Aplicações de laser e vácuo revertem paralisia facial sem uso de medicamentos

A eficácia do uso de aplicações de laser e vácuo para tratar paralisia facial foi atestada em pesquisa do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP. O tratamento permitiu que os pacientes recuperassem o movimento do rosto e a simetria facial. A técnica pode substituir o uso de medicamentos corticoides, que apresentam contraindicações.

Os resultados da pesquisa são descritos em texto publicado na revista científica Laser Physics Letters, em dezembro do ano passado. “O objetivo principal foi recuperar os movimentos dos músculos da face que foram comprometidos pela paralisia facial”, conta ao Jornal da USP o dentista Vitor Panhóca, pesquisador do Laboratório de Biofotônica do IFSC e primeiro autor do trabalho. “Os experimentos foram realizados em pacientes atendidos pelo consultório odontológico do laboratório.”

Vitor Hugo Panhóca – Foto: IFSC-USP

A técnica inovadora testada na pesquisa foi a endermoterapia, também conhecida como vacuoterapia. “Ela foi usada em conjunto com o laser de baixa potência”, relata o pesquisador. “O método consiste em aplicar o laser e pressão negativa nos tecidos através de ventosas sobre a pele e músculos que apresentam paralisia na face.”

Resultados

No estudo foram feitos testes com dois equipamentos, usados em pacientes diferentes. “Um deles apresentava paralisia facial de Bell (PB), uma paralisia periférica aguda do nervo facial com início abrupto e de origem desconhecida, e o outro tinha como queixa principal a paralisia facial do lado direito, causada devido a trauma após queda, com diagnóstico médico de lesão do nervo facial”, descreve Panhóca. “No primeiro caso, apenas o aparelho de laser de baixa potência foi aplicado. No segundo, outro aparelho, contendo laser e vacuoterapia, chamado comercialmente de Vacumlaser, foi aplicado de maneira simultânea.”

“Os experimentos conseguiram recuperação completa dos tecidos dos pacientes que apresentavam paralisia facial”, ressalta o pesquisador ao Jornal da USP. “Houve restauração da mímica facial após este tratamento, e também melhora da tonicidade muscular e da resposta sensorial da área lesada.”

De acordo com Panhóca, as técnicas podem ser empregadas em pacientes que apresentam paralisia facial e não podem tomar corticoides, que é a droga mais utilizada para tratar o problema.

“Sendo assim, pacientes com paralisia facial impedidos de tomar corticoide porque possuem outras comorbidades como diabete, descompensação cardíaca, hipertensão, acidente vascular cerebral e úlcera péptica podem se beneficiar dos tratamentos com laser e vacuoterapia”, destaca.

“Como toda técnica que utiliza aparelhos inovadores, existe a necessidade de se fazer difusão dela para que mais profissionais tomem contato de seus benefícios”, conclui o pesquisador. 

O texto Treatment of facial nerve palsies with laser and endermotherapy: a report of two cases, escrito por Vitor Hugo Panhóca , Marcelo Saito Nogueira e Vanderlei Salvador Bagnato, foi publicado na forma de Carta ao Editor na revista científica Laser Physics Letters em 7 de dezembro.

Fonte: Jornal da USP

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