Anvisa aprova por unanimidade uso emergencial das vacinas

A Diretoria Colegiada da Anvisa (Dicol) aprovou neste domingo (17/1), por unanimidade, a autorização temporária de uso emergencial da vacina CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, e da vacina Covishield, produzida pela farmacêutica Serum Institute of India, em parceria com a AstraZeneca/Universidade de Oxford/Fiocruz.

As decisões serão publicadas e comunicadas às duas instituições ainda hoje. Com relação à CoronaVac, em especial, a autorização foi condicionada ainda à assinatura de um Termo de Compromisso e sua respectiva publicação no Diário Oficial da União (D.O.U.).

Esse Termo de Compromisso determina que, até 28/2, seja realizada e apresentada à Anvisa a complementação dos estudos de imunogenicidade, conforme aprovado no desenho de estudo clínico fase III da vacina. A chamada imunogenicidade é a capacidade, por exemplo, de uma vacina incentivar o organismo a produzir anticorpos contra o agente causador da doença. Esse documento, portanto, deve complementar as informações referentes à imunidade conferida aos voluntários que receberam a vacina na terceira fase de desenvolvimento clínico. O dado é imprescindível para que se possa concluir a duração da resposta imunológica nos indivíduos vacinados.

Tanto a Fiocruz quanto o Instituto Butantan devem dar continuidade aos estudos e à geração de dados para permitir o registro sanitário na Anvisa. Da mesma forma, ambos precisam manter o monitoramento da segurança das vacinas, fundamental para garantir que os benefícios continuem a superar os riscos para as pessoas que recebem vacinas contra Covid-19. A Anvisa, como órgão regulador federal, pode revisar e ajustar as condições para o uso emergencial frente a resultados que sejam considerados relevantes, inclusive dados e informações provenientes de autoridades reguladoras internacionais.

A diretora da Anvisa Meiruze Freitas, relatora dos dois processos, ao proferir seu voto, destacou que “o acesso às vacinas e à proteção que elas podem conferir é questão de segurança nacional, beneficiando diretamente os profissionais de saúde, seus pacientes, familiares, comunidade e a saúde geral do país”.

Entenda

O procedimento de autorização de uso emergencial avalia a adequação das candidatas a vacinas contra Covid-19 para a utilização durante a atual emergência em saúde pública, de modo a minimizar, o mais rápido possível, os impactos da pandemia. É importante ressaltar que as autorizações temporárias para uso emergencial não são permissões para a introdução no mercado para fins de comercialização, distribuição e uso. Ou seja, não foi concedido ainda o registro sanitário.

Assim sendo, eventual violação da condição da autorização de uso emergencial estará sujeita às penalidades previstas, conforme legislação (Lei 6.437/77) que dispõe sobre as responsabilidades aos titulares das autorizações. Os demandantes – Instituto Butantan e Fiocruz – devem fornecer prontamente à Anvisa quaisquer outros dados, recomendações ou orientações que sejam elaborados ou que cheguem a seu conhecimento e tenham relevância para a contínua avaliação do perfil de benefício e risco das vacinas, bem como para a segurança e suas condições de uso.

Fonte: ANVISA

Novo protótipo de ventilador pulmonar de baixo custo é criado por Professor da USP São Carlos

Um novo modelo de ventilador pulmonar de baixo custo foi desenvolvido por um professor da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP. A estrutura da tecnologia é composta, basicamente, de um cilindro com um êmbolo em seu interior, o qual é acionado por um motor de alta precisão. Todas as ações do sistema são controladas por um software, que define a velocidade e pressão adequadas do fluxo de ar que deve ser bombeado ao usuário, bem como a dose ideal de oxigênio, baseada na altura e sexo do paciente. Válvulas ajudam a controlar a entrada e saída dos gases.

Além de ser totalmente programável e poder ser controlado a distância, o equipamento não precisa ser alimentado por ar comprimido, ou seja, o aparelho consegue utilizar o ar diretamente da atmosfera, por meio de filtros ou purificadores. Batizado de Respirador Artificial Integrado (RAI), o aparelho pode ser aplicado em uso contínuo, possibilitando que um mesmo paciente o utilize por diversas semanas seguidas sem a necessidade de interrupções ou trocas de ventilador.

“A ideia foi desenvolver um projeto de alta confiabilidade e qualidade voltado ao tratamento sistêmico de pacientes com covid-19. O sistema é de fácil operação e oferece uma interface intuitiva e poderosa ao usuário, que tem grande capacidade de visualização dos parâmetros do equipamento e das condições do paciente”, explica o professor José Roberto Monteiro, autor do trabalho e professor do Departamento de Engenharia Elétrica e de Computação (SEL) da EESC.

Professor José Roberto levou cerca de cinco meses para desenvolver o ventilador pulmonar – Foto: Henrique Fontes – SEL/USP

Mais um destaque do novo ventilador pulmonar, que levou cerca de cinco meses para ser desenvolvido, é que ele pode ser estimulado pelo próprio usuário. Neste caso, basta o indivíduo fazer um movimento de inspiração para que o sistema identifique a necessidade de enviar mais oxigênio.

