Feridas Crônicas têm cura?

As feridas crônicas são feridas que demoram muito a cicatrizar e podem, inclusive, não fechar, caso o curativo ideal não seja realizado e se a causa da ferida não for tratada. O maior exemplo são as lesões ou úlceras por pressão, conhecidas popularmente como “escaras”.

As feridas crônicas são feridas de difícil cicatrização, quase sempre acontecem em função da realização do curativo inadequado (escolha errada do curativo) bem como o não tratamento da etiologia (causa da ferida).

As feridas crônicas representam um grande problema de saúde pública, em função dos gastos elevados para o tratamento, bem como um problema social, pois exclui as pessoas que convivem com a ferida, já que normalmente essas feridas produzem odor fétido, forte e problemas com a auto imagem do paciente.

Dentre as feridas crônicas mais comuns destacam-se as úlceras ou lesões por pressão (escara), as úlceras diabéticas (pé diabético) e as úlceras vasculares (úlceras de perna). As “escaras” configuram-se como complicação grave, muito frequente em pacientes internados por longos períodos (como em UTI), idosos acamados e pacientes com deficiência física, como paraplégicos ou tetraplégicos, dentre outros.

Os estudos mostram que a lesão por pressão eleva os custos dos serviços de saúde pelo fato de serem crônicas, ou seja, demoram anos para cicatrizar. Além disso demandam tempo e recursos materiais e humanos para o cuidado, há também sobrecarga emocional imposta às pessoas que convivem com a lesão, bem como seus familiares.

As úlceras diabéticas, conhecidas como pé diabético, acometem cerca de 15% dos portadores de Diabetes Mellitus em função da neuropatia periférica, resultado da diabetes, bem como a doença vascular periférica, responsável por levar à diminuição da sensibilidade nos membros inferiores, ocasionando úlceras nos pés. É necessário destacar também que o pé diabético leva o paciente à múltiplas amputações, com várias recidivas, podendo levar a morte. Dados revelam que 80% das amputações são preveníveis e que o tempo estimado de vida após a amputação é de no máximo dois anos.

As úlceras vasculogênicas – ou vasculares – podem ter como causa problemas arteriais, venosos e até mesmo mistos (arterial e venoso). As úlceras venosas são o tipo mais frequente das úlceras de membros inferiores e afetam mais mulheres do que homens (3:1). Tem como causa a Insuficiência Venosa Crônica (IVC), as veias têm dificuldade para que o sangue retorne e esse acumula-se nas veias dos membros inferiores causando um aumento na pressão intravenosa, estase venosa e edema (inchaço). Já as úlceras arteriais são produzidas quando o fluxo sanguíneo para os membros inferiores está diminuído, isso pode levar à isquemia e necrose dos tecidos (morte dos tecidos). Ambas são de difícil cicatrização, necessitando de cuidados especializados e acompanhamento por uma equipe multiprofissional.

O tratamento das feridas crônicas consiste inicialmente em acabar ou minimizar a doença de base e ainda corrigir os vários fatores que interferem negativamente na cicatrização correta, como por exemplo: melhorar o estado geral do paciente, melhorar os hábitos de vida (mais saudáveis) e o tratamento com a escolha do curativo ideal, realizado por um profissional especializado e habilitado. Tudo isso traz benefícios para uma cicatrização mais rápida e eficaz. Quanto às feridas crônicas, o tratamento localizado visa obter tecido viável como boa vascularização e oxigenação (conhecido como tecido de granulação) e ainda sem sinais de infecção, a fim de garantir uma cicatrização mais rápida.

Úlcera Venosa

Úlcera por Pressão (“Escara”no calcanhar)

Fonte: Imagens de livre acesso

SAIBA MAIS PRADINES, S.M.S. et al. Protocolo para tratamento de feridas. 5a ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004, p. 1319 – 1338.

RITTES, P. Úlceras de estase dos membros inferiores: uma nova abordagem terapêutica. Disponível em www.prittes.com.br.

Autor: Marcelo Monteiro Mendes. Doutor em Biologia de Agentes Infecciosos e Parasitários. Enfermeiro Dermatológico pela SOBENFEeE. Presidente da SOBENFEeE – Regional Pará. Sócio Proprietário e Diretor Científico do Instituto Dr. Marcelo Mendes – Tratamento de Feridas. http://lattes.cnpq.br/2067150460562125

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6 thoughts on “Feridas Crônicas têm cura?

    • Leticia Corbo says:

      Olá Mara, aproveite nosso material educativo! Clique no site no corpo do texto e desfrute do conteúdo completo do trabalho das docentes das EERP-USP e do Prof Dr. Rodrigo Bernardes do Centro Universitário Estácio
      A Equipe D+Informação

  1. Herminio says:

    Ótimo trabalho muito obg🌈

    Desculpe a pergunta:

    Minha mãe tem diabetes idosa de 87 anos sofreu uma queda e fraturou levemente quase q imperceptível o acetábulo e dores horríveis a levou a ser hospitalizada por 7 dias e ocorreu escaras nos dois pés estamos tratando com óleo dersani e está indo bem tem mais algumas dicas no tratamento e tempo estimado das escaras deixarem de existir???

    Faz 1 mês q estamos tratando a escara foi avaliado por médico cirurgião plástico q elogiou nossa conduta de cuidadores familiares

    • Letícia says:

      Olá Herminio,
      Obrigada pelo retorno em nossa matéria!
      Quanto à sua pergunta, toda avaliação precisa ser cautelosa e avaliada por um profissional capacitado que esteja acompanhando o caso de sua mãe.
      Cada lesão tem suas características específicas e responderá de acordo com o organismo de cada pessoa, por isso não temos como responder à sua pergunta.
      Ficamos felizes em saber sobre seu relato, que ela está bem! Estimamos melhoras e esperamos que esteja aproveitando os conteúdos do D+!
      Equipe D+Informação 🙂

  2. Maridelma Monteiro Barbosa says:

    Tenho uma pessoa amiga portador de esquizofrenia. Tem duas lesões crônicas agudas, em maléolo direito e bilateral esquerda. Queria orientação pois já faz, 9 pra 10 anos não tem cura. Já tem usado todos os curativos especiais. Aguardando. Abraço 🤝

    • Letícia says:

      Olá Maridelma, obrigada pelo contato!
      No caso de lesões de pele, cada lesão tem suas características específicas e devem ser acompanhadas por um profissional de saúde capacitado para determinar o tipo de cobertura (curativos) e a frequência de troca, assim como avaliar a resposta que esses curativos estão apresentando na pele, se são efeitos satisfatórios ou não. Oriento ao acompanhamento com um profissional de saúde para poder fazer esse tratamento com sua amiga.
      Esperamos que esteja aproveitando nossos conteúdos!
      Equipe D+Informação! 🙂

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