Escrito por: Maria Fernanda Ziegler
Retirado de: Agência FAPESP
O conteúdo apresentado abaixo foi retraduzido para facilitar a leitura e o entendimento.
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos mostrou que a pobreza pode influenciar o desenvolvimento motor dos bebês já a partir dos seis meses de idade. A pesquisa acompanhou crianças entre três e oito meses e observou que aquelas em situação de vulnerabilidade socioeconômica tendem a alcançar marcos importantes, como sentar, virar ou pegar objetos, mais tarde do que outras.
Além disso, esses bebês apresentavam menos variedade de movimentos. Em vez de explorar diferentes formas de interagir com o ambiente, repetiam sempre as mesmas estratégias, o que pode indicar um desenvolvimento motor mais limitado. Segundo a pesquisadora Carolina Fioroni Ribeiro da Silva, isso pode estar relacionado à falta de estímulos no ambiente em que vivem.
A professora Eloisa Tudella destaca que esses atrasos, mesmo sendo leves no início, podem ter impactos no futuro, influenciando o desenvolvimento global da criança e até se associando a dificuldades na fase escolar.
Por outro lado, o estudo traz uma boa notícia. Com orientações simples dadas às mães durante visitas domiciliares, foi possível observar melhora no desenvolvimento dos bebês ao longo do tempo. Atividades como colocar o bebê de bruços por alguns minutos, conversar, cantar e oferecer objetos simples para interação ajudaram a estimular os movimentos e a curiosidade.
Muitas mães, especialmente as mais jovens, não sabiam como estimular os filhos. Ao aprenderem essas práticas, passaram a interagir mais com os bebês, o que contribuiu diretamente para o avanço no desenvolvimento motor.
O estudo também identificou outros fatores que podem influenciar esse processo. Ambientes com pouco espaço para a criança se movimentar, ou com muitas pessoas na mesma casa, podem dificultar a exploração e o aprendizado. Por outro lado, a presença de brinquedos, mesmo que improvisados, maior escolaridade da mãe e a participação dos pais no cuidado foram associados a melhores resultados.
Os primeiros anos de vida são essenciais para o desenvolvimento, pois é nesse período que o cérebro é mais sensível aos estímulos. Por isso, mesmo em contextos de vulnerabilidade, ações simples e orientação adequada podem fazer grande diferença na vida das crianças.
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