Após comparar dados de mais de 1 milhão de pessoas diagnosticadas, consórcio internacional de pesquisadores agrupou os transtornos em cinco grandes grupos
Escrito por: André Julião
Retirado de: Agência FAPESP
O conteúdo apresentado abaixo foi retraduzido para facilitar a leitura e o entendimento.
Pesquisadores do mundo todo fizeram um grande estudo para entender melhor os transtornos mentais. Eles analisaram fatores genéticos ligados a 14 condições diferentes, como depressão, ansiedade, esquizofrenia e TDAH, e descobriram que muitas delas têm coisas em comum no nível biológico.
A ideia principal é que esses transtornos não são totalmente separados como costumamos pensar. Na verdade, vários deles compartilham partes da mesma “base genética”. Isso ajuda a explicar por que os sintomas podem ser parecidos e por que, às vezes, uma pessoa pode ter mais de um diagnóstico ao mesmo tempo.
Os cientistas organizaram essas condições em cinco grandes grupos:
Grupo 1 (transtornos compulsivos): inclui anorexia, TOC e, em menor grau, ansiedade e síndrome de Tourette.
Grupo 2: reúne esquizofrenia e transtorno bipolar, que têm muita semelhança genética entre si.
Grupo 3 (neurodesenvolvimento): inclui autismo e TDAH, ligados ao desenvolvimento do cérebro desde cedo.
Grupo 4 (internalizantes): engloba depressão, ansiedade e estresse pós-traumático, mais relacionados ao funcionamento geral do cérebro.
Grupo 5 (uso de substâncias): envolve dependência de álcool, nicotina, drogas e opioides, com forte influência também de fatores sociais.
Um dado interessante é que a esquizofrenia e o transtorno bipolar compartilham cerca de 80% das suas variações genéticas, mostrando como estão próximos biologicamente.
O estudo também identificou algo chamado “fator P”, que reúne características genéticas comuns a todos os transtornos analisados. Isso sugere que pode existir uma base geral que aumenta a vulnerabilidade a diferentes problemas mentais.
Outro ponto importante é que nem tudo depende da genética. Fatores como ambiente, renda, experiências de vida e estresse também têm grande influência, especialmente nos casos ligados ao uso de substâncias.
Os pesquisadores acreditam que essas descobertas podem ajudar no futuro a:
melhorar os diagnósticos, que hoje ainda são feitos principalmente por observação clínica;
desenvolver tratamentos mais eficazes;
até reutilizar medicamentos já existentes para tratar diferentes condições.
Por fim, os cientistas destacam que muitos estudos ainda usam mais dados de pessoas de origem europeia, mas isso está começando a mudar com a participação de países como o Brasil.
Em resumo, o estudo mostra que os transtornos mentais são mais conectados entre si do que se imaginava, e entender essas conexões pode ajudar a cuidar melhor da saúde mental.
Leia Também:

