Estudos com o fruto do guaraná para o controle da diabete tipo 2

Os benefícios do guaraná (Paullinia cupana) para a saúde vão além das conhecidas funções energéticas promovidas pela cafeína. Os compostos fenólicos presentes nas sementes e no fruto possuem ação bactericida, anti-inflamatória e anti-hiperglicêmica, sendo este último agindo em enzimas que controlam a diabete do tipo 2. Pesquisadores do grupo da professora Elizabeth Aparecida Ferraz Silva Torres, do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, estiveram envolvidos nas recentes descobertas que demonstraram as propriedades dos compostos fenólicos provenientes do guaraná.

A caracterização das propriedades bioativas do fruto do guaranazeiro também levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a incluí-lo na lista de ingredientes autorizados para uso em suplementos alimentares como fonte de substância bioativa.

Recentemente, a nutricionista Cintia Pereira da Silva, uma das pesquisadoras do grupo da professora Elizabeth, observou em laboratório que algumas substâncias bioativas do guaraná (as catequinas) poderiam agir no controle glicêmico do diabete do tipo 2, inibindo as atividades das enzimas α-glicosidase e α-amilase, ambas responsáveis pelo controle da glicose no sangue.

Para chegar a esses resultados, a pesquisadora diluiu as enzimas α-glucosidase e α-amilase em concentrações fisiológicas e as colocou em contato com uma solução de amido para simular a digestão de carboidratos no estômago. “Em seguida, comparamos a solução de amido com e sem guaraná para verificar a quantidade de glicose disponível na solução. Com a presença do extrato de guaraná, rico em catequinas, a atividade enzimática foi menor, ou seja, o guaraná reduziu e inibiu a atividade destas enzimas em cerca de 70%”, descreve.

No organismo humano, se a pessoa já tem a diabete instalada, quanto maior o consumo de carboidratos, maiores são as chances de um quadro de hiperglicemia (taxa alta de açúcar no sangue). “A inativação dessas enzimas pode ser uma estratégia para manter o controle glicêmico e assim evitar as complicações da diabete”, explica a nutricionista ao Jornal da USP.

Segundo a pesquisadora, no mercado farmacêutico existem drogas que inibem a atividade dessas enzimas como forma de tratar pessoas portadoras de diabete do tipo 2, porém, esses fármacos apresentam diversos efeitos colaterais como hipoglicemia em doses mais elevadas, problemas hepáticos, náuseas, vômitos e diarreia, explica Cintia. “Por isso, há necessidade de estudos para verificar se as substâncias bioativas presentes nos alimentos poderiam exercer esse papel sem causar efeitos colaterais”. Cintia lembra ainda que os ensaios com as enzimas foram feitos somente em laboratórios, precisando agora ser confirmados em humanos, por meio de ensaios clínicos.

A pesquisa com as enzimas foi um dos destaques de um artigo de revisão Guarana as a source of bioactive compounds,  publicado no Journal of Food Bioactives. O artigo reuniu ainda relatos de pesquisadores de várias instituições, incluindo os do grupo da professora Elizabeth Torres, reconhecendo as propriedades funcionais das substâncias bioativas do fruto nativo amazônico. Cintia, que é a primeira autora do artigo, diz que até bem pouco tempo, o guaraná era tido apenas como estimulante pelo seu alto teor de cafeína. “Hoje, se sabe que as sementes do guaraná contêm boas fontes de compostos fenólicos, como a catequina, a epicatequina e a proantocianidina, substâncias bioativas que foram associadas à proteção contra doenças cardiovasculares e cognitivas”, diz a pesquisadora ao Jornal da USP.

No artigo, há outros registros dos benefícios das propriedades bioativas do guaraná, entre eles os dos compostos fenólicos (catequinas e proantocianidinas) que também foram reconhecidos como potenciais agentes antimicrobianos com ação  bactericida. As catequinas e as proantocianidinas, por exemplo, foram testadas contra três fungos de origem alimentar: a Aspergillus niger, a Trichoderma  e Penicillium e três bactérias patogênicas: Escherichia coliPseudomonas fluorescens e Bacillus.

