Escrito por: Elisa Pivatto Serra
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O envelhecimento é um processo natural da vida. Acontece aos poucos, é diferente para cada pessoa e vai progredindo com o tempo. A transição demográfica acontece quando começam a morrer menos pessoas e a nascer menos crianças. Com isso, a população vai ficando mais velha na maioria dos países, inclusive no Brasil, fenômeno que recebe o nome de envelhecimento populacional.
No Brasil, este envelhecimento vem ocorrendo de forma acelerada, em comparação aos países de alta renda, onde esse processo ocorreu de forma lenta e gradual, repercutindo em maior tempo para preparo e adaptação às necessidades das pessoas idosas, o que reduziu o impacto desse fenômeno.
Sendo assim, o aumento do número de pessoas idosas representa um desafio para a saúde, uma vez que as necessidades dessa população é diferente dos outros grupos etários. Sabe-se que fatores como doenças crônicas, acidentes e estresse emocional podem desencadear fragilidades que interferem no processo de envelhecimento, por isso devem ser acompanhadas pelas equipes de saúde.
Diante desse cenário, a saúde mental da população idosa passa a ser um importante debate sobre envelhecimento saudável. Dados da indicam que cerca de 14% das pessoas com 70 anos ou mais vivem com algum transtorno mental, sendo depressão e ansiedade as condições mais frequentes.
Entre os fatores associados ao adoecimento psíquico na velhice, destaca-se o isolamento, considerado um dos principais riscos à saúde mental. O isolamento social pode decorrer da viuvez, do afastamento familiar, da aposentadoria, de limitações físicas ou da redução das redes de convivência, estando relacionado ao aumento de sintomas depressivos, declínio cognitivo e piora da qualidade de vida. A participação em grupos de convivência, atividades comunitárias e práticas físicas coletivas favorece o fortalecimento de vínculos sociais, o sentimento de pertencimento e a melhora da autoestima.
A inclusão digital também se apresenta como importante aliada. O uso de tecnologias de comunicação, como chamadas de vídeo e redes sociais, possibilita a manutenção de laços familiares e de amizade, especialmente para idosos com mobilidade reduzida. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que em 2019, menos da metade (44,8%) das pessoas com 60 anos ou mais utilizava a internet. Em 2023, esse percentual alcançou 66%, representando um aumento de 21,2 pontos percentuais. Comparando com os dados de 2016, quando apenas 24,7% acessavam a internet, observa-se um processo contínuo e relevante de inclusão digital da população idosa. Isso sugere que o uso de tecnologias digitais em saúde ainda enfrenta limitações associadas à inclusão digital da população idosa, uma vez que eles encontram maiores dificuldades para aderir a essas ferramentas.
Dessa forma, torna-se fundamental ampliar políticas públicas, serviços de saúde e iniciativas sociais voltadas à promoção do envelhecimento ativo e saudável, com atenção especial à saúde mental e ao combate à solidão. Investir em espaços de convivência, inclusão digital, acesso à cultura, lazer e acompanhamento psicossocial não apenas melhora a qualidade de vida das pessoas idosas, como também contribui para uma sociedade mais inclusiva e preparada para o envelhecimento populacional.
Foto: Acervo Neurorehab
Referências:
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