Você sabe identificar quando uma ferida está piorando? Se a resposta for não, leia esse post que nós te explicamos!

As feridas crônicas são aquelas que demoram mais de 12 semanas para cicatrizar, as vezes levam anos. Você sabe avaliar se ela está evoluindo bem?

Todos nós já tivemos em algum momento da vida uma lesão de pele seja um corte com faca na cozinha, uma queimadura no fogão dentre inúmeras outras situações cotidianas que levam a provocar uma lesão. Ainda tem as feridas operatórias e as que podem estar associadas a problemas de saúde, por exemplo, se a pessoa sofre um derrame ou AVC (acidente vascular cerebral), a falta de movimentação e sensibilidade elevam o risco de ocorrência de lesão de pele, chamada Lesão por Pressão. Também as pessoas com diabetes e aquelas com problemas circulatórios podem ter feridas nos pés e/ou nas pernas. Essas lesões são de difícil cicatrização e demoram mais tempo pra fechar.

Existem sinais e sintomas que podem estar relacionados a piora da lesão e, portanto, se faz necessária avaliação com profissionais da saúde para o tratamento da lesão. É importante entender que o tratamento da pessoa com lesão é feito de acordo com avaliação da ferida e da pessoa, portanto o tratamento que foi realizado em uma pessoa pode não ser adequado para a outra.

Mas afinal, a quais sinais devemos estar atentos quando temos uma lesão?

Dor: Aparecimento da dor ou aumento da intensidade.

Hiperemia: Pele avermelhada e quente ao redor do leito da lesão.

Exsudato: Aumento na quantidade secreção da ferida e parecido com pus.

Dificuldade na cicatrização: A ferida não fecha ou aumenta de tamanho, mesmo seguindo as orientações dos profissionais.

Odor: Em muitos casos o surgimento do chamado “cheiro ruim” associado a dor são os fatores que mais incomodam e podem indicar infecção.

Tipo de tecido do leito da lesão: Mudança na coloração do tecido presente no leito da lesão pode estar associado com piora do quadro.

O tecido considerado saudável é vermelho vivo, brilhante.

Fonte: Acervo particular da Profª  Drª Maria Helena Larcher Caliri( Imagens de livre acesso disponível em: http://eerp.usp.br/feridascronicas/estudos_caso.html)

A presença de tecido preto ou amarelado são indicativos de piora da lesão.

Fonte: Acervo particular da Profª  Drª Maria Helena Larcher Caliri ( Imagens de livre acesso disponível em: http://eerp.usp.br/feridascronicas/estudos_caso.html)
Fonte: Acervo particular da Profª  Drª Maria Helena Larcher Caliri( Imagens de livre acesso disponível em: http://eerp.usp.br/feridascronicas/estudos_caso.html)

Caso além dos sintomas locais a pessoa apresente mal estar, inapetência e febre, deve-se procurar o serviço de saúde para avaliação detalhada do quadro o mais rápido possível.

A avaliação e o acompanhamento da evolução da ferida pelo profissional de saúde são fundamentais!

Referências (saiba mais)

Associação Brasileira de Estomaterapia SOBEST – GUIA DE BOAS PRÁTICAS –  2016, disponível em: https://sobest.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Preparo-do-leito-da-ferida_SOBEST-e-URGO-2016.pdf

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Manual do pé diabético: estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica. Brasília: Ministério da Saúde, 2016. 62 p. Disponível em: http://www.as.saude.ms.gov.br/wp-content/uploads/2016/06/manual_do_pe_diabetico.pdf. Acesso em: 14 set. 2021.

Conselho Federal de Enfermagem – COFEn – RESOLUÇÃO COFEN Nº 567/2018 – disponível em:http://www.cofen.gov.br/resolucao-cofenno-567-2018_60340.html

Coutinho Júnior NFL; Bezerra SMG; Branco NFLC; Carvalho MRD; Rocha Júnior K; Ferreira LFO; Rocha ESB. Ferramenta TIME para avaliação de feridas: concordância interobservador. ESTIMA, Braz. J. Enterostomal Ther., 18: e 1720, 2020. https:// doi.org/10.30886/estima.v18.875_PT

Autores:

Janderson Cleiton Aguiar. Enfermeiro Estomaterapeuta, Doutorando pelo Programa de Pós Graduação em Enfermagem Fundamental da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto – EERP USP. http://lattes.cnpq.br/1227295880162203

Soraia Assad Nasbine Rabeh Enfermeira. Doutora. Professora na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP. http://lattes.cnpq.br/2277806195411140

Fabiana Faleiros Santana Castro: Enfermeira. Doutora. Professora na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP. http://lattes.cnpq.br/8991651738080247

Marislei Sanches Panobianco, Enfermeira Doutora. Professora na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP. http://lattes.cnpq.br/4340382197424634

Você está satisfeito com a vida?

Saiba como avaliar a sua satisfação com a vida! Como você definiria satisfação com a vida? Quem são as pessoas mais satisfeitas para você? Venha ler esse post e desconstruir seus conceitos sobre o tema.

Você sabe o que é satisfação com a vida?