A pesquisa da ação dos compostos fenólicos sob as enzimas α-amilase e α-glicosidase foi feita em 2018, paralelamente ao doutorado que Cintia defendeu na FSP. Os desdobramentos das pesquisas no grupo da professora Elizabeth seguem este ano com a investigação dos efeitos terapêuticos dos compostos fenólicos no desempenho cognitivo e na depressão.

Mais informações: e-mail [email protected], com Cintia Pereira da Silva.

Fonte: Jornal da USP, por Ivanir Ferreira.

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Surto de sarampo em meio à pandemia pelo COVID-19

De acordo com o levantamento do Ministério da Saúde, de dezembro de 2019 a junho de 2020, 5 mil novos casos de sarampo foram confirmados em 20 estados brasileiros.

A professora Maria Heloísa Lopes do Departamento de Moléstias Infecciosas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP em entrevista com o Jornal da USP relaciona o aumento do número de casos com a pandemia pelo COVID-19, embora o número de casos tenha aumentado significativamente em meados do ano passado por conta da baixa adesão a imunização, em especial do público alvo, crianças de até 4 anos e adultos jovens de 15 a 34 anos de idade.

A docente ainda ressalta que mesmo com a suspeita ou confirmação da infecção pelo novo coronavírus, a pessoa pode receber a vacina para sarampo com segurança, onde só não é realizada no quadro agudo da doença, o que serve de critério para qualquer tipo de doença, não sendo exclusivo para o novo coronavírus.

Ainda, aponta sobre a importância da vacinação, por ser um controle de doença não apenas individual, mas para a saúde coletiva.

Fonte: Jornal da USP

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Sensor detecta biomarcadores presentes no suor

O adesivo constituído por polímero 100% natural de nanocelulose microbiana capaz de manter monitoramento por longa duração foi desenvolvido por pesquisadores da USP de São Carlos em colaboração com a UNESP e Universidades de Araraquara e Campinas em parceria com o laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano) em Campinas.

O objetivo do sensor é permitir detectar substancias presentes no suor como sódio, potássio, ácido úrico, ácido lático, glicose, entre outros. O adesivo tem formato retangular, medindo 1,5 cm de comprimento e 0,5 de largura com a espessura de um papel de seda.

Os pesquisadores ainda ressaltam que o dispositivo ainda poderia ser utilizado para detectar substancias poluentes no organismo pelo sensor estar conectado a um potenciostato medindo as partículas eletroquímicas por meio de variação da corrente elétrica. As informações coletadas por este sensor são transmitidas para um computador para serem interpretadas pelos pesquisadores.

Ainda, o estudo está sendo desenvolvido para futuramente, o adesivo poder ser utilizado para administração de medicamentos.

Fonte: Jornal da USP

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Vacina apresenta resultados promissores contra o COVID-19

Segundo a revista Lancet, a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e a empresa AstraZeneca, sendo testada em vários países como Reino Unido, Brasil e África do sul tem apresentando resultados promissores contra a COVID-19.

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), 91% dos voluntários desenvolveram anticorpos contra o novo coronavírus após a primeira dose da vacina, porém ainda não se sabe por quanto tempo eles ficam ativos no sistema imunológico. A vacina provocou reações locais e sistêmicas, como dor, sensação de febre, calafrios, cefaleia e dor muscular, sendo manejadas facilmente com analgésicos simples.

Pode observar que os linfócitos T (células de defesa do sistema imunológico) atingiram um pico de resposta IgG no 14º dia após a aplicação sendo aumentando no 28º dia, dados estes que levam os pesquisadores a acreditar que a vacina teve boa resposta na proteção contra o COVID-19.

Atualmente, a vacina encontra-se na fase 3 de testes (a última etapa antes da comercialização). Os participantes foram divididos em quatro grupos e estão sendo acompanhados e avaliados por 28 dias após a vacinação.

Fonte: R7 e Folha de SÃO PAULO

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Como a COVID-19 afeta os diabéticos no Brasil

Uma pesquisa inédita, realizada com 1.700 brasileiros, mostrou quais são os impactos da covid-19 em pessoas com diabetes. Os resultados foram publicados na revista Diabetes Research and Clinical Practice no dia 3 de julho.

Conduzido por um grupo de instituições nacionais e internacionais, incluindo a USP, o estudo revelou que os portadores da doença alteraram seus hábitos durante a quarentena, o que causou uma piora nos níveis glicêmicos. Se infectadas, essas pessoas podem desenvolver formas mais graves de covid-19.

