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Evolução da tecnologia: o uso do metaverso com as pessoas com deficiência.

Autor: João Victor Ferrari dos Santos

Durante a pandemia de COVID-19, tivemos que ficar em isolamento social, ou seja, permanecer dentro de nossas casas, para tentar evitar a propagação do vírus (BARDI, el al., 2020). Com isso tivemos inúmeras repercussões, uma delas foi a reabilitação das pessoas com deficiência. Com o isolamento, muitas pessoas ficaram sem poder comparecer presencialmente em suas terapias, causando uma fragilidade na continuidade do cuidado desses indivíduos, visto que a maioria das pessoas com deficiência necessitam de inúmeras horas de terapias para avançarem em seu tratamento, conseguir desenvolver sua autonomia e conforto de vida (BARDI, el al., 2020). Pensando nisso, pesquisadores da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, coordenados pelo Professor da disciplina de Educação Física e Saúde, Carlos Monteiro, tiveram a ideia de utilizar a tecnologia do Metaverso para utilizar na chamada telereabilitação (CAMATTA, 2023).

            Antes de tudo é necessário entender o que seria este metaverso. Segundo Mystakidis (2022), o multiverso é um mundo virtual, que usa de diversas tecnologias para que o usuário possa ter uma imersão completa, ou seja, proporcionar uma interação multissensorial com o ambiente virtual, objetos e também outras pessoas (MYSTAKIDIS, 2022; CAMATTA, 2023). Podem ser utilizados avatares, que são bonecos customizados a partir das preferências das pessoas que estão utilizando, para que a pessoa possa ter uma maior sensação de estar realmente interagindo com aquele ambiente. No metaverso também é possível recriar cômodos da casa, móveis e utensílios, assim favorecendo o usuário a familiarizar-se com o local (MYSTAKIDIS, 2022; CAMATTA, 2023).

Com isso, os pesquisadores da EACH criaram este modelo virtual de reabilitação no intuito de continuar os tratamentos, mesmo à distância. Neste primeiro modelo foi utilizado para crianças com paralisia cerebral, porém já fizeram uso para crianças com transtorno do espectro autista (TEA), os quais obtiveram resultados otimistas. No mundo virtual a terapia de reabilitação era feita por meio de jogos, onde a criança tinha que utilizar os movimentos dos braços para pegar bolinhas que estavam caindo no visor do monitor, era utilizado a câmera do celular ou próprio computador para capturar a imagem da criança e identificar se a mesma estava conseguindo pegar as bolinhas. Isso pois as pessoas com paralisia cerebral tendem a ter um distúrbio na função motora dos membros, sendo assim, este pequeno jogo tinha como objetivo aprimorar cada vez mais estas funções (CAMATTA, 2023).

Leia também em nosso portal: Mouse óptico possibilita o acesso aos aparelhos de comunicação apenas com o movimento dos olhos e cabeça -> https://demaisinformacao.com.br/mouse-optico-possibilita-o-acesso-aos-aparelhos-de-comunicacao-apenas-com-o-movimento-dos-olhos-e-cabeca/

            Um dos apontamentos do Professor Carlos Monteiro é que por mais que as atividades no mundo virtual possam parecer mais difíceis do que o mundo real, ainda sim é um benefício, já que quando as crianças encararem as mesmas atividades no mundo real, elas iriam realizar tais atividades com mais facilidade. Ainda, este artifício deve ser usado como meio de complementar as terapias e não um meio para substituir a terapia real, visto que já saímos da fase mais emergencial da pandemia (CAMATTA, 2023).

            Como citado acima, este modelo foi primeiramente utilizado para crianças com paralisia cerebral, porém o estudo mostrou resultados promissores para crianças com TEA, onde elas utilizam as teclas do teclado de seus computadores, para mover um personagem em uma ilha. Isso além de instigar a criança a aprender a utilizar o programa também a aproxima do entendimento dos movimentos, por meio da observação (CAMATTA, 2023).

Fonte: site Jornal da USP

Referências

MYSTAKIDIS, Stylianos. Metaverse. Encyclopedia, Grécia, v. 2, ed. 1, p. 486–497, 2022. Disponível em: https://www.mdpi.com/2673-8392/2/1/31 . Acesso em: 19 jun. 2023.

BARDI, Giovanna, et al. Pandemia, desigualdade social e necropolítica no Brasil: reflexões a partir da terapia ocupacional social. Rev. Interinstitutional Brazilian Journal of Occupational Therapy. Rio de Janeiro. 2020. suplemento, v.4(2): 496-508.  Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/ribto/article/view/34402/pdf_2. Acesso em: 19 jun. 2023.

CAMATTA, Bianca. Grupo propõe uso do metaverso na reabilitação de pessoas com deficiência. Jornal da USP. São Paulo. 2023. Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/grupo-propoe-uso-do-metaverso-na-reabilitacao-de-pessoas-com-deficiencia/. Acesso em: 19 jun. 2023.

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