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Vacina contra meningite incorporada pelo SUS amplia resposta contra a doença

Ana Paula Beltran Mosquione Castro alerta que meningite meningocócica tem uma mortalidade não desprezível, por isso a importância da vacinação

Escrito por: Marcia Avanza

Retirado de: Jornal da USP

A vacina meningocócica ACWY para bebês de 12 meses, que só era oferecida em clínicas particulares, passou a ser ofertada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde justificou a mudança para ampliar a proteção contra os principais sorogrupos da bactéria causadora da meningite. O esquema vacinal anterior incluía duas doses da vacina meningocócica C, aplicadas aos 3 e 5 meses, e um reforço aos 12 meses. Com a alteração no calendário, a imunização passa a ser feita com a vacina ACWY, que protege contra os sorogrupos A, C, W e Y, principais sorogrupos da bactéria causadora da meningite. Ana Paula Beltran Moschione Castro, médica da unidade de Alergia e Imunologia do Instituto da Criança e do Adolescente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, afirma que sua ampliação é uma grande vantagem. “Isso amplia a resposta ao meningococo, que é uma bactéria que causa meningites graves, portanto, é uma vantagem”, avalia.

Vacina ACWY

A vacina que foi incorporada agora é mais eficiente porque amplia os sorotipos ou os grupos do meningococo. A meningite é uma infecção grave e tem vários agentes que podem causá-la. Existem os vírus que causam meningites mais leves, com menos complicações nas pessoas normais e as bactérias, mas a médica alerta que “três bactérias são importantes: o Streptococcus pneumoniae, o hemófilo, influenza encapsulado e o meningococo. Para as duas primeiras, a gente tem algumas vacinas disponíveis no PNI, tanto que meningite por hemófilos é um evento raro, mas a meningite meningocócica, ela é bastante grave, e a gente tem essa proteção contra o meningo C, que agora também está sendo ampliado para os sorotipos A, W e Y. Então a gente amplia a eficácia dessa proteção dessa vacina, porque consegue abranger mais possibilidades de cuidar dos pacientes”.

Vários fatores devem ser avaliados com a inclusão da vacina no Programa Nacional de Imunização. É preciso avaliar a vacina, se vai haver vacina em quantidade para atender á população brasileira, que é bastante grande, e existe uma sequência para a introdução. “A gente tinha essa proteção para meningocócico, a gente tinha proteção para CWY nos adolescentes, que é uma faixa etária bastante suscetível a essa meningite, mas é óbvio que a gente vai revendo e vai incorporando sempre as novas tecnologias. E incorporar essa vacina nos bebês é um grande ganho, assim eles já são imunizados desde a tenra idade e depois com isso eles já ficam para a vida toda prevenidos”, lembra a professora.

As crianças que não se vacinaram contra a CWY continuam fazendo a sua proteção com os seus 13 e 14 anos. Essa é uma vacina extremamente eficiente, que garante uma proteção num grande porcentual da população saudável e com isso o risco de meningite meningocócica diminui bastante.

Doença e transmissão

A meningite meningocócica sempre preocupou os profissionais de saúde. Por este motivo, é muito importante que a população se vacine, destaca a especialista. “Para que a gente tenha uma adequada proteção, a gente precisa ter altos índices de adesão às vacinas. Nos últimos anos, a gente tem observado uma queda.” Ainda que não haja nenhuma situação de epidemia, vez por outra, alguns casos aparecem. Por este motivo é fundamental não deixar cair as taxas de cobertura vacinal e isto só é possível se a população for aos postos de saúde se vacinar.

Ana Paula explica que quando as meninges ficam inflamadas, o paciente tem sintomas como vômitos, febre e pode mesmo ter convulsões, um quadro bastante grave. “A meningite meningocócica tem uma mortalidade não desprezível”, alerta a médica. O tratamento é feito com antibióticos e os pacientes muitas vezes precisam de internação e até mesmo de terapia intensiva.

A doença é transmitida basicamente por contato, por proximidade, através das gotículas liberadas durante uma conversa, uma tosse, um espirro. “O paciente que tem albergado a sua bactéria na sua orofaringe, por exemplo, ele pode conversando, se aproximando, transmitir. Por isso é fundamental, então, que todos estejam imunizados, para que a gente não tenha a transmissão dessa doença que ataca justamente as meninges, que são uma capa protetora para o sistema nervoso”, orienta Ana Paula.

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