Outro dado preocupante é que parte dos pacientes relatou dificuldades em receber os insumos necessários para controlar o metabolismo. Do total de 64% dos pacientes que obtêm os produtos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), apenas 21% deles receberam os medicamentos para 90 dias, conforme recomendação do Ministério da Saúde.

O questionário, composto por 20 questões de múltipla escolha, foi enviado por meio das redes sociais de associações e grupos de diabetes. De todos os participantes, 75% eram mulheres, 78% tinham entre 18 e 50 anos e 65% moravam na região Sudeste. A maioria (60%) era portadora de diabetes tipo 1 e 31% do tipo 2. Além disso, 39% tinham acesso ao serviço privado de saúde e 33% deles utilizavam tanto o sistema público quanto o privado.

Os dados foram coletados entre 22 de abril e 4 de maio de 2020.

Ferramenta matemática

Com todas as respostas em mãos, coube a Viviana Giampaoli, professora do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, construir um mapa de relações para estabelecer as associações entre idade, ocorrência dos sintomas da covid-19, tipos de diabetes e a evolução de algumas comorbidades, por exemplo. “Vimos que as pessoas com diabetes do tipo 2 controlam menos a glicemia e apresentaram maior frequência de outras doenças e complicadores, como problemas de saúde mental”, explica Viviana. “Vários pacientes com diabetes tipo 1 apresentaram sintomas de covid-19 e não foram testados, mesmo convivendo com familiares infectados.”

Nos cuidados de rotina, é importante manter uma alimentação saudável e a prática de exercícios, já que essas atividades ajudam a manter a glicemia em níveis seguros. A maioria dos respondentes (95%) passou a ficar mais tempo em casa e diminuiu a atividade física. “Quase 60% das pessoas reportaram redução nos exercícios”, relata Mark Thomaz Ugliara Barone, vice-presidente da Federação Internacional de Diabetes e primeiro autor do estudo. Dos 1.701 entrevistados, 38,4% adiaram suas consultas médicas e a realização de exames. Quase 49% deles aumentaram o tempo em frente à TV e 53% acessaram mais a internet.

Dos 91% que monitoram a glicemia, a maioria (59%) percebeu alterações como aumento (20%), diminuição (8,2%) ou maior variabilidade (31%) nos níveis de glicose. . “Obviamente que esses fatores vão ter um impacto importante sobre os autocuidados, por isso a população precisa ter um acesso otimizado ao serviço de saúde”, relata Barone. “No questionário, havia um campo de observação onde os pacientes escreveram relatos desesperados sobre a dificuldade de entrar em contato com os médicos pessoais”, enfatiza.

Desde o início da pandemia, os serviços de saúde de rotina foram reorganizados ou descontinuados. Outros profissionais foram redirecionados para trabalhar na linha do combate à covid-19. “Com isso, a população precisa ser informada de como proceder e que alternativas possuem caso apresentem sintomas causados pelo novo coronavírus”, afirma Barone.

Mais estudos

Uma pesquisa virtual, realizada pela Organização Pan-americana de Saúde (Opas) – organismo internacional que atua como escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas -, confirmou que a interrupção dos serviços de rotina é uma ameaça à saúde das pessoas portadoras das chamadas doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como diabetes, câncer e doenças cardiovasculares. O estudo foi feito no mês de maio com 158 países.

A situação é preocupante porque pessoas com DCNTs têm mais riscos de ficarem doentes se forem infectadas pelo novo coronavírus. Antes da pandemia, 81% de todas as mortes nas Américas ocorriam em razão dessas doenças. Estima-se que 62 milhões de pessoas vivam com diabetes na América Latina e no Caribe. Já o Brasil tem 17 milhões com a doença.

Os coordenadores do trabalho esperam que os resultados cheguem, principalmente, aos tomadores de decisão, e que eles entendam que algo precisa ser feito. “Temos que garantir que essas pessoas recebam os medicamentos para 90 dias de tratamento”, diz Viviana.

