Como incentivar a autonomia e a participação de crianças com deficiência

Ainda que saibamos que participação deve ser algo natural, relacionado ao apoio e a autonomia que todas as pessoas têm, considerando-a assim como uma condição humana, para crianças com deficiência a participação precisa ser entendida como a garantia do direito de existir, de ser reconhecida e de ter suas fragilidades, físicas e/ou mentais, minimizadas por meio do acesso a saúde, educação e também a proteção social.
A família é tida como fator fundamental para a inserção e manutenção da integração da criança com deficiência na sociedade, pois é a primeira e a principal rede de apoio responsável pela socialização da mesma e pela promoção de outras redes de apoio na sociedade.
É através do encorajamento dos pais ao desenvolvimento da participação da criança com deficiência que ocorre a interação com o ambiente físico e social. Dessa forma, quando a criança é incentivada a participar das atividades que todas as outras realizam, elas têm a “sensação” de pertencimento aquele grupo.
Para que o desenvolvimento da participação de crianças com deficiência seja efetivo, os pais precisam estar atentos ao excesso de zelo e superproteção que têm com as mesmas, pois tais atitudes levam a uma dependência por parte da criança e, consequentemente, prejudica seu desenvolvimento.
Então, ainda que você, mãe ou pai que tem um filho com deficiência, se sinta inseguro é importante o incentivo de seus filhos a autonomia e a participação para o desenvolvimento de atividades comuns a todas as crianças. Não isole seu filho, ele precisa de contato com outras pessoas para se sentir pertencente à sociedade e, principalmente, para que se reconheçam como uma pessoa que tem direitos.
Algumas ações simples, sob a supervisão dos adultos, possibilitam o desenvolvimento da participação, como por exemplo: incentive seu filho a realizar pequenas compras sozinho, comprar o pão na padaria, fazer o próprio pedido no restaurante, participar das tarefas domésticas dentro das possibilidades dele. Evite realizar as atividades por ele, deixe-o experimentar realiza-las sozinho, auxilie o mínimo possível. Tenha paciência e uma atitude positiva, veja-o como capaz, provavelmente ele irá demorar mais tempo para tentar despir-se, vestir-se, escovar os próprios dentes, comer sozinho ou levar os alimentos à boca. Lembre-se de que todos nós temos nosso próprio tempo para realizar as atividades na nossa vida e essa diferença deve ser respeitada.
Incentive a participação também nas atividades de lazer, em alguns municípios brasileiros há praças e parques públicos que têm brinquedos inclusivos, que permitem que todas as crianças brinquem juntas. Procure no site de seu município se há algum parque com acessibilidade e brinquedos inclusivos e leve seu filho para um dia de lazer diferente.

Referências:

SANTOS, T. V.; MOREIRA, M. C. N.; GOMES, R. Quando a participação de crianças e jovens com deficiência não se resume à atividade: um estudo bibliográfico. Ciência & Saúde Coletiva, v. 21, n. 10, p. 3111-3120, 2016. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/csc/v21n10/1413-8123-csc-21-10-3111.pdf>.

OLIVER, F. C.; TISSI, M. C.; AOKI, M.; VARGEM, E. F.; FERREIRA, T. G. Participação e exercício de direitos de pessoas com deficiência: análise de um grupo de convivência em uma experiência comunitária. Comunic., Saúde, Educ., v.8, n.15, p.275-88, mar/ago 2004.Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/icse/v8n15/a07v8n15.pdf>.

Autores:

Lilka Marques Santos, enfermeira, mestranda da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo – USP – Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/9823039564795875


Profª Draª Fabiana Faleiros Santana Castro. Enfermeira. Professora Doutora do Departamento de Enfermagem Geral e Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.


Profª Draª Marislei Sanches Panobianco. Enfermeira. Professora Associada do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e de Saúde Pública da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.


Profª Draª Soraia Assad Nasbine Rabeh. Enfermeira. Professora Doutora do Departamento de Enfermagem Geral e Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

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