O respirador controla a fração exata de oxigênio bombeada, podendo variar de 20% a 100%, de acordo com a demanda do paciente.

Custo acessível

“Entre as principais vantagens deste novo respirador está o seu baixo custo, pois ele foi construído com materiais fáceis de serem adquiridos e de simples fabricação, como plástico, alumínio e aço inox. Se produzido em larga escala, a estimativa é de que o produto tenha um custo de material inferior a R$ 1,5 mil, valor bem abaixo dos que são encontrados no mercado, que demandam um investimento em torno de R$ 15 mil”, explica Monteiro.

Além de ser totalmente programável e poder ser controlado a distância, o equipamento não precisa ser alimentado por ar comprimido; expectativa é que produto esteja pronto para ser comercializado em 30 a 60 dias após a aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – Foto: Henrique Fontes / SEL/USP

Um protótipo do ventilador já foi finalizado pelo docente, que agora aguarda o interesse de órgãos públicos ou da iniciativa privada para que o produto chegue ao mercado o mais rápido possível, tendo em vista que ainda há muitas incertezas sobre quando terminará a pandemia de covid-19. Uma vez realizadas todas as adaptações necessárias por um eventual fabricante, a expectativa do professor é de que o produto possa estar pronto para ser comercializado dentro de um período entre 30 e 60 dias, dependendo dos trâmites de aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Ainda não sabemos quais serão os desdobramentos da pandemia, se teremos logo uma vacina ou se haverá novas ondas de contágio. No entanto, independentemente da utilização de nossa tecnologia durante a pandemia, estamos entregando um aparelho que será muito importante para a redução de custos de equipamentos hospitalares, podendo ser utilizado em qualquer momento e em diferentes cenários”, completa Monteiro.

O RAI foi construído por meio de técnicas de acionamentos elétricos, área de pesquisa em que o professor da EESC trabalha e que consiste, resumidamente, no controle de precisão de motores elétricos. A utilização deste ramo da ciência foi essencial para a redução dos custos do equipamento. O trabalho contou com a colaboração do ex-aluno da EESC José Antonio Ottoboni, durante a realização de seu doutorado na instituição. Atualmente ele é professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), campus de São Carlos.

Fonte: Jornal da USP

USP cria exoesqueleto robótico para reabilitar pessoas que sofreram AVC


O Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame, afeta anualmente milhares de pessoas no Brasil, e pode deixar sequelas graves, como a limitação ou perda dos movimentos das pernas, impossibilitando o indivíduo de caminhar. A reabilitação pós-AVC é fundamental para a recuperação do paciente. Com o objetivo de contribuir nesse processo, pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP desenvolveram um exoesqueleto robótico capaz de auxiliar profissionais da área da saúde no tratamento de vítimas de AVC. Com base na força que o paciente faz durante um exercício, o equipamento identifica com precisão em qual parte do membro inferior ele apresenta mais dificuldades, atuando de forma automática na região afetada para ajudá-lo a completar o movimento.

“Um dos diferenciais do nosso exoesqueleto em relação aos disponíveis no mercado é que ele pode ser configurado para tratar uma ou mais articulações da perna do paciente ao mesmo tempo, como o tornozelo, joelho e quadril. Com essa possibilidade, nós conseguimos proporcionar ao usuário uma recuperação muito mais rápida e eficiente”, explica Adriano Almeida Gonçalves Siqueira, coordenador do trabalho e professor do Departamento de Engenharia Mecânica (SEM) da EESC. Nomeado Exoesqueleto Modular de Membros Inferiores, o aparelho já possui uma patente registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Adriano Almeida Gonçalves Siqueira – Foto: Henrique Fontes

Outro destaque do equipamento é que ele pode ser controlado por algoritmos (códigos de computador), desenvolvidos para mensurar a força realizada pelas pernas do usuário e definir como o exoesqueleto deve agir nas regiões enfraquecidas, auxiliando o paciente a completar uma tarefa específica, como caminhar, subir e descer escadas, sentar e levantar. “Uma das possíveis sequelas de quem sofre AVC é ficar com o pé caído, situação em que a pessoa o arrasta no chão quando tenta andar. Com os nossos algoritmos atuando em conjunto com o exoesqueleto, nós conseguimos identificar a gravidade dessa deficiência e ajudar o indivíduo a melhorar sua passada por meio de estímulos que são gerados nas juntas do equipamento”, afirma Felix Maurício Escalante Ortega, criador dos códigos e doutorando do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da EESC, onde é orientado pelo professor Marco Henrique Terra, com co-orientação do professor Adriano Siqueira.

Felix Maurício Escalante Ortega – Foto: Henrique Fontes

Construído durante a pesquisa de doutorado do ex-aluno da EESC, Wilian Miranda dos Santos, atualmente professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em São João da Boa Vista, o aparelho pesa aproximadamente 11 quilos (kg) e é composto, basicamente, de um cinto pélvico para fixação ao tronco do paciente, juntas posicionadas nas principais articulações das pernas, sensores de força que monitoram a interação entre o robô e o paciente, pequenos motores para impulsionar os movimentos do equipamento, cintas de velcro e um par de sapatos personalizados preso ao exoesqueleto. Para testar a tecnologia e avaliar a influência do equipamento em atividades que demandam esforço muscular, foram realizados diversos experimentos em uma esteira, onde um sujeito saudável interagiu com o exoesqueleto.