Barone se diz preocupado porque os diabéticos não estão recebendo o acompanhamento necessário. “O cenário mudou. Se antes eles se mantinham saudáveis, agora eles precisam se adaptar e receber orientações”, explica. “Não basta só ficar em casa!”

Mais informações: e-mail [email protected]usp.br, com Mark Barone; e-mail [email protected], com Viviana Giampaoli

(texto atualizado dia 17 de julho às 10h37)

Fonte: Jornal da USP

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Pesquisa reprova vermífugos e revela novos candidatos a terapia contra covid-19

Os primeiros resultados de uma triagem de drogas no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP trazem boas e más notícias da frente de batalha farmacêutica contra a covid-19. De um total de 65 medicamentos analisados, dois demonstraram capacidade de inibição seletiva do vírus SARS-CoV-2 in vitro. Por outro lado, dois vermífugos que vêm sendo amplamente apontados como possíveis curas para a covid-19 (ivermectina e nitazoxanida) não tiveram desempenho satisfatório.

O objetivo da pesquisa é testar o potencial de uso de drogas já disponíveis para a prevenção ou o tratamento de infecções pelo novo coronavírus, dentro de uma estratégia conhecida como “reposicionamento de fármacos”.

Redirecionar o uso de uma droga já existente para o tratamento de uma outra doença é bem mais simples do que desenvolver um medicamento novo do zero, mas não deixa de ser um caminho longo, complexo e repleto de incertezas. Os cientistas ainda precisam demonstrar que a droga é eficaz e segura para esse novo uso, mesmo que ela já seja aprovada para outras finalidades — porque as dosagens podem ser diferentes, o perfil clínico dos pacientes pode ser diferente, as interações medicamentosas podem ser diferentes, e assim por diante.

A técnica usada no ICB, chamada triagem fenotípica, é um primeiro passo nessa caminhada. Os pesquisadores infectam células com o vírus em laboratório e testam o efeito de diferentes drogas sobre elas, em diferentes dosagens, para ver o que acontece. Os resultados são avaliados por meio de imagens de microscopia e moléculas fluorescentes, que permitem visualizar o que acontece com o vírus e com as células na placa de cultura. Funciona como uma primeira peneira de qualificação, tanto para identificar substâncias promissoras, que merecem ser investigadas mais a fundo, quanto para excluir aquelas que se mostram incompetentes ou inadequadas para uso.

A substância mais promissora identificada no estudo foi o brequinar, uma molécula que não está no mercado, mas é bem conhecida da indústria farmacêutica e vem sendo testada para diversas aplicações já há algum tempo, inclusive como antitumoral e antiviral. A segunda mais eficaz foi o acetato de abiraterona, um antitumoral usado no tratamento do câncer de próstata.

Já a ivermectina e a nitazoxanida mostraram ter atividade antiviral in vitro, porém não seletiva. Em outras palavras: elas eliminaram o vírus das amostras, mas também mataram as células — um resultado que, segundo parâmetros modernos de descoberta de drogas, não as favorece como candidatas para ensaios clínicos em seres humanos, ou mesmo para testes pré-clínicos em modelos animais, segundo os pesquisadores.

“Nossos resultados sugerem que essas drogas são pouco específicas e não atendem aos critérios necessários para testes  in vitro com modelos animais”, diz o biólogo Lucio Freitas Junior, coordenador da Plataforma de Triagem Fenotípica, laboratório do ICB onde a pesquisa é realizada, em colaboração com a indústria farmacêutica. 

Freitas ressalta que muitas das dosagens que estão sendo divulgadas na internet para uso desses medicamentos contra a covid-19 não têm embasamento clínico e podem trazer consequências imprevisíveis para a saúde das pessoas. A bula da ivermectina, por exemplo, recomenda uma dose única para a eliminação de vermes e outros parasitas; mas há sites e vídeos na internet recomendando o uso contínuo do medicamento, em caráter profilático, como forma de evitar infecções pelo novo coronavírus, apesar de não haver nenhuma evidência clínica ou científica que justifique esse uso. Vários Estados e prefeituras estão, inclusive, distribuindo o medicamento à população como parte do chamado “kit covid”, que costuma incluir também a hidroxicloroquina — outro medicamento sem ação comprovada contra a covid-19 e que pode ter efeitos colaterais graves, se consumido de forma indiscriminada.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou uma “nota de esclarecimento” na sexta-feira, 10 de julho, pontuando que não há nenhum estudo que corrobore o uso da ivermectina contra a covid-19, e que o medicamento só deve ser usado conforme as indicações da bula. A Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, fez o mesmo alerta já no início de maio, após a publicação de um pequeno estudo australiano, indicando que a ivermectina bloqueava a replicação do SARS-CoV-2 in vitro — que foi o estopim de todo o frenesi com relação ao remédio. Em junho, a Organização Pan-Americana de Saúde também emitiu nota alertando contra o uso da ivermectina e levantando dúvidas sobre os estudos publicados sobre ela no contexto da covid-19.

