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Reabilitação da bexiga neurogênica: métodos de manejo, complicações urológicas, estilo de vida e satisfação pessoal em pessoas com lesão medular.

Os danos neurológicos após a lesao medular (LM) são responsáveis por alterações nas funções de armazenamento de urina e da micção, as quais representam a causa mais frequente de reinternações hospitalares e prejuízo da qualidade de vida (QV). No Brasil estudos sobre essa temática ainda são incipientes. Diante disso, o objetivo deste estudo foi analisar os métodos de manejo da bexiga neurogênica e sua relação com as complicações urológicas de incontinência urinária (IU) e infecção de trato urinário (ITU), estilo de vida e satisfação pessoal em brasileiros com LM.

Tratou-se de um estudo quantitativo, exploratório, analítico e de corte transversal, com 290 adultos, cadastrados em um banco de dados do Núcleo de Pesquisa e Atenção em Reabilitação Neuropsicomotora (NeuroRehab) para participação voluntária em pesquisas em LM. Os dados foram coletados com o instrumento validado, índice de tratamento do intestino e da bexiga (BBTI), por meio de entrevista telefônica.

A maioria eram homens (70,0%), jovens, com média de idade de 41,02 anos (DP=10,43), beneficiários da previdência social (58,6%), com renda familiar entre 1 e três salários mínimos, com LM no nível torácico (62,8%), predominante traumática (77,6%), e causada por acidentes de trânsito (44,1%). A principal forma de esvaziamento da bexiga foi o cateterismo intermitente limpo (CIL) (74,1%). A satisfação com a rotina de manejo vesical (p = 0,0261), flexibilidade com a rotina (p = 0,007), e menor impacto na qualidade de vida (p ≤ 0,001) estavam relacionados ao esvaziamento vesical por micção normal, assim como uma melhor adaptação para trabalho fora de casa (p < 0,001), a realização de atividades do dia a dia (p ≤0,001) e uma menor interferência na vida social(p = 0,001). Entre os que realizavam o CIL, o método exigiu uma adaptação na rotina (p = 0,014), maior impossibilidade para trabalhar fora de casa (p = 0,004) e ser visto como um problema (p=0,014). Por outro lado, quando é realizado pelo próprio indivíduo (autocateterismo) essas associações não ocorreram (p=0,064). Mais da metade dos participantes relataram episódios de IU (55,6%) e de ITU (58,6%). O manejo com o uso do estímulo do reflexo da bexiga foi associado à IU (p=0,046).A IU alterou negativamente a satisfação com a rotina (p≤0,001), a eficácia do manejo vesical (p≤0,001), a QV (p=0,008), os relacionamentos pessoais (p=0,001), sociais(p=0,002), e as atividades laborais(p≤0,001).

Houve associação entre o CIL com maiores episódios de ITU (p=0,001), enquanto a micção normal (p≤0,001) e compressão da bexiga (p=0,029) com menores episódios de ITU. A ITU apresentou impacto negativo em todas as variáveis que avaliaram a satisfação e o estilo de vida, como QV (p=0,040), satisfação com sua rotina (p=0,008), atividades laborais (p=0,012), sair de casa (p=0,030) e relacionamento social (p=0,005). Os dados apresentados neste estudo mostram os desafios das pessoas com LM no manejo vesical e podem indicar a demanda do contínuo desenvolvimento do tratamento da bexiga neurogênica. Nessa direção, são necessários mais estudos que busquem alternativas que considerem tanto a preservação do trato urinário quanto as questões pessoais do manejo vesical após a LM.

Leia este estudo na íntegra através do link: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22132/tde-13052022-105736/pt-br.php

Autor: Lorena Gomes Neves Videira

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