolvimento infantil, especialmente para crianças com algum tipo de deficiência. A família tem que estar ciente que seus filhos precisam ser orientados, estimulados e treinados. E os familiares precisam ter ciência que seus esforços serão ainda maiores para promover o desenvolvimento das crianças com deficiência – inclusão escolar, eliminação de barreiras arquitetônicas, maior acesso aos serviços de saúde etc.


E, por último, um conceito já citado e geralmente ignorado: INTERDEPENDÊNCIA. Vivemos em sociedade e, mesmo que não saibamos, dependemos, em maior ou menor grau, de outras pessoas. Vejamos o exemplo recente da greve dos caminhoneiros e o quanto ela interferiu em nossas vidas. Ou quando acaba o gás, ou falta luz… Sempre precisamos de alguém, mesmo que não tenhamos consciência disso. No caso das crianças com deficiência, essa dependência é apenas mais evidente.


PARA SABER MAIS:
ICF-CY (Organização Mundial de Saúde) – http://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/43737/9789241547321_eng.pdf;jsessionid=813EA7 018A3671C5E4533A3D355DF288?sequence=1 BMC Pediatrics (2017) 17, 12 Disability and Rehabilitation, 2008; 30(19)

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Desenvolvimento neuropsicomotor e deficiência

Quando nem tudo vai bem…

O desenvolvimento neuropsicomotor é um processo longitudinal, contínuo, flexível e cumulativo de aprendizado que envolve maturação neurológica, visão, audição, comportamento, coordenação motora grossa e fina, pensamento, memória, cognição, interação social e afetiva com pessoas e objetos, reconhecimento de sons e vozes, entre outros.

É direito fundamental de qualquer criança, sendo produto da interação dinâmica entre fatores intrínsecos (tais como a genética) e extrínsecos (ambiente) ao sujeito e deve ser continuamente observado pela rede de cuidadores e apoio de uma criança.

A literatura comprova a existência de um amplo conjunto de conhecimentos científicos que constatam que os cuidados que a criança recebe na primeira infância são da maior importância para seu desenvolvimento futuro, pois a primeira infância é a fase onde as respostas são mais rápidas, amplas e intensas.

Dessa forma, diferentes atores participam, influenciam e devem observar ativamente o cotidianamente o desenvolvimento de uma criança. Mãe, pai, irmãos e outros familiares próximos são as primeiras figuras a se pensar nessa emaranhada rede de influências e informações para a criança. Somam-se a eles cuidadores como babás, professores, auxiliares, profissionais de saúde e até mesmo a vizinhança ou quaisquer pessoas que estejam no meio social daquela criança.

Assim, é importante destacar que embora a máxima “toda criança tem seu tempo” seja de fato uma verdade, ela reflete a variação da velocidade com que determinadas habilidades possam ser adquiridas, porém há idades limites que são referências para aquisição de tais habilidades às quais chamamos de marcos do desenvolvimento que refletem as aquisições motoras, linguísticas, adaptativas ou cognitivas alcançadas pela criança. 

Duas questões são essenciais no acompanhamento do desenvolvimento neuropsicomotor de uma criança e cuja ocorrência possa implicar na suspeita de que algo não vai bem. A primeira delas é a dificuldade em realizar uma tarefa ou de desempenhar uma habilidade específica para aquelafaixa etária, por exemplo uma criança de 12 meses que ainda não senta sem apoio, ou que não emite sons silábicos como “dada”, “papa”, ou que não busca seus brinquedos ativamente.

A segunda diz respeito à perda repentina das habilidades já adquiridas pela criança tais como a criança que já anda sem apoio e repentinamente começa a se segurar para andar ou não anda mais. A observação contínua dessas questões por parte da rede de apoio é essencial para a identificação imediata de alterações na saúde da criança o que possibilita a realização de diagnóstico precoce e assertivo. Tão logo a causa tenha sido identificada medidas de reabilitação ou Intervenção Precoce (IP) precisarão ser implementadas.

A IP compreende um processo sistemático de planejamento e fornecimento de serviços terapêuticos e educacionais às famílias que necessitam de auxílio para atender às necessidades de desenvolvimento de crianças pequenas. Trata-se de um conjunto de serviços prestados às crianças entre zero e cinco anos de idade, com o objetivo de promover a saúde e o bem-estar, impulsionar a emergência de competências, minimizar os atrasos no desenvolvimento infantil, remediar as incapacidades existentes ou emergentes, impedir a deterioração funcional além de promover a adaptação parental e o funcionamento integral da família. Oferecer acesso continuo e eficiente à intervenção precoce às famílias de crianças com deficiências é a chave para melhorar a funcionalidade e a qualidade de vida dessas pessoas.

REFERÊNCIAS
Early Childhood Adversity, Toxic Stress, and the Role of the Pediatrician: Translating Developmental Science Into Lifelong Health. PEDIATRICS Volume 129, Number 1, January 2012.  

Blair M, Hall D. From health surveillance to health promotion: the changing focus in preventive children’s services. Arch Dis Child. [Internet]. 2006Sept [cited May 01, 2017];91(9):730-5.

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