Segundo o mais recente boletim da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), até o início de julho havia quatro ensaios clínicos aprovados com ivermectina no Brasil e três com a nitazoxanida. Esses estudos, realizados de forma controlada, poderão elucidar se essas drogas realmente funcionam e são seguras para uso contra a covid-19.

No caso da nitazoxanida (mais conhecida no Brasil pelo seu nome comercial, Annita), a esperança com relação ao remédio tem como base um ensaio conduzido pelo Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), em colaboração com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), segundo o qual o vermífugo reduziu em 94% a carga viral do SARS-CoV-2 em células in vitro. Com base nisso, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) — ao qual o LNBio é vinculado — lançou em abril um estudo clínico para testar o uso da nitazoxanida na prevenção e tratamento da covid-19. A meta é recrutar 500 pacientes com sintomas leves e outros 500, com sintomas graves. 

Publicação

Os resultados do ICB foram publicados na última sexta-feira, 10 de julho, no site da bioRxiv, uma plataforma aberta para a divulgação de trabalhos científicos que ainda não passaram pelo processo de revisão por pares (chamados preprints) — mas os autores ainda pretendem submetê-los a uma revista científica. A opção inicial pelo preprint, segundo Freitas, deve-se à urgência da pandemia e à intenção de “colocar esse conhecimento à disposição da comunidade científica o mais rápido possível”.

O estudo tem 10 autores, incluindo colaboradores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e de outras duas unidades da USP: Instituto de Biociências (IB) e  Instituto de Física de São Carlos (IFSC).

“O fato de uma substância funcionar contra o vírus num experimento in vitro (numa cultura de células) não significa que ela vá funcionar da mesma forma in vivo (no corpo humano), nem que ela seja segura para uso fora das dosagens e prescrições clínicas já aprovadas. Desde já, portanto, os pesquisadores alertam que não é recomendado nem há motivo para que as pessoas utilizem qualquer um dos medicamentos mencionados no estudo com o intuito de se proteger da covid-19. Além de não oferecer proteção, os remédios podem causar danos à saúde, quando usados sem necessidade e sem supervisão médica.”

Uma das drogas incluídas na testagem foi a cloroquina, inicialmente apontada por alguns estudos (e alguns políticos) como uma cura pronta para a covid-19. De fato, nos ensaios in vitro, ela se mostra altamente eficaz e seletiva contra o SARS-CoV-2, mas estudos clínicos demonstram que ela não é efetiva contra a doença no organismo humano, além de carregar o risco de efeitos colaterais graves para alguns pacientes.

Metodologia

Os experimentos feitos no ICB levam em conta não só o efeito da droga sobre o vírus, mas também sobre as células que ele infecta e necessita para se replicar. O fármaco ideal é aquele que se mostra agressivo contra o vírus, porém gentil com as células do organismo infectado (combinando efetividade e seletividade, na linguagem dos cientistas). Algo que parece óbvio, mas não é. Muitos estudos desse tipo medem apenas a capacidade da substância de reduzir a quantidade de vírus na amostra, sem levar em conta que essa diminuição pode ocorrer por dois motivos: porque a droga está atacando o vírus, ou porque ela está matando as células — o que não é desejável.

“Se o vírus depende da célula, e você afeta a célula, é claro que vai afetar o vírus. Mas não adianta matar o vírus se você mata o hospedeiro junto”, explica Freitas. “Seletividade é essencial.”

