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Compostos da própolis verde mostram potencial contra doenças neurodegenerativas​

Em testes de laboratório e computacionais, o Artepelin C e a Bacarina conseguiram proteger e regenerar neurônios

Escrito por: Carolina Castro estagiária sob supervisão de Rita Stella

Retirado de: Jornal da USP

O termo própolis está associado à ideia de proteção. A substância, produzida pelas abelhas para revestir e higienizar a colmeia, também é conhecida por suas propriedades antibacterianas no organismo humano. Esses efeitos medicinais já são estudados há bastante tempo. Agora, uma pesquisa realizada na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo revelou um novo potencial terapêutico da própolis verde, com possíveis aplicações em doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.

A própolis verde é produzida a partir da resina do alecrim-do-campo, planta nativa do Brasil presente no Cerrado e na Mata Atlântica. As abelhas misturam essa resina com saliva e cera, originando o composto. Ao isolar e analisar duas das principais substâncias presentes nessa própolis, Artepelin C e Bacarina, os pesquisadores identificaram efeitos importantes em células do sistema nervoso.

Os estudos foram realizados em cultura de células durante o doutorado do farmacêutico Gabriel Rocha Caldas, sob orientação do professor Jairo Kenupp Bastos. A pesquisa mostrou que os compostos são capazes de induzir a diferenciação neuronal, aumentar a formação de conexões entre neurônios e reduzir a morte celular programada.

O processo de obtenção das substâncias envolveu técnicas de separação química que permitiram isolar cada molécula de interesse. Depois disso, os pesquisadores utilizaram modelagem computacional para avaliar propriedades como solubilidade e capacidade de atravessar a barreira que protege o cérebro. Também foram realizados experimentos com células conhecidas como PC12, amplamente usadas como modelo para estudos de neurônios.

Para melhorar a capacidade de o Artepelin C alcançar o sistema nervoso, foi realizada uma modificação química chamada acetilação, que tornou a molécula mais compatível com estruturas ricas em gordura, facilitando sua passagem pela barreira cerebral.

Nos testes com as células, foi observado que, após o tratamento com os compostos da própolis verde, elas passaram a formar neuritos, pequenas projeções que dão origem a estruturas responsáveis pela comunicação entre os neurônios. Esse é um indicativo de que as células estavam iniciando um processo de diferenciação e amadurecimento.

Além disso, houve aumento na presença de proteínas associadas ao crescimento e à formação de conexões neuronais, sinalizando um ambiente favorável à regeneração. Esse tipo de efeito é especialmente relevante em doenças neurodegenerativas, nas quais ocorre perda progressiva de neurônios.

Outro achado importante foi o potencial antioxidante das substâncias. Elas foram capazes de neutralizar moléculas reativas de oxigênio, que costumam estar elevadas em quadros neurodegenerativos e contribuem para danos celulares.

Segundo o pesquisador, esses resultados indicam que o Artepelin C e a Bacarina podem ter papel na proteção de neurônios em situações de estresse, especialmente nos estágios iniciais dessas doenças. Embora os estudos ainda estejam em fase experimental, a pesquisa abre caminho para novas investigações sobre o uso terapêutico da própolis verde, um recurso natural tipicamente brasileiro com potencial impacto científico, econômico e social.

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