Posicionamento da associação que representa a indústria de adoçantes no Brasil seguido da resposta da coordenadora do estudo, Claudia Suemoto
Escrito por: Radio da USP
Retirado de: Jornal da USP
O conteúdo apresentado abaixo foi retraduzido para facilitar a leitura e o entendimento.
Posicionamento da Abiad
A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (Abiad) informou que acompanha com atenção o estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo, que analisou a relação entre o consumo de adoçantes e o declínio cognitivo ao longo do tempo. O trabalho foi publicado em setembro de 2025 na revista científica Neurology.
Segundo a Abiad, os resultados do estudo precisam ser analisados com cautela. A entidade destaca que se trata de uma pesquisa observacional, ou seja, que identifica associações estatísticas, mas não comprova que os adoçantes causam declínio cognitivo. A própria publicação, segundo a associação, reconhece limitações e não afirma uma relação direta de causa e efeito.
A Abiad também aponta questões metodológicas que, em sua avaliação, reduzem a força das conclusões. Entre elas, o fato de os dados alimentares terem sido informados apenas uma vez, há cerca de oito anos, o que pode gerar imprecisões. Além disso, os resultados variaram de acordo com idade e presença de diabetes, o que levanta dúvidas sobre uma explicação biológica clara.
Outro ponto destacado é que, em parte da análise, os adoçantes foram agrupados, mesmo sendo substâncias diferentes, com características e limites de consumo distintos.
A associação reforça que todos os adoçantes autorizados no Brasil passam por avaliações rigorosas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e de órgãos internacionais como a Food and Drug Administration e a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos. Essas instituições consideram os adoçantes seguros quando consumidos dentro dos limites recomendados.
Por fim, a Abiad lembra que estudos amplos indicam que adoçantes com baixo ou nenhum valor calórico podem ajudar na redução do consumo de açúcar, sendo aliados importantes no controle do diabetes tipo 2 e da obesidade. A entidade afirma que segue aberta ao diálogo, com base em evidências científicas e compromisso com informação responsável.
Resposta da pesquisadora da USP
A professora Claudia Suemoto, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e autora principal do estudo, respondeu ao posicionamento da Abiad esclarecendo alguns pontos.
Ela explica que a associação citou de forma incorreta o título do artigo científico. O nome correto do estudo é Association Between Consumption of Low- and No-Calorie Artificial Sweeteners and Cognitive Decline: An 8-Year Prospective Study. A frase mencionada pela Abiad foi, na verdade, o título de um editorial independente publicado na mesma edição da revista, escrito por um pesquisador da Rush University.
Segundo Claudia, esse editorial elogiou a qualidade metodológica e a relevância dos achados do estudo. Ela também ressalta que a publicação ocorreu em uma revista científica de alto impacto e que o trabalho recebeu ampla atenção internacional, sendo divulgado por veículos de imprensa de grande credibilidade.
A pesquisadora também rebate a crítica de que os adoçantes teriam sido analisados apenas como um único grupo. Ela explica que, além da análise geral, o estudo avaliou sete adoçantes separadamente. Seis deles apresentaram associação com declínio cognitivo ao longo de oito anos.
Ela destaca que o objetivo da pesquisa não foi comparar um adoçante com outro, mas observar padrões de associação. Mesmo assim, a repetição dos resultados em diferentes substâncias indica que não se trata de um achado isolado.
Por fim, Claudia reforça que o estudo não afirma que os adoçantes causam declínio cognitivo, mas aponta uma associação consistente entre o consumo frequente desses produtos e uma piora mais rápida da função cognitiva. Para ela, os resultados mostram a importância de mais pesquisas sobre o tema e sugerem cautela no uso contínuo de adoçantes.
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