As células usadas no estudo são de uma linhagem padronizada de células de rim de macaco, conhecidas como Vero E6, que são o padrão-ouro para esse tipo de pesquisa no mundo todo; e as partículas virais são de uma linhagem de SARS-CoV-2 isolada dos primeiros pacientes brasileiros com covid-19 pelo pesquisador Edison Durigon, professor de virologia do ICB e coautor do trabalho. Sete das 65 substâncias testadas foram compradas da empresa farmacêutica Sigma-Aldrich, e as outras 59 foram doadas pelo laboratório Eurofarma. Centenas de outras moléculas ainda deverão ser testadas por essa mesma metodologia — validada padronizada por essa primeira triagem — no próximos meses.

Segundo Freitas, o fato de as células usadas no estudo não serem humanas não representa um problema. O objetivo da triagem é verificar como cada droga funciona nesse ambiente simples, padronizado e altamente controlado do meio de cultura. A regra básica é: se funciona na simplicidade do in vitro, pode ser que funcione na complexidade do in vivo; mas se não funciona numa cultura de células, dificilmente vai funcionar num organismo vivo. “É uma metodologia excludente, que mostra principalmente aquilo que não é promissor”, afirma Freitas.

Os pesquisadores ainda fizeram uma análise computacional de redes gênicas e interações moleculares para tentar prever como as substâncias identificadas como promissoras podem estar atuando contra a covid-19. Essa análise é feita com a ajuda de um software, chamado Ingenuity Pathway Analysis (IPA), que busca informações de toda a literatura científica para tentar estabelecer relações entre as moléculas da droga e moléculas do vírus, ou do organismo hospedeiro. E, assim, apontar caminhos para os próximos passos da pesquisa. “Com base nesses testes in vitro tentamos predizer como a droga pode vir a funcionar num ensaio clínico ou pré-clínico”, explica a pesquisadora Ludmila Ferreira, da UFMG, responsável por essa parte do estudo.

“Quando você trabalha com reposicionamento de fármacos você tem que manter a cabeça aberta, porque podem aparecer coisas totalmente inesperadas”, afirma Freitas. 

Fonte: Jornal da USP, Por Herton Escobar.

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Cientistas reforçam alerta para risco de contaminação da covid-19 por micropartículas

Desde iniciada a pandemia do novo coronavírus, diversos estudos apontaram para o risco de infecção por partículas menores pelo ar (aerossóis). Para endossarem o alerta, 239 cientistas de 32 países – incluindo Brasil, assinam carta aberta publicada na revista científica Clinical Infectious Diseases, na segunda-feira, dia 6. O objetivo era fazer a Organização Mundial da Saúde (OMS) considerar os riscos de infecção pelas micropartículas, revendo suas recomendações para prevenção do contágio pelo vírus. Após vários estudos publicados, nesta semana, um dia após cobranças dos cientistas, a organização reconheceu que é necessário rever algumas de suas medidas.

Para falar sobre o assunto, o Jornal da USP no Ar conversou com Max Igor Banks, médico coordenador do Ambulatório de Infectologia do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Ele começa explicando a diferenciação básica de doenças de transmissão respiratória. “Costumamos dividir a partir de transmissão por gotículas e outras por aerossóis. Qual a diferença? A primeira é o tamanho da gotícula, que são maiores e não conseguem ficar em suspensão no ar. A outra é a transmissão por aerossóis, com a suspensão do vírus no ar”, explica Banks.

Basicamente, a covid-19 já possui algumas formas de prevenção determinadas, como o distanciamento social e o uso de máscaras. Banks salienta que essas medidas estão sendo efetivas e acredita que a discussão agora seja sobre como ser mais eficiente na diminuição dos riscos de contaminação. Apesar de haver questionamentos quanto ao uso obrigatório de máscaras, ele reforça que a lógica do uso de máscaras é para proteger a si mesmo e ao próximo. “Não sabemos quem está infectado [assintomático ou com sintomas leves] na população enorme que temos.”

Escute a entrevista completa com o doutor Max Igor Banks no link a seguir: https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2020/07/TRANSMISSAO-AEROSSOIS-COVID_MAX-IGOR-BANKES_ROXANE.mp3

Paulo Saldiva, médico patologista e professor da Faculdade de Medicina (FMUSP) da USP, que assinou a carta aberta à OMS, explica que, em ambientes poluídos, tais como São Paulo, as partículas se acumulam e ficam suspensas por horas na atmosfera, principalmente as mais finas. “Partículas abaixo de 2,5 ou 2 micrômetros são muito leves e ficam flutuando por horas se o vento não as levar para longe. Em 2 micrômetros cabem dezenas de vírus, porque o vírus tem menos de 100 nanômetros”, pontua Saldiva.