Os resultados mostraram que o sistema garantiu a estabilidade e segurança do contato entre o ser humano e o robô, registrou alto desempenho na transmissão dos dados referentes à força exercida pelo usuário, além de ter ajustado adequadamente o nível de assistência necessária do aparelho de acordo com a necessidade do voluntário. Diante da atuação do sistema, os cientistas concluíram que os algoritmos desenvolvidos ofereceram uma solução sob medida e promissora para fins de reabilitação, estimulando corretamente diferentes comportamentos no indivíduo.

A doença

O acidente vascular cerebral ocorre quando os vasos que levam sangue ao cérebro entopem ou se rompem, bloqueando a circulação sanguínea. Quanto mais rápido o diagnóstico e o tratamento forem feitos, maiores são as chances de recuperação. Os principais sintomas do AVC são fraqueza ou formigamento no rosto, braço ou perna, confusão mental, alterações na fala, visão e equilíbrio e dor de cabeça súbita e intensa. Segundo o Ministério da Saúde, o derrame está em segundo lugar entre as principais causas de morte no Brasil, ficando atrás apenas dos óbitos por problemas cardíacos isquêmicos. Em 2018, foram registrados 197 mil atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) em decorrência da doença, que pode ser tratada de forma gratuita.

Segundo os pesquisadores da EESC, o número de casos de AVC deve aumentar nos próximos anos em função do envelhecimento da população mundial, já que sua incidência é maior entre os idosos, o que evidencia a importância da criação de novas técnicas de reabilitação. Os especialistas contam que os próximos passos do trabalho desenvolvido na USP envolvem a realização de testes com pacientes que sofreram AVC. A expectativa dos cientistas é de que a nova tecnologia, criada no Laboratório de Reabilitação Robótica do SEM, possa estar no mercado em até cinco anos.

As pesquisas foram financiadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Os resultados obtidos nos estudos geraram cinco artigos científicos que foram divulgados em revistas e em um evento acadêmico internacional.

Confira o vídeo demonstrativo do protótipo desenvolvido na USP clicando aqui.

Fonte: Jornal da USP

Cegueira e deficiência visual devem dobrar até 2050

Com o aumento da expectativa de vida e com o envelhecimento populacional, a cegueira e a deficiência visual precisariam ser prioridades da saúde pública mundial. É o que aponta o estudo do Vision Loss Expert Group (VLEG) ao concluir que a cegueira e a deficiência visual devem dobrar até 2050.

A pesquisa Trends in prevalence of blindness and distance and near vision impairment over 30 years: an analysis for the Global Burden of Disease Study acaba de ser publicada e atualiza as estimativas da perda de visão em todo o mundo. Em 2050, a previsão é que 61 milhões de pessoas serão cegas, 474 milhões terão deficiência visual moderada a severa, 360 milhões terão deficiência visual leve e 866 milhões terão presbiopia não corrigida.

“As condições oftalmológicas mais comuns são: catarata senil, degeneração macular relacionada à idade, glaucoma e retinopatia diabética. Além disso, na idade avançada, a deficiência visual não afeta apenas significativamente a qualidade de vida, mas também amplifica comorbidades, como deficiência cognitiva e risco de quedas”, conta o professor João Marcello Furtado, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, coautor do estudo e membro do VLEG.

O Vision Loss Expert Group (VLEG) é formado por médicos oftalmologistas e optometristas com experiência em epidemiologia oftálmica. Entre as ações está o desenvolvimento e aprimoramento de estimativas epidemiológicas para cegueira e deficiência visual. Atualmente, o VLEG possui mais de 100 membros de várias instituições em todo o mundo.

Segundo o professor Furtado, a maioria dos casos de deficiência visual é por falta de óculos, ou seja, pessoas que poderiam enxergar melhor com uso de óculos. E a maior causa de cegueira e a segunda de deficiência visual é a catarata, que possui um tratamento efetivo com cirurgia de intervenção única.

O professor conta que se houvesse um melhor acesso a serviços de qualidade, como consulta para uso de óculos com fornecimento para quem não consegue pagar e cirurgia de catarata, isso diminuiria em muito o número de cegos e deficientes visuais. Pois a grande maioria das pessoas têm erro refrativo não corrigido (uso de óculos) ou catarata. Então, causas mais difíceis, que precisariam de remédio novo, por exemplo, são mais difíceis de tratar, mas têm uma proporção menor.

O professor João Marcello Furtado,
da FMRP – Foto: Arquivo pessoal

“Então, o caminho mais fácil para diminuir isso seria oferecer consultas e óculos e cirurgia de catarata para quem precisa. Isso está no nosso alcance do ponto de vista médico, seria questão de melhorar e ampliar a oferta de serviços para a população.”

O grupo VLEG também publicou, no início de dezembro, o trabalho Causes of blindness and vision impairment in 2020 and trends over 30 years, and prevalence of avoidable blindness in relation to VISION 2020: the Right to Sight: an analysis for the Global Burden of Disease Study, que avaliou a meta do Plano de Ação Global da World Health Asssembly (WHA) de reduzir a deficiência visual evitável entre 2010 e 2020 em todo o mundo. Entretanto, os pesquisadores concluíram que a saúde pública mundial não cumpriu o objetivo estabelecido pelo Plano.

