Astrotubers usam a internet para ensinar astronomia de maneira fácil e divertida

Você já ouviu falar que o sol nasce no leste? Ou que as bússolas sempre apontam para o pólo norte? Apesar de ser comum escutar afirmações como estas, o estudo da astronomia demonstra que elas são incorretas. Para desvendar estas e outras questões do universo, o canal AstroTubers reuniu pesquisadores e profissionais da área astronômica na produção de vídeos no Youtube. O objetivo é tornar acessível ao público, com linguagem fácil de entender, pesquisas e outros estudos acadêmicos sobre física e astronomia, além de combater notícias falsas que circulam nas redes sociais.

O AstroTubers é portanto uma plataforma de divulgação científica, o diferencial está em seus membros, todos astrônomos de diversas universidades do Brasil, alguns deles do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, em São Paulo. Eles criaram o grupo após uma reunião da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), em 2017, para despertar nos jovens o gosto pela ciência. Hoje a entidade certifica o conteúdo do canal, que também tem o selo SVBR, Science Vlogs Brasil, que atesta a qualidade da divulgação científica no Youtube.

“O projeto iniciou com mais de 40 membros. Atualmente somos pouco mais de dez, bastante ativos no canal”, conta Marcelo Rubinho, doutorando do IAG e membro do AstroTubers. Segundo ele, as inspirações para a criação dos vídeos estão nos interesses de cada participante, além das suas áreas de pesquisa. 

Rubinho, por exemplo, encontra inspiração em quase tudo, já que para ele a física e a astronomia estão em muitos lugares. Não à toa, ele já produziu sobre a astronomia envolvida no filme de animação Mulan, da Disney; sobre frases incorretas atribuídas à astronomia; paradoxos da ciência e malefícios causados por muitos satélites no espaço.

Marcelo Rubinho, doutorando do IAG e membro do AstroTubers – Foto: Arquivo pessoal

Para poder produzir um vídeo para os Astrotubers, o roteiro precisa ser aprovado por uma comissão de revisão, composta por membros do próprio canal. Quando aprovada, a produção é encaminhada para a edição, que passa mais uma vez por revisão, antes de ser publicada. “Por mais que sejamos astrônomos, a gente sempre acaba errando, então sempre precisamos das correções científicas dos nossos pares”, explica Rubinho.

Mirian Castejon, doutoranda de astronomia no IAG, é outra integrante do Astrotubers. As produções da pesquisadora estão relacionadas, principalmente, aos conglomerados de galáxia e à técnica de lentes gravitacionais, assuntos estudados por ela.

“Gosto muito da parte histórica, então gravei um vídeo sobre eclipse, em que o efeito é gerado pela lente gravitacional, e sobre o dia da astronomia, que foi criado em homenagem a D. Pedro II”, disse.

Apaixonada por divulgação científica desde o ensino médio, ela decidiu fazer parte do canal por acreditar que as pessoas devem conhecer melhor o mundo científico para entender a necessidade de investimentos na área. “Muitos questionam as missões espaciais, mas na tentativa de mandar pessoas para Marte, por exemplo, ao construir coisas que irão para outros planetas, há uma tecnologia desenvolvida aqui. Pode parecer ficção científica, mas no futuro isso é muito possível”.

Mirian Castejon, doutoranda de astronomia no IAG, integrante do Astrotubers – Foto: Arquivo pessoal

Não só para Mirian, mas também para Rubinho, a importância de abordar a ciência de maneira acessível, como fazem através do canal, está em quebrar barreiras entre a Universidade e a sociedade. “É um exercício que todo pesquisador deve fazer, porque a pesquisa não pode ficar só na Universidade e nem só o produto dela deve ser aproveitado. As pessoas precisam saber que a ciência existe no Brasil”, afirmou Mirian, ressaltando que a falta de conhecimento sobre ciência impede que a sociedade apoie os pesquisadores. 

Rubinho ressalta que essa lacuna existente entre as pessoas e os cientistas, por vezes, acaba sendo preenchida por negacionistas científicos, e isso pode ser perigoso. “Se continuarmos marginalizando a divulgação científica, não só a astronomia, mas também a ciência podem morrer. A divulgação científica não é algo para fazermos só quando dá. No estado atual do Brasil é algo imprescindível”.

Clique aqui para ver o Canal dos Astrotubers.

Fonte: Jornal da USP

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