O professor cita dois estudos importantes sobre o assunto: um que está sendo conduzido pela Universidade de Harvard e outro na USP, pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG). O de Harvard mostra que as cidades com mais poluição têm mais contagiosidade pelo coronavírus; já a pesquisa feita pelo IAG, que conta com dados sobre as cidades norte-americanas, demonstra que as variações de poluição dentro da cidade estão associadas com variações de infecção pelo coronavírus.

Dessa forma, além de servir como uma mensagem de aviso para a OMS, a cobrança também funciona como manifesto e alerta para que todas as pessoas tenham conhecimento sobre os riscos de infecção por aerossóis e para não baixarem a guarda da proteção individual. O reconhecimento da OMS em rever esse assunto demonstra a importância dessa carta aberta, ainda mais em tempos em que governos começam a afrouxar questões envolvendo o distanciamento social, comércios são reabertos e funcionários se expõem a espaços confinados.

Ouça a entrevista com o professor Paulo Saldiva na íntegra no link a seguir: https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2020/07/TRANSMISSAO-AEROSSOIS-CIENTISTAS_PAULO-SALDIVA_ROXANE.mp3

Fonte: Jornal da USP

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Pesquisa brasileira apresenta resultados promissores para tratamento e cura do HIV

A Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) realizou um estudo em escala global para testagem de um supertratamento para indivíduos infectados pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) com objetivo de encontrar a cura para síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids).

A pesquisa foi realizada com 30 voluntários com carga viral indetectável em uso de tratamento padrão (com uso de antirretrovirais – coquetel); os voluntários foram divididos em seis grupos recebendo diferentes combinações de remédios além dos de uso para tratamento padrão.

Os pesquisadores apontam que a pesquisa trabalha para duas direções de cura para a Aids, uma que elimina as células do HIV em sua fase de replicação e eliminam as células do HIV em sua fase de latência, e a outra, no desenvolvimento de uma vacina, que leva o sistema imunológico a eliminar as células infectadas onde o fármaco não é capaz de alcançar.

Os melhores resultados apresentados na pesquisa foram os do grupo que receberam além do tratamento padrão, mais dois antiretrovirais, dolutegravir e maraviroc. Outras substancias que obtiveram destaque na pesquisa foram nicotinamida através da vitamina B3, e auranofina (sal de ouro). A vacina desenvolvida pelos pesquisadores foi feita através de células dendríticas, fabricadas a partir de monócitos e peptídeos do vírus do próprio paciente.

Um paciente brasileiro de 34 anos infectado com HIV desde 2012, há mais de dois anos após ser submetido a presente pesquisa, não demonstra mais sinais do vírus. O tratamento passou receber novas medicações como a nicotinamida (forma da vitamina B3); o tratamento após ser interrompido por 13 meses, depois de mais 11 meses o DNA de HIV das células do paciente continuava negativos. Os pesquisadores apontam que outros quatro pacientes que receberam o mesmo tratamento não tiveram os mesmos efeitos positivos. No entanto, estes dados colaboram para que os estudos deem andamento para encontrar a cura da Aids.

Fonte: Correio Braziliense e UNIFESP

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Pessoas com doenças reumáticas precisam manter atividades físicas durante a pandemia

Artigo traz recomendações de atividades a serem aplicadas por profissionais de saúde em seus pacientes. Grupo ainda elaborou cartilha com dicas para se manter ativo.

Pensando na inatividade física das pessoas, principalmente populações que possuem doenças reumáticas, e suas consequências negativas à saúde, o fisiologista e pesquisador Bruno Gualano, do Laboratório de Fisiologia Aplicada e Nutrição da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), juntamente com outros pesquisadores, publicou um artigo com recomendações de atividades físicas para serem aplicadas por profissionais de saúde que atuam na área da reumatologia durante a pandemia do novo coronavírus. O grupo também publicou uma cartilha, para o público em geral, como material suplementar com dicas de como se manter ativo no isolamento.

