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O que fazer em situações de crise no autista infantil?

AUTORES: João Pedro de Oliveira (http://lattes.cnpq.br/9876124128482048) ; Profa Fabiana Faleiros; Profa Marislei Panobianco; Profa Soraia Rabeh; Profa Geyslane Albuquerque; Prof Dr. Christoph Käppler, Dra Ana Karine Monteiro, Ms. Letícia Noelle Corbo e Ms. Michel Marcossi.

O Transtorno do Espectro Autista, conhecido popularmente por autismo infantil, é uma condição do neurodesenvolvimento relacionado à comunicação (social e verbal), comportamentos restritos e repetitivos (estereotipias – movimentos) e interesses restritos em atividades e assuntos (hiperfoco). Sendo importante ressaltar que não se trata de uma doença, ou seja, não existe uma cura para seus sintomas, mas sim, terapias, reabilitação e adaptações sociais. 

As interações das crianças atípicas são diferentes, principalmente pela forma que interpretam o mundo ao seu redor e respondem aos estímulos, que muitas vezes, são considerado comportamentos “agressivos”, mas na verdade está claramente relacionada a respostas esperadas de pessoas típicas (sem diagnóstico de autismo), e por isso, algo frequentemente relatado pelos pais são situações de crises de meltdown.

O meltdown caracteriza-se como um momento onde a criança perde o controle de seus impulsos e reações se expressando de forma exagerada.  Tais crises podem ser desencadeadas por diversos fatores, geralmente ocorrendo pelo aumento de situações ou estímulos que são interpretados como estressantes pela criança, como: cheiros fortes, texturas aversivas, barulhos altos, toque corporal, mudanças bruscas na rotina ou até tentativas de aprender coisas novas.

Meltdown, deriva do inglês traduzindo-se em “colapso”, vindo diretamente de encontro com os comportamentos demonstrados pelas crianças no momento da crise: choro excessivo, gritos, tremores ou movimentos exagerados, desconforto geral e até podendo apresentar comportamentos auto-lesivos, se batendo ou colidindo com objetos e  estruturas próximas. É importante os cuidadores entenderem que não trata-se de algo voluntário, como birra (comportamento motivado a conseguir algo em troca), sendo inteiramente causado pela falta de habilidade momentânea de controlar sentimentos e emoções.  

 Mas então, você se pergunta, o que devo fazer nessa situação? Primeiramente, entender o que é a crise compõe 50% do caminho para a resolução dessas situações, os outros 50% estão diretamente ligados ao que gerou o estresse, podendo ser qualquer uma das situações citadas acima. Então mantenha a calma, observe o ambiente e  se atente ao que pode estar ligado a crise. Desse modo, parar os estímulos pode ser a resolução quando a criança não é exposta a situação por muito tempo. Mas caso meu filho, sobrinho ou amigo não responda com sinais claros de normalidade será necessário agir em prol de estímulos contrários ao aversivo, por exemplo: contato com o cuidador de confiança, focar no brinquedo favorito ou até se retirar do ambiente em que está.

Porém, a criança está se auto-agredindo, o que eu faço?  Nessa situação, significa que a criança atingiu o maior nível possível de estresse e suas ações podem colocar sua vida e de outras pessoas em risco iminente. Para isso, você terá que conter fisicamente a criança, com o objetivo de parar qualquer tentativa de machucar-se. Assim, uma contenção física  nada mais é que um “abraço apertado”, onde você posicionará os braços da criança para baixo e cabeça no sentido da sua barriga, mantendo até que dê sinais claros de se acalmar.

Importante destacar que contenção física é o último recurso que devemos adotar  para darmos fim a uma crise, pois mesmo com todo cuidado do mundo, você precisará ser rápido e controlar a força aplicada para não ferir a criança. Atenção, algumas dicas podem ajudar, para alguns autistas abraços apertados produzem um efeito relaxante, também mantenha dê preferência a face da criança voltada para você, assim conseguirá  analisar suas expressões faciais, o pode ajudar.

Passou a crise, o que devo fazer? Após isso é essencial dar espaço a criança, com o objetivo dela se recuperar, porém mantenha seus olhos nela até sentir segurança de retornar ao que estava fazendo anteriormente. Lembre-se a criança pode estar com sinais de exaustão e cansaço nitidamente pela alta descarga de ações e movimentos, tente tranquilizá-la mantendo os limites, e em hipótese alguma mude o comportamento com ela, pois essa situação pode sinalizar inconscientemente a criança a sensação de culpa e pânico. Portanto, a calma será a chave para a solução.

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Referências:

BRASIL. Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA). Brasília: MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2014. Disponivel em:https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-pessoa-com-deficiencia/publicacoes/diretrizes-de-atencao-a-reabilitacao-da-pessoa-com-transtornos-do-espectro-do-autismo.pdf  Acesso em:28 de ago. de 2024.

BRASIL. Ministério da Saúde. Linha de Cuidado para a Atenção às Pessoas com Transtornos do Espectro do Autismo e suas Famílias na rede de Atenção Psicossocial do Sistema Único de Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Especializada e Temática. p. 156. Brasília – DF, 2015. Disponível em: https://www.saude.df.gov.br/documents/37101/183291/linha_cuidado_atencao_pessoas_transtorno.pdf/55a6f527-6c8c-b308-2b6f-84015a3b4629?t=1648938723740. Acesso em: 28 de ago. de 2024.

CASTANHEIRA,  M. C. Perturbação do Espetro do Autismo – Estratégias de intervenção em situações de crise de agressividade protagonizadas por crianças com PEA. Porto ( Portugal): Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti – Pós-Graduação em Educação Especial: Domínio Cognitivo e Motor, 2016. Disponível em: http://repositorio.esepf.pt/bitstream/20.500.11796/2370/1/PEA.pdf. Acesso em: 28 de ago. de 2024.

ZEFERINO, M. T.; SANTOS, S. M. A.; RODRIGUES, J.; CARDOSO, L.; ZANETTI, A. C. G.; MARTIN, I. S.; BROGNOLI, F. F. Curso de Especialização em Linhas de Cuidados em Enfermagem: Projeto Terapêutico Singular na clínica de atenção psicossocial. Florianópolis (SC): Universidade  Federal de Santa Catarina – Programa de Pós-graduação em Enfermagem, 2013. Disponível em: https://unasus2.moodle.ufsc.br/mod/resource/view.php?id=2902. Acesso em: 28 de ago. de 2024.

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