Escrito por: Davi Milani
Retirado de: Jornal da USP
Com o envelhecimento, é comum que muitas pessoas apresentem uma redução gradual da audição. Essa condição é chamada de presbiacusia e afeta principalmente a capacidade de ouvir sons mais agudos. Além de prejudicar a audição, ela também pode impactar a convivência social, a saúde mental e a qualidade de vida.
Segundo Egídio Dórea, médico e coordenador do programa USP 60+, da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, a perda auditiva acontece de forma lenta e costuma afetar os dois ouvidos igualmente, principalmente após os 60 anos. Ele explica que a dificuldade maior está em entender alguns sons da fala, especialmente consoantes como “s”, “t” e “f”, o que torna as conversas mais difíceis de acompanhar.
As consequências vão além da dificuldade para ouvir. Estudos mostram que a perda auditiva está associada a um maior risco de declínio cognitivo e demência. Isso acontece porque o cérebro precisa fazer mais esforço para interpretar os sons, utilizando funções como memória e atenção para compensar a dificuldade de escutar.
A dificuldade para se comunicar também pode levar ao isolamento social. Muitas pessoas passam a evitar conversas, encontros e atividades em grupo por vergonha ou frustração. Esse afastamento aumenta o risco de depressão, ansiedade e sentimentos de solidão. Segundo Dórea, quando a perda auditiva não é tratada, ela pode afetar não apenas a audição, mas também a saúde emocional e as relações sociais.
Embora a presbiacusia esteja relacionada ao envelhecimento, outros fatores podem acelerar seu aparecimento. A exposição frequente a ruídos intensos, como ambientes de trabalho barulhentos, música em volume alto e trânsito, contribui para o desgaste da audição ao longo da vida.
Além disso, fatores genéticos, doenças como diabetes e hipertensão, tabagismo, uso de alguns medicamentos que podem prejudicar a audição e uma alimentação pobre em antioxidantes também aumentam o risco de perda auditiva. Por isso, os especialistas destacam que a condição resulta da combinação entre envelhecimento, hábitos de vida e fatores ambientais.
A prevenção é importante e pode ajudar a preservar a audição por mais tempo. Entre as principais recomendações estão evitar a exposição prolongada a sons muito altos, usar protetores auriculares quando necessário, controlar doenças crônicas, manter uma alimentação rica em frutas e vegetais, praticar atividades físicas regularmente e não fumar.
Segundo os especialistas, cuidar da audição faz parte do envelhecimento saudável e contribui para manter a autonomia, a convivência social e a qualidade de vida ao longo dos anos.