A World Health Assembly é um órgão de tomada de decisões da Organização Mundial da Saúde (OMS) e conta com a participação de delegações de todos os Estados membros da OMS e concentra-se em uma agenda de saúde específica preparada pelo Conselho Executivo.

Os pesquisadores destacam que a saúde pública mundial não cumpriu com o objetivo estabelecido pelo Plano de Ação Global da World Health Asssembly (WHA) de reduzir a deficiência visual evitável entre 2010 e 2020 em todo o mundo. Foto: Freepik

Neste estudo, foi feita uma revisão sistemática e a análise da ocorrência de doenças oculares entre 1980 e 2018 em adultos com 50 anos ou mais. “A Organização Mundial da Saúde (OMS) usou essas estimativas como base para seu relatório mundial de 2019 sobre a visão, que se concentrou no cuidado ocular centrado nas pessoas como meio para o fortalecimento do sistema de saúde”, conta o professor.

Os pesquisadores apontaram que uma das principais causas de cegueira foi a catarata que, apesar de ter tratamento, foi responsável por cerca de 45% dos 33,6 milhões de casos de cegueira global. Além da catarata, outras condições levaram à cegueira, como glaucoma, erro de refração corrigido insuficientemente, degeneração macular relacionada à idade e retinopatia diabética. 

Os estudos foram publicados pela The Lancet Global Health e financiados pelo Brien Holden Vision Institute , Foundation Théa, The Fred Hollows Foundation, Bill & Melinda Gates Foundation, Lions Clubs International Foundation , Sightsavers International e a Universidade de Heidelberg.

Fonte: Jornal da USP

Proteína modificada pode ajudar a entender doenças neurodegenerativas​

Pesquisadores da USP e da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, identificaram que uma mutação da proteína sódio-potássio ATPase (Na+/K+-ATPase) tem capacidade de reduzir a neuroinflamação em experimentos animais. A descoberta abre caminhos para uma melhor compreensão sobre doenças neurodegenerativas e neuropsiquiátricas como Parkinson, Alzheimer, Esclerose Lateral, depressão e ansiedade e, no futuro, possivelmente, o desenvolvimento de novos tratamentos.

A proteína sódio-potássio ATPase é responsável pelo equilíbrio iônico de todas as células humanas e animais. Ou seja, ela transporta íons de potássio e de sódio para o interior e exterior das células, respectivamente, para que estas funcionem saudavelmente. 

“A proteína sódio-potássio ATPase mantém os gradientes eletroquímicos das células, mantém o equilíbrio das concentrações de íons entre a parte interna e externa da membrana celular”, diz a autora da pesquisa, Jacqueline Alves Leite, ao Jornal da USP.

A pesquisa de doutorado foi realizada sob orientação do professor Cristoforo Scavone, do Laboratório de Neurofarmacologia Molecular do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, e foi desenvolvida em parceria com pesquisadores da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, entre eles, Karin Lykke-Hartmann, a co-orientadora do trabalho.

Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Scientific Reports. O trabalho contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Jacqueline Alves Leite (autora da pesquisa) e os orientadores do trabalho: Cristoforo Scavone, professor do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, e Karin Lykke-Hartmann, da Universidade de Aarhus, Dinamarca – Foto: arquivo pessoal dos pesquisadores

Subunidades da proteína sódio-potássio ATPase

Segundo a pesquisadora, a proteína sódio-potássio ATPase está subdividida em unidades alfa, beta e gama, cada uma delas cumprindo suas respectivas funcionalidades no organismo. As subunidades alfas, por sua vez, se apresentam em isoformas alfa-1, alfa-2, alfa-3 e alfa-4 e agem também de forma diferente em cada tecido a que elas pertencem. A isoforma alfa-1 atua em todas as células; a alfa-2 , nas células neuronais (astrócitos), cardíacas, adiposas e musculares; a alfa-3, nos neurônios, e a alfa-4, nos espermatozoides.

O trabalho de Jacqueline analisou como as células gliais de camundongos geneticamente modificados na subunidade alfa-2 da proteína sódio-potássio ATP base reagiriam a processos inflamatórios induzidos por endotoxinas lipopolissacarídeos (LPS) de bactérias Gram negativas. O LPS promove um estímulo de células do Sistema Nervoso Central (SNC) desencadeando uma resposta neuroinflamatória.

“A alfa-2 tem a capacidade de retirar o glutamato, que é o principal neurotransmissor excitatório do SNC, da fenda sináptica dos neurônios e que, em excesso, se torna tóxico, provocando neuroinflamação. Falhas nesse mecanismo levam à degeneração dos neurônios, que resulta em doenças neurodegenerativas”, explica Jacqueline, atualmente professora do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Goiás.

A professora Karin forneceu os animais com a mutação na subunidade “alfa-2”criados por sua equipe, em laboratório, que também pesquisa terapias gênicas para melhorar o quadro de pacientes com doenças que acometem o SNC.