Durante o período de quarentena é esperado que ocorra uma diminuição na prática de atividades físicas. Entretanto, esta inatividade pode causar diversos problemas à saúde, principalmente para pessoas que possuem doenças reumáticas. “Apontamos para esse risco que aumenta nessa condição e trouxemos recomendações bastante aplicadas para os profissionais que atuam na reumatologia, como médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, e profissionais de saúde no geral, para que possam prescrever atividades físicas para os pacientes”, explica Gualano ao Jornal da USP

As doenças reumáticas representam um conjunto de diferentes doenças que acometem o sistema locomotor, como os ossos, articulações, músculos, cartilagens, ligamentos e tendões. Apesar de sempre serem associadas a idosos, elas podem acometer qualquer pessoa, desde crianças e jovens, até adultos.

De acordo com o fisiologista e professor de educação física, a preocupação com pessoas que estão ficando inativas fisicamente deve ser levada em consideração para manutenção de políticas públicas neste contexto da pandemia. “Existem muitos malefícios que podem surgir em um curto período de tempo, como perda de massa muscular, aumento de gordura visceral, piora da glicemia, etc”, conta o pesquisador. Por isso, é muito importante a recomendação de atividades físicas. 

Cartilha explica como se manter ativo

Juntamente do artigo, o grupo publicou uma cartilha como material suplementar com dicas de como se manter ativo no isolamento. A cartilha traz informações sobre quanto tempo de atividade física é necessário durante o dia, segundo recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), para crianças, adultos e idosos. O material também traz dicas para ser mais ativo em casa, além de alguns pontos que merecem atenção, como consultar um médico para saber se é seguro realizar atividades físicas (principalmente para pessoas que possuem algum tipo de doença crônica ou problema de saúde). 

O artigo foi montado com base em estudos teóricos da área de reumatologia. Mas Gualano comenta que o laboratório possui outros projetos para investigar, na prática, as intervenções através das atividades físicas. Um exemplo, é uma série de estudos que visa promover a atividade física para crianças em casa. O projeto buscará medir o quanto o nível de atividade física caiu e, com base nesta informação, intervir com um programa de exercícios à distância.

Durante este período de quarentena é importante que as pessoas mantenham o nível de atividades físicas, dadas as restrições de isolamento. É necessário acrescentar estas atividades à nova rotina que está sendo criada. “Isso vale para toda a população. Em pouco tempo, a falta de atividade traz problemas. É essencial cuidar da saúde mental e física, e os exercícios são uma ferramenta importante para prevenir distúrbios mentais e físicos que podem decorrer em um período mais longo de quarentena”, finaliza o pesquisador. 

O artigo Combating physical inactivity during the COVID-19 pandemic foi publicado na revista científica Nature Reviews Rheumatology no final do mês de abril. 

Mais informações: e-mail [email protected], com Bruno Gualano.

Fonte: Jornal da USP, por Marcelo Canquerino.

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Empresa desenvolve tecido que elimina COVID-19

A empresa paulista Nanox em parceira com a FAPESP desenvolveram um tecido com micropartículas de prata em sua superfície capaz de inativar o novo coronavírus (COVID-19). Os testes realizados no laboratório evidenciaram capacidade de eliminar até 99,9% dos vírus em dois minutos após o contato com o tecido.

O tecido é composto por poliéster e algodão, adicionados com dois tipos de micropartículas de prata impregnadas em sua superfície por imersão, seguido por secagem e fixação (processo denominado pad-dry-cure).

Para comprovar a eficácia do tecido, as amostrar foram mantidas em contato direto com o vírus em intervalos de tempos diferentes (dois e cinco minutos), realizados em dois dias e dois grupos diferentes de pesquisadores, analisados por quantificação do material genético por PCR que demonstraram a inativação de 99,9% das cópias do novo coronavírus presente nas células após dois e cinco minutos de contato.

De acordo com os pesquisadores, estas micropartículas podem ser aplicadas em qualquer tecido composto por fibras naturais e sintéticas. A empresa atualmente está testando as micropartículas em materiais plásticos e polímero flexível (semelhante a borracha) para desenvolver equipamentos de proteção individual contra o novo coronavírus.

Fonte: Jornal da USP

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