Satisfação com a vida é a forma com que avaliamos nossa atual condição, se consideramos boa ou ruim a maneira com que estamos vivendo. É um processo mental, crítico e individual, ou seja, cada pessoa julga o quanto sua vida é satisfatória, a partir do padrão que ela mesmo estabelece. Está relacionada com a saúde, o trabalho, relações sociais e autonomia no cotidiano.

Mas afinal, o que esse conceito tem a ver com as pessoas com deficiência?

Pode ser do senso comum acreditar que pessoas com deficiência tenham baixa satisfação com a vida e até mesmo tenham dificuldade em atribuir um sentido a ela, devido as adversidades e preconceitos vindos da sociedade, que ainda tem, infelizmente, uma cultura que reproduz o capacitismo (Definição – O capacitismo significa a discriminação de pessoas com deficiência, o termo está relacionado com a construção social de um padrão perfeito considerado “normal” e da subestimação da capacidade e de pessoas com deficiências). Porém uma pesquisa realizada na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto vem nos provar o contrário (https://www.revistas.usp.br/actafisiatrica/article/view/177134/170078).

Lesão medular traumática e a Satisfação  

Para surpresa dos pesquisadores, ao pesquisar a satisfação com a vida em pessoas que ficaram paraplégicas ou tetraplégicas após algum acidente, a média da pontuação obtida estava muito próxima a média de pessoas sem deficiência, ou seja, esse sério acometimento, não diminuiu a satisfação com a vida das pessoas, que agora possuíam uma deficiência.

A maioria dos participantes (60%) se enquadravam nas categorias de pessoas satisfeitas com a vida, ao passo que 36,5% se enquadravam nas categorias de insatisfação e 3,5% foram classificados com neutros, nem satisfeitos nem insatisfeitos.

Tempo

Os resultados dessa pesquisa podem estar relacionados a inúmeros aspectos de vida e sociais dos participantes, porém foi o tempo desde a Lesão Medular que ganhou destaque nesta pesquisa. Foi constatado que quanto mais tempo de LMT um participante tinha, maior era sua satisfação com a vida, indicando que tudo está relacionado a adaptação a nova condição, e a ressignificação de padrões impostos pela sociedade.

O que a sociedade pode aprender com isso?

Que ser uma pessoa com deficiência não significa ter uma vida insatisfatória e que presumir isso é reproduzir atitudes capacitistas. É necessário um olhar sobre a diversidade humana e compreender que essa diversidade é o que nos movimenta. O verdadeiro caminho para uma inclusão efetiva, perpassa pela garantia das pessoas terem direito de serem quem são, com toda diversidade intelectual, de corpos e de saberes, sem precisarem se enquadrar em padrões pré-estabelecidos para alcançar a felicidade.

SAIBA MAIS:

Castro FFS, Bimbatti    KF, Carvalho AAG, Gonçalves ML, Lopes FG, Schutt W. Satisfaction and meaning in life for individuals with traumatic spinal cord injury. Acta Fisiatr.  2020;27(4):213-219

Autores

Karina de Fátima Bimbatti. Enfermeira pela Universidade de São Paulo – Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto. Mestranda pelo programa Enfermagem Fundamental.

Thayná Bragagnollo Nery. Enfermeira pela Universidade de São Paulo – Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto. Mestranda pelo programa Enfermagem Saúde Pública.

Profª Draª Fabiana Faleiros. Professora Doutora do Departamento Geral e Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Profª Draª Marislei Sanches Panobianco. Enfermeira. Professora Associada do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e de Saúde Pública da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Profª Draª Soraia Assad Nasbine Rabeh. Enfermeira. Professora Doutora do Departamento de Enfermagem Geral e Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

5 dicas para um sexo sem barreiras

Informação, comunicação e criatividade são ingredientes essenciais para o sexo acessível

1 – Conheça e explore o seu corpo

Você se conhece? Provavelmente sabe o que causa desconforto, mas e o que dá prazer? Uma deficiência ou condição crônica que cause fraqueza, dor, alteração da sensibilidade e/ou dos movimentos pode afetar alguma fase da resposta sexual, mas não impede a pessoa de viver sua sexualidade prazerosamente. Esta resposta sexual é influenciada pelos aspectos emocionais, pela vivência da sexualidade e sua estimulação.

Nossa mente é o nosso maior órgão sexual. E ela não depende dos genitais na elaboração das experiências eróticas, do desejo, da excitação sexual e do orgasmo. Quando a sensibilidade está alterada, é necessário revisar as experiências, criar e readaptar hábitos e maneiras de alcançar a satisfação consigo mesmo e com o(a) outro (a), experimentar todo o potencial das áreas onde se sente prazer. As chamadas zonas erógenas são partes do corpo onde o toque pode causar excitação sexual, e variam de pessoa para pessoa: cabelos, cabeça, mamilos, pescoço, orelhas, zona de transição (no caso da lesão medular), dobras de cotovelo e joelhos, genitais, pés, entre outras. Conheça as suas áreas de prazer, sinta e observe as sensações despertadas, e como prefere ser tocado em cada uma delas.

2 – Antes de se dedicar a outra pessoa, cuide-se!                              

Busque orientações de fontes confiáveis. A desinformação pode fragilizar a pessoa em seu processo de relação com a imagem corporal, autoestima e identidade sexual. A deficiência não impede a pessoa de se relacionar afetiva e sexualmente. Desligar-se de padrões e preconceitos é necessário para se entregar, e isso vale para todas as pessoas. Conhecendo-se melhor, e uma vez encontrada a pessoa com quem você queira se relacionar, são necessários alguns cuidados.