Animais mutados na subunidade alfa-2 da ATPase

A pesquisa consistiu em analisar como as células neuronais de camundongos geneticamente modificados  na subunidade alfa2, da ATpase, reagiriam a processos inflamatórios – Arte: Jornal da USP

Jacqueline explica que trabalhos anteriores realizados pela equipe do professor Scavone já haviam demonstrado que a supressão da subunidade alfa-2 inibia processos neuroinflamatórios em células isoladas do Sistema Nervoso Central (SNC). Os experimentos realizados em animais na Universidade de Aarhus, na Dinamarca, consistiram em administrar endotoxinas LPS em ratos com e sem mutação na subunidade alfa-2 da proteína sódio-potássio ATPase.

Após esse procedimento, quatro horas depois, os camundongos geneticamente modificados, que tinham a deficiência de alfa-2, apresentaram redução do processo neuroinflamatório, devido a uma menor sinalização de LPS. 

“Foi observado uma redução de citocinas inflamatórias tanto no sistema nervoso central quanto no sangue dos animais mutados”, diz. Já os animais selvagens, que estavam com os níveis de alfa2 intactos, apresentaram comportamento doentio, ou seja, eles tiveram maior perda de memória, hipotermia e menor locomoção.

Para o futuro, o grupo do professor Scavone pretende continuar os trabalhos para avaliar os efeitos da deficiência da alfa-2 em modelos animais com inflamações crônicas, o que levaria à morte neuronal e consequentemente às doenças neurodegenerativas. Os experimentos atuais verificaram o potencial dessa proteína em inflamações agudas, em curto prazo.

Fonte: Jornal da USP

Cientistas da USP identificam mais um mecanismo envolvido na forma mais grave da COVID


A covid-19 é uma doença inflamatória causada pelo novo coronavírus, SARS-CoV-2, e a evolução varia bastante entre os pacientes. Algumas pessoas infectadas não apresentam sintomas, enquanto outras evoluem para uma pneumonia grave e até para a síndrome respiratória aguda ou morte.

Só no Brasil já foram quase 170 mil mortes por complicações da covid-19. Os processos que promovem o agravamento dos casos e levam alguns pacientes a óbito ainda são desconhecidos. 

Também são desconhecidos os mecanismos envolvidos na sua natureza inflamatória e resposta imune contra esses vírus, ou seja, os mecanismos de defesa que o organismo utiliza para combater essa infecção. 

Um importante passo para esse entendimento foi dado por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. Estudo liderado pelo professor Dario Zamboni, do Departamento de Biologia Celular e Molecular e Bioagentes Patogênicos da FMRP e do Centro de Pesquisas em Doenças Inflamatórias (Crid), mostra que um conjunto de moléculas presentes dentro das células e envolvidas na inflamação, o chamado inflamassoma, pode ajudar a prever se o paciente evoluirá para casos mais graves ou mais leves da covid-19.

O inflamassoma de NLRP3 é composto de um conjunto de moléculas que, quando ativadas, se aglomeram no interior das células de defesa formando estruturas chamadas “puncta”, que indicam que os inflamassomas estão ativos.

 “Se os inflamassomas estão ativos, eles vão levar a um processo inflamatório que pode promover o controle de algumas infecções. Mas se o processo inflamatório for muito forte, descontrolado, ele pode levar a uma resposta exacerbada, causar danos aos tecidos e piorar o quadro clínico em algumas doenças. Esse parece ser o caso de pacientes com quadros moderados e graves de covid-19, aqueles que procuram atendimento hospitalar”, revela o professor Zamboni.

Dario Simões Zamboni – Foto: Divulgação/FMRP USP

Essa foi a primeira vez que pesquisadores associaram o inflamassoma de NLRP3 com a evolução da covid-19 para desfechos menos favoráveis aos pacientes.

Utilizando amostras de 124 doentes com casos graves e moderados, o estudo mostrou que o grau de ativação dos inflamassomas está associado ao desfecho clínico dos pacientes.

Segundo o professor Zamboni, esses achados sugerem que, nos casos graves, a ativação muito forte do inflamassoma está sendo prejudicial aos pacientes.

“Essa descoberta é importante pois abre caminhos para novas possibilidades de tratamentos para a covid-19, uma vez que já existem drogas eficazes que inibem a ativação dos inflamassomas.”

O estudo, financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp),  acaba de ser publicado no Journal of Experimental Medicine, um dos mais importantes jornais médicos científicos do mundo, e conta com outros 43 autores da USP em Ribeirão Preto e do Hospital das Clínicas da FMRP.

Fonte: Jornal da USP

Desenvolvido pela USP, teste de COVID-19 pela saliva já está disponível

O Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da Universidade de São Paulo (USP) disponibiliza a partir desta terça-feira (01/12) um teste capaz de diagnosticar a COVID-19 pela saliva.

O exame poderá ser feito inicialmente por moradores da capital paulista ao custo de R$ 90 – para quem for à instituição para a coleta da amostra de saliva – ou de R$ 150 – para quem optar por fazer a autocoleta e enviar a amostra para análise por um serviço de retirada e entrega disponibilizado pelo centro.

Para solicitar o teste é preciso fazer um cadastro no link disponível no site do CEGH-CEL, um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela FAPESP no Instituto de Biociências (IB-USP).

“Inicialmente realizaremos no máximo 90 testes por dia [por ordem de cadastro], cujos resultados serão disponibilizados em até 24 horas”, diz à Agência FAPESP Maria Rita Passos-Bueno, pesquisadora do CEGH-CEL e coordenadora do projeto.

O método é uma alternativa ao exame de RT-PCR, considerado o padrão-ouro para detectar o novo coronavírus durante a fase aguda da infecção, e similar aos já desenvolvidos no Brasil e em outros países com o objetivo de aumentar a disponibilidade e a rapidez e diminuir os custos para realização de testes moleculares por meio de simplificações dos processos. Segundo Passos-Bueno, o teste está de acordo com as diretrizes determinadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA) – agência regulamentadora de alimentos e fármacos – concedeu até o fim de agosto autorização para uso emergencial de cinco testes para diagnóstico de COVID-19 baseados em saliva. Uma das autorizações foi para um teste chamado SalivaDirect, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Yale.

No Brasil, o laboratório de genômica Mendelics criou e já comercializa um teste similar, e pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) estão desenvolvendo um kit na mesma linha.

“O teste que desenvolvemos tem algumas pequenas diferenças em comparação com os que têm sido comercializados no Brasil e nos Estados Unidos no que se refere aos reagentes utilizados”, afirma Passos-Bueno.

Teste-piloto

O teste é baseado em uma técnica molecular amplamente utilizada para o diagnóstico de doenças infecciosas, como dengue, chikungunya, hepatite A e zika, chamada RT-LAMP (sigla em inglês de transcrição reversa seguida por amplificação isotérmica mediada por alça).

A técnica molecular tem algumas semelhanças com o método RT-PCR, que utiliza como amostras para realização dos testes secreções do fundo da garganta e do nariz. Em ambas as técnicas são induzidas reações para a realização de uma fase de transcrição reversa (RT), na qual o RNA do vírus é transformado em DNA, e uma fase de amplificação, em que regiões específicas do vírus são replicadas milhões de vezes para que o patógeno possa ser identificado.

Porém, o teste RT-LAMP desenvolvido no CEGH-CEL não requer a extração do RNA do vírus para ser detectado, o que é feito no RT-PCR por meio de reagentes importados, que são caros e frequentemente escassos no mercado, dependendo da demanda.

A eliminação da etapa de extração do RNA pelo teste de RT-LAMP é possível pelo rompimento do capsídeo do vírus por aquecimento e adição de uma solução desenvolvida pelos pesquisadores do CEGH-CEL, que estabiliza o vírus para os processos de conversão do RNA viral em DNA e para a amplificação do material genético do vírus para facilitar a detecção dele na saliva.

Todo esse processo ocorre em temperatura constante, por um método chamado amplificação isotérmica mediada por alça (LAMP, na sigla em inglês) (leia mais em agencia.fapesp.br/33998).

“Conseguimos desenvolver as enzimas necessárias para a realização desse processo, que são os principais insumos do teste, por meio de um trabalho desenvolvido pelo professor Shaker Chuck Farah, do Instituto de Química (IQ) da USP”, diz Passos-Bueno.

O teste foi realizado duas vezes por semana em 25 funcionários do IQ-USP e 30 pessoas ligadas ao IB-USP. O trabalho foi apoiado pela FAPESP e pela empresa JBS.

“Fizemos mais de mil testes com esse grupo de pessoas”, afirma Passos-Bueno.

Os interessados em realizar o teste devem se cadastrar pelo site www.genomacovid19.ib.usp.br. No formulário será possível escolher entre fazer a coleta presencial no CEGH-CEL (situado na rua do Matão, travessa 13, no. 06, Cidade Universitária, Butantã) ou a autocoleta. As informações sobre a data e o horário disponíveis serão enviadas para o e-mail cadastrado.

Fonte: Agência FAPESP
 

Coronavírus pode afetar o sistema reprodutivo masculino

Desde o início da pandemia, estudos têm indicado que homens são afetados mais gravemente pelo novo coronavírus do que mulheres. Para explicar mais sobre o assunto e trazer novas descobertas sobre o impacto da infecção do sars-cov-2 no sistema reprodutivo e sexual masculino, o professor Jorge Hallak, da Faculdade de Medicina (FMUSP) e do Grupo de Estudo em Saúde Masculina do Instituto de Estudos Avançados (IEA), conversou com o Jornal da USP no Ar.

Outras doenças virais, como a caxumba e o zika vírus, causam impactos significativos na saúde reprodutiva e sexual, principalmente de homens. E, segundo evidências científicas recentes, o novo coronavírus também entrará nessa lista. Na pesquisa realizada na FMUSP, foram avaliados pacientes na fase aguda da doença, com objetivo de tentar identificar o vírus no sêmen ejaculado. Hallak conta que esse processo não é tão simples, uma vez que os doentes sofrem com cansaço, tornando difícil garantir a amostra necessária via masturbação.

Apesar disso, a perspectiva é positiva, pois os resultados da pesquisa brasileira se assemelham com estudos internacionais realizados em países como a China. O professor conta que uma das evidências obtidas é a de que o sars-cov-2 tem uma estrutura que afeta o testículo e o epidídimo (ducto que coleta e armazena os espermatozoides): “Nesse contexto, identificamos por ultrassom que uma porcentagem significativa de contaminados pelo sars-cov-2 assintomáticos tiveram uma inflamação importante no epidídimo, diferente das infecções bacterianas. Também vimos alterações das funções dos espermatozoides de maneira moderada, inclusive na qualidade deles, mas ainda não existe evidência de que o vírus possa deixar o indivíduo infértil”.

Por meio de análises e testes, os pesquisadores também conseguiram verificar que o vírus pode afetar ainda mais as células responsáveis por produzir hormônios (como a testosterona) nos testículos, causando uma disfunção na quantidade deles no sangue. Já se sabe que esse é um efeito transitório e recuperável, mas ainda não foi descoberto o período necessário para que isso seja normalizado.

O que se sabe até o momento é que “o vírus tem uma predileção pelo sistema reprodutivo masculino”, de acordo com Hallak. Uma possível explicação é a quantidade de receptores do órgão: depois do pulmão, que é o mais afetado pela síndrome, pois a infecção ocorre por via aérea, os órgãos com mais receptores são os testículos e o rim vem em terceiro lugar. Por isso, “as evidências mostram que a proporção de infecção é a mesma para homens e mulheres, só que a gravidade é 50% maior em indivíduos do sexo masculino. Isso se deve a componentes biológicos e não necessariamente socioambientais”, explica o professor.

Fonte: Jornal da USP

Dia Mundial da Prematuridade

Uma foto dos meus primeiros dias sobrevivendo fora do útero para lembrar que amanhã é o dia mundial da prematuridade.

Vejam que nem a fralda fechada eu podia usar. Eu era muuuuuito sensível!

Essas torneirinhas azuis eram drogas que me mantinham viva. Eu nasci de 27 semanas, pesando 760g e cheguei a pesar 590g quando meus rins pararam e eu super reagi com a medicação.

Dei um trabalhão até estabilizar e, finalmente, começar a ganhar peso. 5 anos já! Ufa!

Prematuridade é coisa séria!

Fonte: Agda, mãe da Amora.

Dispositivo portátil criado por pesquisadores brasileiros detecta o coronavírus em tempo real

O teste rápido é uma ferramenta fundamental no combate à pandemia provocada pelo novo coronavírus no Brasil. Para contribuir com este monitoramento, pesquisadores desenvolveram um dispositivo portátil capaz de detectar o SARS-CoV-2, com análises em tempo real: o GRAPH Covid-19. Com rapidez, precisão de resultados e portabilidade, o novo produto pode contribuir de modo significativo na batalha contra este vírus e também no controle de outros tipos de doenças. O dispositivo foi desenvolvido na Biosintesis, empresa de pesquisa, desenvolvimento e inovação, e residente na Incubadora USP/IPEN-Cietec.

A solução

O GRAPH Covid-19 é uma plataforma de Diagnostic On a Chip (DoC) baseada na tecnologia inovadora de biossensores avançados com nanocompósitos de óxido de grafeno.

Uma das vantagens é que a plataforma de diagnóstico GRAPH usa baixo volume de amostra biológica – como, por exemplo, uma gota de sangue -, sendo capaz de detectar e monitorar diversas doenças, tendo como prioridade testar a infecção por SARS-CoV-2. Além disso, o dispositivo terá produção nacional, dispensando a necessidade de importação de insumos e possibilitando alta escala de produção para atender rapidamente à demanda diagnóstica em todo o País.

Atualmente, os testes rápidos importados são realizados por imunocromatografia, método de baixa acuracidade (exatidão) e que traz grande preocupação com resultados falso-negativos. Por isso, a chegada de biossensores como plataforma diagnóstica no setor clínico é uma evolução tecnológica, com grandes vantagens frente às soluções disponíveis.

De acordo com Fabiana Medeiros, doutora em Biotecnologia pelo Programa de Tecnologia Nuclear do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) da USP e sócia-fundadora da Biosintesis, os biossensores avançados associados a nanocompósitos de óxido de grafeno podem ser usados para diagnóstico em tempo real e monitoramento de diversas doenças.

“Esta tecnologia traz benefícios significativos em relação a metodologias analíticas convencionais, tais como rapidez, alta sensibilidade e especificidade. Sua portabilidade permite diagnosticar o SARS-CoV-2 em qualquer local: postos do SUS, unidades de saúde, drive through, regiões remotas e até no controle de portos e aeroportos”

“Os biossensores, quando aplicados em saúde, podem também detectar os diferentes tipos de biomarcadores prognósticos e diagnósticos associados ao câncer, diabete, Alzheimer, infecções virais (zika, dengue, chikungunya, etc.) e bacterianas, assim como vários tipos de técnicas de sensoriamento eletroquímico utilizadas para a detecção precoce de potenciais biomarcadores para essas doenças”, explica Fabiana.

Diferenciais do equipamento 

O GRAPH Covid-19 apresenta alguns diferenciais. É o método mais rápido disponível no mercado, com resultados em menos de um minuto; não necessita de laboratórios de biossegurança e também não precisa de mão de obra especializada para sua análise. Além disso, o equipamento é totalmente portátil e não necessita de um ponto de energia, internet ou estrutural laboratorial.

É um equipamento que trará muitos benefícios ao monitoramento da pandemia no Brasil, além de apresentar potencial de exportação de tecnologia para outros países. A expectativa é que haja uma redução de custo em torno de 25% em comparação aos testes atuais.

De acordo com Fabiana, estão previstas negociações futuras com as esferas governamentais para oferecer o equipamento a hospitais e postos de saúde. “Somos uma empresa participante do movimento Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), e ficamos em 7º lugar no Concurso Emergencial Covid-19 nº 002/2020 da ABDI/CNI, para a redução dos impactos da pandemia de covid-19 nas áreas de cidades, bairros e conglomerados urbanos brasileiros com população vulnerável. Por esta iniciativa, e especialmente pela parceria com o IPEN, negociações com as esferas municipal, estadual e federal são um dos principais focos do projeto”, destaca.

O funcionamento básico do equipamento em laboratório já foi comprovado. No momento, os responsáveis pelo GRAPH Covid-19 estão trabalhando na validação de diagnóstico do SARS-CoV-2. “Esperamos ter resultados mais robustos no primeiro trimestre de 2021 e, naturalmente, o SUS [Sistema Único de Saúde] será o principal foco de atuação desta tecnologia.”

Segundo Fabiana, é esperado que os biossensores custem em torno de R$ 155,00 em escala de produção. Essa produção em escala está prevista para acontecer a partir do registro da plataforma GRAPH na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Já sobre a previsão de quando o equipamento chegará ao mercado, a expectativa é que os testes sejam iniciados com os primeiros protótipos em laboratórios e unidades de saúde em seis meses.

Parcerias
Sob coordenação da Biosintesis, empresa residente na Incubadora USP/IPEN-Cietec, o projeto tem parceria com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Conta com a participação de uma equipe de pesquisadores multidisciplinares, composta de quatro diferentes Centros de Pesquisas:  Biotecnologia (CEBIO), Ciência e Tecnologia de Materiais (CCTM), Combustível Nuclear (CECON) e Tecnologia das Radiações (CETER).“Com a pandemia, as empresas e o governo estão ampliando os investimentos em projetos de inovação e automação de empresas, principalmente para produção de equipamentos hospitalares que podem ser usados no combate ao novo coronavírus. O momento é oportuno para startups voltadas à saúde, como a Biosintesis, que está trazendo sua importante contribuição, por meio da criação deste dispositivo inovador”, afirma Sergio Risola, diretor-executivo do Cietec.Com foco no desenvolvimento de soluções para apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS), o IPEN/CNEN tem incentivado e apoiado vários projetos de pesquisa na prevenção e no combate à covid-19, os quais têm caráter inovador e propõem soluções criativas para o enfrentamento aos desafios desse momento de crise no País. “Muitas dessas pesquisas têm se revelado um sucesso, este é o caso da Biosintesis, que conta com a colaboração de pesquisadores de vários Centros de Pesquisa do IPEN, os quais, com suas expertises, têm dado grande contribuição para o sucesso do projeto. Esses recursos humanos altamente qualificados são motivo de muito orgulho para a nossa instituição”, avalia Isolda Costa, diretora de Pesquisa, Ensino e Desenvolvimento do IPEN.

Sobre o Biosintesis 
Em operação desde 2008, o laboratório Biosintesis atua em duas frentes centrais de trabalho: pesquisa, desenvolvimento, inovação: desenvolvimento de novos materiais, engenharia de tecidos e testes/protocolos in vitro; e prestação de serviços para P&D e registro de produtos, atendendo a cinco áreas principais: dispositivos médicos e odontológicos, farmacêutica, puericultura e cosméticos.

Sobre o IPEN
Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) é uma autarquia vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) do governo do Estado de São Paulo e gerida técnica e administrativamente pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) do governo federal.Com destacada atuação na área nuclear, proporcionando avanços significativos no domínio de tecnologias, na produção de materiais e na prestação de serviços de valor econômico e estratégico para o País, o IPEN/CNEN também é excelência na formação de recursos humanos, no âmbito de seu Programa de Pós-Graduação em Tecnologia Nuclear associado à USP.

Sobre o Cietec
O Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), fundado em abril de 1998, tem como missão incentivar o empreendedorismo e a inovação tecnológica por meio da criação, fortalecimento e a consolidação de empresas de base tecnológica. O Cietec apoia a transformação de conhecimento em produtos e serviços para o mercado, a inserção no ecossistema de inovação, a capacitação técnica e de comercialização, contribuindo para o aumento da competitividade no Brasil.O Cietec é a entidade gestora da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica USP/IPEN, onde são conduzidos processos de incubação de empresas inovadoras, em diferentes níveis de maturidade. Nesses processos, são oferecidos serviços de apoio para demandas nas áreas de gestão tecnológica, empresarial e mercadológica, aproximação com o investimento-anjo, capital semente e venture capital, recursos de fomento público, além de infraestrutura física para a instalação e operação dessas empresas.

Fonte: Jornal da USP

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