Evitar grandes quantidades de líquidos e alimentos pesados antes do seu encontro pode prevenir desconfortos. Caso tenha necessidade, use os seus medicamentos analgésicos e para espasmos musculares também com antecedência. Eliminar a dor e a espasticidade deixa mais espaço para o prazer. É importante esvaziar a bexiga e o intestino antes da atividade sexual para evitar perdas urinárias ou fecais, e na hora do banho, tenha cuidado especial com a higiene íntima. 

3 – Conecte-se com seu parceiro(a)

O vínculo com outras pessoas é construído através do afeto e diálogo, tornando possível a intimidade e a confiança. Diga a seu(a) parceiro(a) exatamente o que é bom ou não. Pratique a conversa sexual: expresse verbalmente seus desejos e fantasias; quando estiverem juntos, descreva o que você está fazendo, ou se não estiverem, fale o que gostaria de fazer no próximo encontro. Em qualquer relação podem acontecer imprevistos, portanto, nessa hora, procurem lidar com bom humor e parceria.

 4 – Aproveite o momento

Programe as atividades sexuais quando se sentir com mais energia e disposição, sem cansaço ou dores que podem comprometer o momento. Quando a mobilidade está alterada, descubra posições confortáveis no leito: use travesseiros para posicionar e estabilizar o corpo, possibilitando melhor contato íntimo com o(a) parceiro(a). A relação sexual não é o princípio e o fim de toda a atividade sexual. Explorem outras atividades eróticas como carícias, massagens, masturbação mútua, sexo oral e uso de acessórios que aumentem as sensações prazerosas. Experimentem posições e atividades sexuais que minimizem o desconforto e maximizem a mobilidade. Esta é sua oportunidade de ser criativo(a) – procure imagens para adaptá-las às suas necessidades.

5 – Para ele e para ela

O preservativo (camisinha) é o único método capaz de prevenir a gravidez e proteger contra as ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) ao mesmo tempo. Entretanto, algumas pessoas podem ser alérgicas ou apresentar irritações ao usá-lo, neste caso são indicados os preservativos sem látex.

Dificuldades com ereção podem ocorrer por alterações neurológicas, vasculares ou efeitos colaterais de medicamentos. Existem vários tratamentos para a disfunção erétil. Isso inclui medicamentos orais, bombas de vácuo, dispositivos de constrição (também conhecidos como anéis penianos), injeções penianas e implantes cirúrgicos. Alguns homens podem apresentar ainda ejaculação retrógrada, e o sêmen em vez de ser expelido na hora do orgasmo, pode sair junto com a urina na micção. Caso seja necessário o tratamento da infertilidade, procure centros de referência de reprodução assistida.

As mulheres devem manter controle com seu ginecologista regularmente, e escolher um método contraceptivo ideal. A lubrificação vulvovaginal pode ser complementada ou substituída pelo gel lubrificante à base de água. Na lesão medular, a menstruação pode sofrer interrupção temporária que vai de 3 meses a 1 ano, com posterior retorno do fluxo e ciclos regulares. A gestação deve ser acompanhada de perto pelo fisiatra e obstetra.

Em caso de dúvidas, procure um enfermeiro de reabilitação ou seu médico especializado.

AUTORES:
Eliz Ferreira – Enfermeira graduada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, especializada em Qualidade em Saúde e Segurança do Paciente pela parceria da Fiocruz e a Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa – Lattes iD http://lattes.cnpq.br/3449690579942946

Com a contribuição de
Marcela Silva e Ferreira Santos – Consultora em Saúde e Educação Sexual certificada pela Abrasex

Profª Draª Fabiana Faleiros. Professora Doutora do Departamento Geral e Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Profª Draª Marislei Sanches Panobianco. Enfermeira. Professora Associada do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e de Saúde Pública da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Profª Draª Soraia Assad Nasbine Rabeh. Enfermeira. Professora Doutora do Departamento de Enfermagem Geral e Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

SAIBA MAIS

Oliveira, Deyse Cardoso de. A Mulher Com Lesao Medular E a Sexualidade: Sociopoetizando O Cuidado Clinico De Enfermagem. 2008. Disponivel em Domínio Público – Resultado da Pesquisa Básica (dominiopublico.gov.br)

Maia, Ana Cláudia Bortolozzi e Ribeiro, Paulo Rennes Marçal Desfazendo mitos para minimizar o preconceito sobre a sexualidade de pessoas com deficiências. Revista Brasileira de Educação Especial [online]. 2010, v. 16, n. 2 [Acessado 14 Setembro 2021] , pp. 159-176. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S1413-65382010000200002>. Epub 01 Out 2010. ISSN 1980-5470. https://doi.org/10.1590/S1413-65382010000200002

E o sexo continua… Descobertas após lesão medular – D+Informação – USP (demaisinformacao.com.br)

6 mitos e verdades sobre a sexualidade de cadeirante (freedom.ind.br)

“Pensam que não transo”: pessoas com deficiência falam sobre a vida sexual – 18/05/2019 – UOL Universa

Por que a sexualidade das pessoas com deficiência ainda é tabu | Hypeness – Inovação e criatividade para todos.

Blog do Cadeirante

A VOZ SILENCIOSA: O QUE É COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA?

Imagine, de repente, você acordar em outro país, num local onde você não conhece simplesmente uma única palavra.  Por mais que você tenha vontade de se comunicar para pedir água, comida, ou até ir ao banheiro, você simplesmente não consegue se comunicar naquela língua…

Pensou? O que você sentiu? Esta é a realidade cotidiana das pessoas com Necessidades Complexas de Comunicação que ainda não utilizam recursos de Comunicação Alternativa e Suplementar. Quem são estas pessoas? São pessoas com atraso no desenvolvimento da linguagem, autistas, pessoas com Síndrome de Down, pessoas com sequelas de Paralisia Cerebral, Acidente Vascular Encefálico, entre outros.

A comunicação é muito importante. É por meio dela que transmitimos nossos desejos, comentários, opiniões e expressamos nossos sentimentos e pensamentos. Como garantir este direito a pessoas que não possuem ou perderam a fala?

Nestas condições, podemos utilizar a Comunicação Alternativa e Suplementar. Esta envolve o uso de gestos manuais, figuras, sistemas assistidos de voz, dentre outros recursos empregados para substituir ou suplementar as formas comuns de comunicação. Infelizmente, no Brasil, ainda vemos poucas pessoas se utilizando deste recurso.

A Comunicação Alternativa e Suplementar permite ao seu usuário a autonomia para dizer o que quiser, quando quiser, onde quiser e a quem quiser, se quiser. Ele confere “voz” às pessoas que não conseguem fazê-lo sozinhos. Existem diferentes auxílios, os chamados de baixa tecnologia que são os não eletrônicos e os de alta tecnologia, que utilizam aparelhos eletrônicos. Independente do tipo de tecnologia utilizada é no acesso que esta tecnologia proporciona que está sua grande vantagem.

 A Comunicação Alternativa e Suplementar deve acontecer a qualquer momento e em qualquer ambiente, inclusive na escola. Por que, não? A escola é o ambiente onde as pessoas passam boa parte da vida. Não faria sentido amordaçar uma criança em sala de aula, não é mesmo? Da mesma forma, não é justo negar os recursos de CSA na escola. É necessário que os professores se apropriem deste conhecimento para que os estudantes possam utilizar seu recurso de comunicação da forma mais natural possível.

Como praticar uma inclusão genuína sem “ouvir” o outro? O objetivo principal da Comunicação Alternativa e Suplementar é compreender e ser compreendido, para que haja uma participação social ativa. Mas para que isso aconteça é indispensável o apoio da comunidade à qual pertence a pessoa com Necessidade Complexa de Comunicação. É diferente, mas não é difícil, só precisa abrir sua mente e começar a praticar.

Como posso conseguir uma pasta de comunicação alternativa? O ideal é que você procure um profissional fonoaudiólogo que organizará a pasta (ou outra tecnologia) de acordo com as necessidades de cada pessoa. Mas se na sua cidade não tiver este profissional você pode conseguir figuras na internet e montar a pasta de comunicação. Um site bem interessante com figuras gratuitas é o https://arasaac.org/pictograms/search.

Gostou deste conteúdo e deseja saber mais?

SAIBA MAIS:            

DELIBERATO, Débora; ADURENS, Fernanda Delai Lucas; ROCHA, Aila Narene Dahwache Criado. Brincar e Contar Histórias com Crianças com Transtorno do Espectro Autista: Mediação do Adulto. Rev. bras. educ. espec.,  Bauru,  v. 27,  e0128,    2021 . 

NUNES, Débora Regina de Paula; BARBOSA, João Paulo da Silva; NUNES, Leila Regina de Paula. Comunicação Alternativa para Alunos com Autismo na Escola: uma Revisão da Literatura. Rev. bras. educ. espec., Bauru, v.27, e0212, 2021.  

VASCONCELLOS, Roseli; DEL RE, Alessandra. PARALISIA CEREBRAL: EFEITOS DA ESCRITA SOBRE A ESCRITA. Alfa, rev. linguíst. (São José Rio Preto),  São Paulo,  v. 61, n. 2, p. 319-349,  ago.  2017. 

RODRIGUES, Viviane; CAMPOS, Juliane Aparecida de Paula Perez; ALMEIDA, Maria Amélia. USO DO PECS ASSOCIADO AO VIDEO MODELING NA CRIANÇA COM SÍNDROME DE DOWN. Rev. bras. educ. espec.,  Marília,  v. 21, n. 4, p. 379-392,  dez.  2015.  

Autores

Deyse Braga. Enfermeira. Pós-doutoranda pelo Programa de Pós Graduação em Enfermagem Fundamental da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto – EERP USP.

Profa Draª Fabiana Faleiros. Enfermeira. Professora Doutora do Departamento Geral e Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Profª Draª Marislei Sanches Panobianco. Enfermeira. Professora Associada do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e de Saúde Pública da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Profª Draª Soraia Assad Nasbine Rabeh. Enfermeira. Professora Doutora do Departamento de Enfermagem Geral e Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Gestantes com deficiência: como enfrentar essa dupla vulnerabilidade?

Durante minha trajetória profissional, trabalhando com saúde da mulher, fui surpreendida diversas vezes com questionamentos sobre a possibilidade de mulheres com deficiência, inclusive física, poderem engravidar e parir.

O espanto da sociedade diante da resposta: “SIM, elas podem realizar o sonho da maternidade” nos faz refletir sobre o quanto a condição da deficiência se sobrepõe à pessoa, uma vez que historicamente a mulher com deficiência foi vítima de uma carga de opressão sexual, social e emocional.

Vale salientar, antes de tudo que a gestação por si só promove modificações e adaptações no organismo materno independentemente da presença de condições prévias. Tais fatores são fundamentais para um acompanhamento com uma equipe interdisciplinar que proporcione uma assistência segura e respeitosa à dupla mãe-bebê.

Ora, se todas as mulheres podem enfrentar medos e anseios diante das mudanças corporais e fisiológicas inerentes aos períodos pré e pós-parto, quais serão as dificuldades encontradas pelas gestantes, parturientes e puérperas com alguma deficiência? 

Podemos, dessa forma apresentar uma imensa lista de marcadores sociais capazes de duplicar a vulnerabilidade das mulheres com deficiência: estigmas, desigualdade de gênero, preconceito, dificuldade de acesso, justiça, saúde e benefícios sociais. Além disso, a baixa  capacitação dos profissionais e os poucos estudos sobre a temática geram lacunas na educação em saúde, limitando a oferta de informações acerca dos direitos sexuais e reprodutivos dessas mulheres. 

E quanto aos riscos? Sim, eles também podem existir. Por se tratar de um período caracterizado por mudanças físicas, psíquicas, biológicas e espirituais, doenças prévias diagnosticadas podem se agravar, assim como a própria gestação pode desencadear riscos para mãe e bebê. Desta forma, é fundamental o acompanhamento por uma equipe comprometida que atenda integralmente às suas especificidades, contemplando os fatores de interferência que a deficiência possa exercer sobre a gestação.

Para isso, o respeito pelas escolhas e a confiança serão pontos-chave desde o planejamento familiar até a condução da gravidez, parto e pós-parto. A participação ativa na tomada de decisão, o apoio recebido pelos amigos e familiares, a troca de saberes com outras mulheres com deficiência que gestaram, pariram e possuem experiência no assunto podem contribuir com maior segurança e autonomia.

O pré-natal deve ser iniciado logo após a descoberta da gravidez, tornando-se peça principal para a proteção da saúde materno-infantil. Os exames laboratoriais, as ultrassonografias e o calendário de consultas e vacinas devem seguir as recomendações e protocolos de órgãos como a Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde.

Com relação à via de parto, a escolha por um parto normal ou cesariana poderá ser feita pela mulher desde que não ofereça comprometimento da saúde materna e fetal, assim como as informações envolvendo intervenções (ex.: rompimento da bolsa amniótica e toques vaginais) vantagens e desvantagens, bem como os riscos envolvidos.

Por último, mas não menos importante, temos o pós-parto, comumente relacionado a sentimentos de tristeza, incertezas e medos sobre a chegada do bebê. As redes de apoio neste momento se revelam como âncoras para colaborar na autoestima, autoconfiança e no empoderamento da mulher.

No sentido de reduzir as chances de violência obstétrica às mulheres, especialmente aquelas com deficiência, que já se apresentam vulneráveis por essa condição, uma alternativa de informação mais efetiva seria a oferta de atividades lúdicas consideradas atrativas e acessíveis como podcasts, vídeos ilustrativos ou cartilhas em braile.

Esperamos que o texto proporcione uma reflexão sobre a extrema necessidade de romper estereótipos, aumentar a visibilidade e promover o alcance da humanização na gestação, parto e nascimento para todas as mulheres com deficiência.

“Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade” Simone de Beauvoir, 1967.

SAIBA MAIS

Autores:

Geyslane Pereira Melo de Albuquerque. Enfermeira pela Universidade Federal de Pernambuco/ Centro Acadêmico de Vitória (UFPE-CAV). Doutoranda pelo Programa Associado de Pós-Graduação em Enfermagem. Lattes: http://lattes.cnpq.br/4014711467514511

Profª Draª Fabiana Faleiros. Professora Doutora do Departamento Geral e Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Profª Draª Marislei Sanches Panobianco. Enfermeira. Professora Associada do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e de Saúde Pública da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Profª Draª Soraia Assad Nasbine Rabeh. Enfermeira. Professora Doutora do Departamento de Enfermagem Geral e Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Diversidade importa sim: Inspire-se!

Quatro perfis de instagram que você precisa conhecer para entender e conhecer um pouco sobre o dia a dia de influencers com deficiência que conquistaram o mundo da internet.

Para remover as barreiras impostas pelos padrões socialmente aceitos é fundamental reconhecer a si mesmo e ao outro como seres singulares, com direitos a serem respeitados e como indivíduos importantes para o mundo. Para isso há diversos caminhos, e um deles é a representatividade e o empoderamento, que especificamente nas redes sociais, auxiliam no processo de inclusão e valorização da diversidade humana. O despertar da curiosidade e o respeito ao outro é a chave para conseguir atingir milhares de seguidores e inspirar, como os perfis do instagram que serão apresentados:

  • @lorenaeltzz: Lorena Eltz tem apenas 20 anos, possui 595 mil seguidores no Instagram. Criadora de conteúdo, mulher com deficiência, gaúcha, homossexual, usa suas redes sociais para falar da sua vida pessoal, sua rotina e sentimentos frente à hospitalização, bem como esclarecer dúvidas sobre a Doença de Crohn, a qual foi diagnosticada. A doença consiste em uma inflamação grave que afeta o intestino, o que dificulta a absorção, devido a isso possui uma ostomia desde os 12 anos de idade e só em 2020 que começou a falar sobre nas redes sociais. “Meu objetivo é informar as pessoas sobre algo que não é falado na internet e, quando é falado, é mostrado como motivo de vergonha ou tabu”.
  • @paola_antonini: Paola Antonini sofreu um acidente de carro em 2014, aos 20 anos de idade, e teve que amputar sua perna esquerda. Utiliza as redes sociais para incentivar e mostrar que após o acidente sua vida mudou, a fez querer viver mais e tentar coisas novas. “Todo mundo falava: isso aqui vai ser difícil. Daí eu falava: então vou tentar. E aí eu comecei a me exercitar muito, a tentar coisas como skate, surfe, dança… Todos os esportes possíveis”. Com 2,7 milhões e grande visualização, criou o Instituto Paola Antonini (@institutopaolaantonini), projeto que nasceu com o objetivo de proporcionar acessibilidade e mobilidade às pessoas com deficiência física, através de doações de próteses, órteses, cadeiras de rodas e acessórios para reabilitação.
  • @kitanadreams: O carioca Leonardo Braconnot assume um personagem importantíssimo nas redes sociais: Kitana Dreams. A drag queen surda aborda temas importantíssimos em seu canal, além de falar sobre questões LGBT, ela também faz ótimos vídeos com tutoriais de maquiagem e, claro, dialoga com seus seguidores sobre a vida de uma pessoa surda. Kitana faz diversos vídeos ensinando as pessoas sobre a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Conta com 30,1 mil seguidores no Instagram.
  • @downlicia_oficial: Gabriel Bernardes, um jovem que está fazendo muito sucesso nas redes sociais com suas diversas receitas de uma maneira criativa e divertida. O paulista concluiu alguns cursos de gastronomia e decidiu fazer seus próprios experimentos na cozinha, montando a Downlicia. Com sua mãe desempregada, Gabriel começou a fazer seus brigadeiros para as pessoas no bairro e familiares. Pouco depois, começaram as encomendas dos Brigadeiros Gourmet Downlicia. Atualmente possui 336 mil seguidores no instagram e diversos prêmios gastronômicos. “Cozinhar é servir o outro. Não há nada melhor na vida do que servir. Por isso que empreender na cozinha me completa. A alegria de ver o outro se alimentando com algo que eu preparei, coloquei minha energia e me doei para fazer, não tem preço”.

Autores:

Karina de Fátima Bimbatti. Enfermeira pela Universidade de São Paulo – Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto. Mestranda pelo programa Enfermagem Fundamental.

Thayná Bragagnollo Nery. Enfermeira pela Universidade de São Paulo – Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto. Mestranda pelo programa Enfermagem Saúde Pública.

Profª Draª Fabiana Faleiros. Professora Doutora do Departamento Geral e Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Profª Draª Marislei Sanches Panobianco. Enfermeira. Professora Associada do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e de Saúde Pública da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Profª Draª Soraia Assad Nasbine Rabeh. Enfermeira. Professora Doutora do Departamento de Enfermagem Geral e Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Grupo da USP investiga impactos da covid-19 no cérebro humano

Experimentos com organoides cerebrais, chamados popularmente de minicérebros, foram essenciais para a identificação do vírus zika como agente causador de microcefalia. Agora, esse mesmo modelo de estudo será usado por pesquisadores da Plataforma Científica Pasteur (SPPU) da USP para investigar os possíveis danos causados pelo coronavírus no cérebro.

Além dos organoides cerebrais, também serão usados neurônios corticais, de uma região do cérebro conhecida como córtex, ambos produzidos a partir de células-tronco pluripotentes induzidas (iPSC, na sigla em inglês) – técnica que possibilita reprogramar uma célula adulta para que retorne a um estágio não diferenciado. “Ao ser manipulada em laboratório, a célula volta a ter comportamento embrionário e, assim, pode ser transformada em qualquer tipo de célula”, explica a pós-doutoranda Fabiele Baldino Russo, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, em entrevista à Assessoria de Comunicação da SPPU.

O procedimento descrito pela bióloga possibilita criar aglomerados celulares com a mesma estrutura e função de um cérebro. “Essas estruturas mimetizam muito bem o que ocorre nos tecidos humanos que enfrentam infecções”, acrescenta Fabiele.

Fabiele Balbino Russo – Foto: NeuroConecta

Os resultados da pesquisa deverão ajudar a compreender a patogenicidade e os mecanismos de infecção do sars-cov-2 no cérebro. Isso porque há cada vez mais relatos clínicos de pacientes com covid-19 com danos neurológicos, confusão mental, perda de paladar e olfato, convulsões, distúrbios motores e encefalite.

O material biológico necessário à pesquisa está sendo obtido com dentes de leite cedidos por voluntários. A partir das células-tronco extraídas da polpa dentária, são produzidos in vitro os neurônios, em 2D, e os organoides cerebrais, em 3D, que depois serão infectados com o sars-cov-2. Dessa forma, espera-se conseguir analisar os tipos celulares mais afetados pelo vírus, além de verificar se ocorre morte celular.

“A proposta é entender a ação do sars-cov-2 nas células do sistema nervoso. Investigar, por exemplo, se o vírus afeta as sinapses dos neurônios ou mesmo destrói essas células nervosas. Ou se os infectados serão mais propensos a ter a doença de Alzheimer no futuro, por exemplo”, comenta a pesquisadora, que prevê os primeiros resultados para 2022.

Na SPPU, a técnica iPSC também será usada para a triagem in vitro de drogas contra o vírus zika. Em paralelo, serão produzidos organoides cerebrais a partir de células-tronco pluripotentes de ovinos ou caprinos, o que possibilitará avançar nos estudos que investigam os mecanismos de comprometimento cerebral nesses animais por Trypanosoma vivax, o protozoário causador da tripanossomose, doença que causa diversos problemas de saúde e pode levar à morte. Esses estudos serão realizados pela biomédica Ethiane Segabinazi e pela bióloga Ana Paula Pessoa Vilela, ambas pós-doutorandas na SPPU e bolsistas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Fonte: Agência FAPESP

Projeto busca identificar precocemente problemas no desenvolvimento infantil

Por que crianças pequenas já desenvolvem boas funções executivas (como habilidade de planejamento e contenção de impulsos) e habilidades de linguagem, enquanto outras não? A USP passa a integrar um programa internacional colaborativo de pesquisa sobre os primeiros 1.000 dias do desenvolvimento infantil, que busca responder a essa pergunta. O projeto foi promovido pela Leap Health Breakthrough Network, agência financiadora internacional americana, com o objetivo de fomentar o financiamento de pesquisas na área da saúde.

Crianças com funções executivas, subdesenvolvidas aos 3 anos de idade representam cerca de 20% da população, mas constituem quase 80% dos adultos que, provavelmente, necessitarão de alguma forma de assistência social ou econômica. Os pesquisadores acompanharão cerca de 500 crianças, desde o nascimento até os 3 anos de idade, com objetivo de gerar um modelo capaz de predizer o seu desenvolvimento.

“Isso teria um potencial bastante grande no sentido de identificar precocemente, ou o mais precocemente possível, as crianças com dificuldade”, explica o professor Guilherme Polanczyk, do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, responsável pelo projeto. A ideia é que a pesquisa possa dar suporte em medidas que amenizem essas dificuldades, pelo monitoramento de como as crianças respondem em múltiplos níveis dos genes até as influências ambientais e estímulos cognitivos. 

“É um período da vida extremamente importante”, ressalta Polanczyk, em função do desenvolvimento cerebral acelerado. A linguagem, por exemplo, uma “fundação” para outras funções cognitivas, é uma das habilidades estabelecidas nesses primeiros anos. “À medida que acompanhamos as pessoas ao longo do desenvolvimento, entendemos que, de fato, problemas emocionais, cognitivos na adolescência, na vida adulta, têm origem, muitas vezes, em períodos bem iniciais do desenvolvimento”, diz ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição.

O tema é foco das linhas de pesquisa de todos os pesquisadores que integram esse projeto, de inúmeras unidades da USP (São Paulo, Ribeirão Preto e São Carlos). O projeto ainda não teve início, a previsão está para os próximos meses, porque o financiamento aconteceu nas últimas semanas.

“É um número pequeno [de crianças monitoradas], se estamos pensando em predizer algo tão complexo”, diz o professor. “Mas a Leap propõe, com esses diferentes grupos de pesquisa, agregando diferentes amostras de crianças e adolescentes em diferentes lugares do mundo, com pessoas de expertises complementares, que possamos endereçar esse problema e buscar soluções.”

Fonte: Jornal da USP

USP e prefeitura de Ribeirão Preto criam Centro de Referência Paralímpico Brasileiro

Importante na socialização, o esporte pode ajudar a superar obstáculos, limites e traumas. Para pessoas com deficiência, física ou psicológica, o esporte pode representar todos esses benefícios em um único lugar. É o que pretende a cidade de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, ao implantar seu Centro de Referência Paralímpico Brasileiro.

O projeto já está em andamento, com parceria e orientação do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) da USP e da Prefeitura do Campus da USP na cidade. A ideia principal, segundo os responsáveis, é treinar atletas de alto rendimento para fortalecer o desenvolvimento do esporte paralímpico nacional.

“Treinar, dar suporte a atletas de alto nível, promover iniciação esportiva de pessoas com deficiência e formar profissionais do esporte paralímpico estão entre os objetivos do novo centro em Ribeirão Preto”, conta o professor da EEFERP Márcio Pereira Morato. Ele destaca que essa também é uma oportunidade para desenvolver projetos de pesquisa e estágio para os alunos. “A criação desses centros visa a descentralizar as ações e atuações do comitê para atingir o maior número de pessoas com deficiência.”

Ribeirão Preto é considerado um município com forte vocação na área da saúde e com muita força no esporte, motivos pelos quais foi escolhido para receber o projeto. “A cidade, inclusive, tem tudo para se tornar referência no paradesporto com a chegada do Centro de Referência Paralímpico”, afirma André Trindade, secretário de Esportes de Ribeirão Preto, que vê no projeto oportunidade de inclusão de pessoas com alguma deficiência. “O esporte abre o horizonte para uma vida de saúde, competição e novos desafios”, destaca.

O professor Márcio Morato, à esquerda, durante a assinatura do convênio junto com o secretário de Esportes de Ribeirão Preto, André Trindade – Foto : Leandro Trigueiro/EEFERP-USP

Embora a ideia principal seja treinar e formar atletas para a disputa de competições, o centro vai oferecer aulas abertas a qualquer pessoa, independente de idade e da deficiência, estando sempre disponível “para selecionar praticantes e competidores”, afirma Trindade.

Expectativa alta para o início do projeto

A expectativa de participar do projeto é grande entre os idealizadores e alunos da EEFERP, já que as atividades devem atender, logo nos primeiros anos, cerca de 80 crianças e adolescentes nas modalidades de natação e atletismo. Mas, segundo Morato, vôlei, badminton, taekwondo e judô serão incluídas conforme o projeto avance.

O professor conta que a EEFERP já sonhava com um projeto parecido, que esbarrou em questões de logísticas e não chegou a ser colocado em prática. “Na época, levamos o projeto para instituições, como a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e a Associação dos Deficientes Visuais de Ribeirão Preto (Adevirp), onde foram desenvolvidas algumas modalidades esportivas, atividades interrompidas pela pandemia.”

Centro quer ser referência em formação de atletas e profissionais do esporte paralímpico – Fotos: Tomaz Silva / Agência Brasil e Min. do Esporte

Agora, com parceria sólida entre as entidades, a ideia é que o projeto não tenha problemas de estrutura ou logística. Enquanto o Comitê Paralímpico Brasileiro e a Prefeitura Municipal arcam com os custos do projeto, a EEFERP e a Prefeitura do Campus da USP em Ribeirão Preto se responsabilizam por toda a estrutura do centro.

As atividades serão desenvolvidas na EEFERP e em dependências esportivas da Prefeitura Municipal. “Ribeirão Preto terá mais atletas representando o município e trazendo as vitórias e medalhas que a cidade merece”, comemora Trindade. 

Fonte: Jornal da USP, por Robert Siqueira

Aplicativo pode auxiliar idosos e pessoas com deficiência durante emergências

No Brasil, segundo dados do IBGE, quase 30 milhões de pessoas têm mais de 60 anos. Cerca de 16 milhões conta com algum tipo de deficiência visual ou auditiva, e 4,2 milhões dessas pessoas moram sozinhas. E isso pode dificultar o acionamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em caso de emergência. Para atender essa parcela da população, o enfermeiro Diego Santiago Montandon, da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, desenvolveu a Plataforma Eletrônica de Socorro nas Urgências (e-SU).

O aplicativo é adaptado para acionar socorro pré-hospitalar de forma mais rápida e prática. A ideia do projeto surgiu da própria experiência de Montandon como enfermeiro, que ao perceber a dificuldade resolveu investigar a real situação dessas pessoas. Durante seu mestrado na EERP, ele avaliou dados de geoprocessamento de pedidos de socorro realizados por pessoas com mais de  60 anos e com deficiência em Ribeirão Preto. “Foi quando verifiquei que elas também não conseguiam ser tão bem atendidas”, conta o pesquisador. 

Montandon decidiu, no doutorado, desenvolver um aplicativo para celular que desse autonomia a esse público durante situações de emergências. O e-SU possibilita chamar o Samu, enviando a exata localização do celular. Segundo o pesquisador, o app também envia ao  serviço de urgência fotos, vídeos, mensagens de texto e oferece comunicação audiovisual comum, permitindo um atendimento mais eficaz e adequado à condição do paciente.

Telas do aplicativo de emergência médica – Foto: Reprodução/EERP

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Diego Montandon – Foto: Arquivo pessoal

Para além do pedido de socorro, garante Montandon, ao ser instalado, o e-SU tem acesso aos locais que o paciente mais frequenta, da localização de seu dispositivo celular, além da idade, se mora sozinho e se é portador de deficiência auditiva ou visual. O pesquisador afirma que “com o decorrer do tempo, o aplicativo vai se adaptando conforme as necessidades da pessoa e, se ela desejar, ela própria pode atualizar o sistema.”

O aplicativo e-SU já foi aprovado em testes com peritos, empresários da área de desenvolvimento de softwares para telefonia móvel e por 21 pessoas da população-alvo. Atualmente, encontra-se em fase de registro na Agência USP de Inovação. “Depois dessa etapa, serão necessários novos recursos financeiros para desenvolver o protótipo de alta fidelidade, o qual terá de ser avaliado novamente antes de ser lançado ao público.”

O desenvolvimento do aplicativo foi feito durante o doutorado de Montandon Construção e avaliação de um protótipo de software aplicativo de telefonia móvel para acessibilidade nas solicitações de socorro pré-hospitalar, com orientação da professora Simone de Godoy Costa, no Programa de Pós-Graduação em Enfermagem Fundamental da EERP, defendido em dezembro de 2020.

Fonte: Jornal da USP

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